Opinião

REFORMA TRABALHISTA

Reforma trabalhista quer que trabalhemos até a morte: nossas vidas valem mais que os lucros

Hoje vai à votação a reforma trabalhista que quer destruir nossos direitos e entregar nossas vidas ainda mais aos lucros dos patrões. Quem irá votar esse ataque são os privilegiados senadores junto a Temer, que não trabalham e recebem salários altíssimos além de todo tipo de privilégios. A aliança reacionária dos parlamentares com os patrões e banqueiros atuam cotidianamente para lucrarem e viver a “boa vida” as custas de tirar a vida e o “couro” dos trabalhadores.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

terça-feira 11 de julho| Edição do dia

Mesmo com toda a crise do governo Temer, os senadores fazem questão de que a reforma trabalhista não pare, e querem aprová-la a todo custo e o mais rapidamente possível, com a votação marcada para ainda hoje no Senado. Temer aposta sua “sobrevivência” na previdência nessa aprovação, para mostrar que ainda pode ser útil para os principais capitalistas internacionais e nacionais.

As reformas são a prioridade número um dos patrões e desses políticos que não passam de seus mandatários no parlamento para cumprir os interesses dos empresários e garantir os próprias luxos, para isso é necessário aprovar suas leis e atacar todos os nossos direitos. Com ou sem Temer, o que importa é a aprovação dos ajustes, a retirada de nossos já reduzidos direitos. Essa foi a motivação real para o golpe: colocar no poder alguém que aceleraria os ataques que o PT já vinha fazendo.

A mídia vem também a todo custo tentando fazer uma lavagem cerebral na população para ganhar apoio para as reformas, porque, como os parlamentares, são propriedade dos capitalistas que querem arrancar nosso couro. É claro que mesmo com toda a propaganda, a aprovação popular às reformas é ínfima, porque todos sabem que vem para fazer terra arrasada de nossos direitos.

Não cria empregos, não “moderniza” nenhuma relação trabalhista. Serve para terceirizar, reduzir salários, aumentar jornadas, acabar com férias, horas de almoço, precarizar tudo na base de uma suposta “livre negociação” em que os patrões que mandam.

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Nossos sindicatos deveriam ser a linha de frente no combate a esses ataques. Me orgulho de fazer parte, como diretora de base, de um sindicato que mobilizou a categoria para essa luta. No último dia 30, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) organizou um ato junto ao comitê de mobilização da zona oeste, do qual é impulsionador, que parou o cruzamento de três grandes avenidas em São Paulo. Desde o MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores), também vivemos dando batalha contra o banho de “agua fria” que as centrais vinham planejando. Exigindo que tomássemos a greve geral em nossas mãos, organizando comitês de base.

Infelizmente, não foi o que vimos acontecer nos milhares de sindicatos dirigidos pela CUT e CTB que frearam a luta e a subordinaram a política parlamentar petista. Nem falar na Força Sindical, que muito antes do dia 30 já dizia, pela boca de Paulinho, que queria negociar as reformas com Temer, e que traiu a luta do dia 30 falando contra a construção da Greve Geral.

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Hoje vimos as senadoras petistas ocuparem a mesa do Senado para impedir a votação. Mas essa atitude nos remete a política do PT em todos os milhares de sindicatos que dirige no país inteiro, onde querem impedir que a luta se desenvolva para além dos seus freios e objetivos políticos. O PT não quer acabar com as reformas, mas sim negociar reformas mais ou menos brandas e eleger Lula em 2018. Sentar numa mesa não vai impedir a aprovação das reformas, claramente.

O rolo compressor de Temer e do Congresso Nacional tem por trás de si o imenso poder econômico dos capitalistas, os mesmos que os elegeram com propinas milionárias e mandam e desmandam na política nacional. Não é no Senado que se decide essa briga, mas nas ruas, nas fábricas. Parando o transporte, a produção, a circulação de mercadorias é a única forma de fazer frente aos patrões. Porque, maior do que seu poder econômico, apenas a força dos trabalhadores unidos: somos nós que produzimos tudo, inclusive a riqueza dos capitalistas. Parando a produção nós somos imbatíveis e podemos fazer valer nossa força.

Hoje esses privilegiados se reúnem e fazem seus conchavos. Cada um ganha sua parte por atacar nossos direitos. Nós temos que nos organizar, criar nossos comitês em cada local de trabalho. Temos que lutar para deixar claro que nossas vidas valem mais do que os lucros deles, e isso só faremos por meio da nossa organização independente.,

Nossas vidas valem mais que os lucros deles

Estamos impulsionando essa campanha, justamente num dia em que o congresso quer acabar com nossos direitos com medidas cruéis para a vida de milhões de trabalhadores. A realidade para a grande maioria da população é trabalhar sem parar, hoje ter o fim de semana livre é visto como um direito, as pessoas tem na pratica apenas 4 dias por mês para o lazer, para a família ou os cuidados.

É um absurdo, onde na pratica o capitalismo nos tira o direito a vida, enquanto só alguns poucos gozam de privilégios, viagens, bons médicos e educação. Lutar contra esse regime de poucos privilegiados e esse sistema de exploração é também falar que nossas vidas valem mais que os lucros deles, não queremos mudanças parciais, mas sim a possibilidade de uma vida plena sem opressão e exploração.




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