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Reitoria da UFRN atrasa reforma no RU e estudantes podem ficar sem alimentação

terça-feira 17 de setembro| Edição do dia

O Restaurante Universitário da UFRN foi fechado no final do primeiro semestre de 2019 sob alegação da necessidade de realização de reformas e adequações no espaço da cozinha. Com isso, foram demitidos todos os 70 funcionários da empresa terceirizada que garantiam o preparo da comida e a limpeza do espaço e foi acordado com os estudantes o pagamento de um valor destinado àqueles contemplados com o auxílio alimentação e residência.

A promessa da reitoria naquele momento era de que o restaurante voltaria a funcionar dentro de 3 meses, prazo este determinado para o pagamento dos valores acordados. Este prazo se encerrou agora no mês de setembro. No entanto, a reforma está longe de terminada. Na placa colocada em frente a obra está colocado que o prazo para a sua entrega é de 150 dias, que tampouco deverá ser cumprido dado o atual andamento da reforma.

A situação colocada para os estudantes bolsistas é de incerteza. Não há nada garantido pela reitoria de que em Outubro e nos meses seguintes os estudantes receberão o valor necessário para se alimentarem. Não bastasse a situação em que os estudantes precisam adequar a rotina de estudos, de trabalho, à preparação diária das refeições, com um valor que mal chega no final do mês, agora sequer sabem se terão o que comer nos próximos meses.

Além disso, já está programado para o próximo ano um corte de cerca de 40% no valor do PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil), assim como a reitoria está atendendo uma medida do MEC de enviar dados sobre o desempenho acadêmico dos alunos que são atendidos pelo programa.

Trata-se de uma medida do MEC para filtrar os estudantes que recebem algum tipo de auxílio bom base no seu desempenho acadêmico, onde os alunos que apresentam índices de IECH e IEPL abaixo do índice do curso tenderão a perder suas bolsas. Atualmente os bolsistas já são tem a sua frequência e notas monitoradas pela reitoria, que pode convocar estudantes que apresentarem “mal desempenho” para dar explicações e até mesmo cortar as suas bolsas.

A situação é inaceitável. Em momentos de crise e de bolsonarismo ameaçando a existência de universidades públicas nos próximos anos, a reitoria vem mostrando que cumpre o papel de adequar a universidade aos novos padrões desse projeto. Descarregam a crise orçamentária na universidade provocada por anos de corte no MEC, desde o governo Dilma e se intensificando brutalmente com a gestão bolsonarista, nas costas dos trabalhadores terceirizados, dos estudantes que dependem de permanência estudantil.

A já excludente realidade da universidade, que mantem um filtro excludente e racista que é o ENEM como forma de ingresso, uma política restrita de permanência estudantil, ao ponto do RU custar 7 reais a refeição, e condições no mínimo impróprias para habitação para os residentes, vem se aprofundo.

Para o projeto Future-se de universidade de Bolsonaro e Weintraub, não cabe a juventude negra e trabalhadora, que mesmo com as cotas raciais estão majoritariamente excluídas da universidade pública e subordinadas às dividas do FIES ou ao ensino precário dos grandes monopólios de ensino privado, como Estácio, Laureate e Kroton.

O CONEUF que deverá ser realizado nos próximos meses precisa ser um espaço para debater como organizar o movimento estudantil da universidade para derrotar os ataques de Bolsonaro e Weintraub, defender e ampliar a permanência estudantil.

No último semestre, vimos massivas assembleias de curso pipocarem na UFRN e em todo país, preparando as grandes manifestações do dia 15 de Maio. No entanto, esses espaços foram abandonados pelo nosso DCE, dirigido pela majoritária da UNE, que convocou uma sequência de manifestações cada vez menos organizadas pelas bases dos cursos. Naquele momento que a reitoria anunciava o fechamento do RU e as demissões de terceirizados, fortalecer as assembleias na universidade e unificar a batalha por permanência com a luta nacional era imprescindível para que o movimento estudantil não ficasse refém das falsas promessas da reitoria.

A juventude Faísca de UFRN publicou uma carta de chamado a chapas de unidade antiburocráticas e anticapitalistas para intervir nesse congresso com a perspectiva de democratizar os espaços de decisão do movimento estudantil e apresentar quais objetivos o movimento estudantil precisa se dar para dar uma saída de fundo para a crise que está colocada no país e nas universidades.

Leia também: Carta da Faísca aos Estudantes da UFRN rumo ao CONEUF

Uma saída que só pode se efetivar se unificando os combates da juventude com a classe trabalhadora. Defendemos um restaurante universitário que atenda a todos os estudantes e funcionários sem restrições, uma habitação digna aos residentes, creches de acordo com a demanda e a efetivação dxs terceirizadxs, sem necessidade de concurso público.




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