Internacional

ANÁLISE

Referendo na Bolívia: com resultados não-oficiais, o NO ganha com 52,3%

Com resultados não-oficiais, o voto negativo para a reforma do artigo 168 da Constituição se impunha com 52,3% dos votos. Esse resultado impediria uma nova reeleição de Evo Morales.

terça-feira 23 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Foto: O Vice-presidente Alvaro García Linera na conferência de imprensa sobre os primeiros resultados. Fonte: Telesur.

Com 100% dos votos contabilizados e mais de 87% de participação, em resultados não-oficiais da consulta sobre a reforma constitucional do artigo 168 para habilitar o binômio Evo Morales e García Linera a um quarto período governamental, determinou como ganhador o voto NO com 52,3% enquanto o voto apoiando a reeleição é 47,7%.

Esse resultado abre a posssibilidade de uma mudança na relação de forças entre a oposição e o oficialismo, assim como abre um valioso período de equilíbrio e de reflexão sobre as diversas estratégias na esquerda.

O MAS tem três anos para preparar a sucessão

O resultado eleitoral que impede uma nova postulação presidencial a Morales e García Linera coloca a dificultosa tarefa de as figuras sucessoras entrarem em consenso, em um bloqueio político onde o único indiscutível era o peso do caudilho.
A possibilidade de que se disparem guerras fratricidas e ajustes de contas dentro do partido do governo é algo que já prevêem diversos analistas. Assim mesmo, esse resultado, ainda que não necessariamente tenha um efeito imediato sobre a
governabilidade e a administração estatal por parte do MAS, é uma severa advertência frente à explosão de casos de corrupção que golpearam os últimos meses, assim como à morte de 6 funcionários municipais produto de uma mobilização organizada por burocratas sindicais e sociais relacionados ao MAS.

Por outro lado, a oposição burguesa tradiciona acredita ver nesse resultado uma possibilidade maior de poder mover o MAS da administração estatal. No apurado, Rubén Costas teve o cuidado de anunciar sua próxima postulação presidencial,
posicionando-se frente à Unidade Nacional do empresário produtor de cimento, Dora Medina, e de Soberania e libertade da Bolívia (SOL.BO) que administra a estratégica prefeitura da cidade de La Paz.

Os trotskistas votamos nulo e branco

Nesse referendo, era chave manter uma posição política independente frente à armadilha de sustentar a atual constituição ou modificá-la num sentido mais presidencialista. Frente a esta armadilha e conhecendo as dificuldades de romper a polarização imposta entre o Si e o No, os socialistas revolucionários defendíamos princípios e colocávamos que a única saída frente aos ataques ao salário ou ao emprego, ou inclusive para que os trabalhadores possamos expressar nossa própria voz de forma independente, temos que enfrentar a burocracia sindical e por em marcha a construção de nossa própria ferramenta política, o Partido dos Trabalhadores. Essas ideias eram muito difíceis de serem expressas nessa armadilha do Si, dirigida pelo partido do governo e de Evo Morales, e tampouco pelo No dirigido por Costas, Medina e Revilla e muito menos por intelectuais que romperam com o MAS como Rebeca Delgado, Filemón Escobar e outros, e ainda menos seguido pelo POR e alguns grupos menores. Por tal razão, determinamos que a melhor maneira de expressar essas ideias é com o voto branco ou nulo, cujos resultados foram ao redor de 1,2% e 3,2%, respectivamente.




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