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Reitoria da Unicamp quer aprofundar punições racistas e retirar autonomia dos estudantes

Amanhã acontecerá sessão do Conselho Universitário (CONSU), esse órgão antidemocrático, conservador, que pautará as punições racistas relacionadas à greve de 2016 contra vários estudantes na universidade, podendo votar a expulsão de um estudante negro. Também pautará as eleições dos representantes discentes ao Conselho Universitário, com um grave ataque à autonomia do movimento estudantil.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

segunda-feira 31 de julho| Edição do dia

A massiva greve estudantil do ano passado se posicionou fortemente contra o corte de verba de 40 milhões da Reitoria e também contra o golpe institucional em curso. Foi ela que levou como carro-chefe a necessidade de cotas étnico-raciais na universidade, que acabou arrancando essa vitória em 2017. A possibilidade de expulsão de um estudante negro reforça o caráter racista das punições e fortalece um CONSU à serviço da produção de conhecimento voltada para as empresas, e não aos trabalhadores e à população.

A segunda pauta coloca em xeque a autonomia dos estudantes na decisão da representação discente nesse órgão, já que está prevista a votação da retirada das eleições desses representantes organizadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) para ser passada para uma comissão eleitoral conformada por maioria da burocracia universitária e apenas dois estudantes e que a votação ocorra online.

Nesse sentido, é de extrema importância reforçar o que significa esse órgão máximo de deliberação da burocracia universitária que é o CONSU. Com uma cadeira reservada para um membro da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para garantir os interesses de lucro das empresas dentro da universidade, o setor com maior peso de votação é dos docentes, com 70% de capacidade de decisão, enquanto estudantes e trabalhadores que compõem a maioria da comunidade dividem os outros 30%. De maneira privilegiada, a gestão da universidade está nas mãos de ricos e empresários, como vemos com salários de docentes que ultrapassam o salário do governador de São Paulo. Um exemplo disso é que são esses supersalários e essa corja do CONSU que promovem os cortes de verba dentro da universidade, que precarizam o Hospital de Clínicas, onde não há leito infantil, mas também as condições de trabalho dos funcionários e a permanência estudantil.

Além disso, no Rio de Janeiro, será votado o habeas corpus do Rafael Braga, preso político de Junho de 2013 e condenado a 10 anos de prisão pelo Judiciário racista. Chamamos todos os estudantes a concentrarem em frente à reitoria às 8h30, lutando contra a repressão dentro e fora da universidade! Revogação imediata das punições! Liberdade a Rafael Braga!

Confira nosso chamado:

Evento do Facebook:
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