Rei da entrega de dinheiro aos bancos com a dívida pública, Meirelles finge não ser banqueiro

Henrique Meirelles, candidato herdeiro do golpe e do partido de Temer (MDB), se lança na tentativa de desvencilhar da imagem de banqueiro e dos duros ataques promovidos pelo governo e capitalistas contra os trabalhadores.

Douglas Silva

Estudante da UFJF

quinta-feira 9 de agosto| Edição do dia

O candidato à presidência pelo MDB, partido do golpista Michel Temer, em entrevista à Folha de São Paulo, diz que “a imagem de banqueiro é uma coisa forçada por alguns da oposição porque na grande maioria da população não existe”. Meirelles tenta a todo custo, com seus 1 % de intenção de votos segundo as pesquisas, se separar da imagem de banqueiro. Uma tentativa de esconder a face de capitalista que ataca os trabalhadores em benefício dos lucros dos patrões e de seus próprios.

Junto a tentativa de se separar da imagem de banqueiro, o ex-presidente do BankBoston e Banco Central, busca sair por fora das associações ao presidente Michel Temer e a casta de políticos corruptos de seu próprio partido. Para isso, Meirelles faz questão de recordar os oito anos que esteve à frente, durante o governo Lula, do Banco Central. “Eu fui presidente do Banco Central do Lula por oito anos. Depois disso mais dois anos como ministro da Fazenda. Então o que a população tem de lembrança são os oito anos que eu fiquei no Banco Central [...]”, disse.

Mas, afinal, quem é o banqueiro Henrique Meirelles?

Meirelles é o candidato com estreitas relações com a JBS, “caixa forte” na compra de políticos no Congresso brasileiro, defensor das reformas da previdência e trabalhista. Também tem sido protagonista nos últimos anos como o ‘homem dos bancos’, desde sua participação nos governos Lula e Dilma, por ter proximidade com monopólios de empresas nacionais como a JBS, inclusive tendo assumido, de 2012 a 2016, o Conselho de Administração da J&F, holding que controla também o frigorífico JBS/Friboi.

Nas delações, em 2017, envolvendo a JBS, era o "rapaz trabalhador", segundo Joesley Batista e Temer, em conversa vazada na época. Seguiu sendo um dos maiores entusiastas do golpe institucional e dos ataques promovidos contra os trabalhadores, como a reforma da previdência, reforma trabalhista, e mentor da PEC 55 do teto dos gastos, além de responsável pela privatização da CEDAE no Rio de Janeiro.

Também foi Meirelles quem articulou diversas privatizações pelo país, entregando de bandeja portos, aeroportos, pré-sal e demais setores estratégicos da economia brasileira para o imperialismo. Tudo como forma de enriquecer o setor financeiro e o maior mecanismo de saque nacional, a Dívida Pública.

O candidato também recebe uma aposentadoria do FleetBoston de mais de 200 mil reais por mês desde quando assumiu a presidência do Banco Central, em 2003. Enquanto seguiu/segue sendo um dos articuladores da Reforma da Previdência para atacar os trabalhadores. Afinal, o banqueiro financiado pelos capitalistas vem como candidato para manter os privilégios dos ricos e exploração dos trabalhadores.

Na entrevista à Folha, Meirelles não deixa dúvidas de que governaria, assim como sempre fez, a serviço dos patrões. Seu histórico, por mais que se tente esconder por baixo de pura demagogia, faz parte da história do golpe institucional, e para além dele. Antes ou depois do golpe, o candidato nunca deixou de ser o representante dos capitalistas, garantidor das privatizações e do pagamento fiel da Dívida Pública.




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