Economia

PERDAS SALARIAIS

Reajustes salariais em 2016 foram os mais desfavoráveis dos últimos 20 anos

Segundo estudo do DIEESE, as negociações coletivas em 2016 estão entre as mais desfavoráveis aos trabalhadores dos últimos vinte anos. Os reajustes abaixo da inflação atingiram 37% dos casos, enquanto que apenas 19% superaram o índice.

sexta-feira 31 de março de 2017| Edição do dia

(crédito da imagem: Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Paraná)

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou balanço das negociações salariais de 2016. De acordo com a pesquisa, trata-se de um dos piores resultados dos últimos 20 anos. Apenas 19% dos reajustes ultrapassaram o índice da inflação do período, mesmo resultado de 2003, que é o pior patamar da série. Já os reajustes abaixo da inflação chegaram a 37%, um índice bastante baixo. Os reajustes idênticos à inflação correspondem a 44%. No balanço, a variação real média foi negativa (-0,52%), algo que não ocorria desde 2003.

Após 10 anos com médias acima de 86%, em 2015 já houve uma mudança brusca. Mesmo assim, naquele ano as negociações acima da inflação ainda chegaram a 52% (contra 19% este ano), os reajustes abaixo da inflação eram 18% (contra os 37% atuais) e os reajustes que apenas cobriram a inflação foram 30% (subiram para 44%).

Outro aspecto apontado pelo estudo é aumento significativo dos reajustes salariais parcelados. Após permanecerem estáveis entre 4 e 5% entre 2008 e 2013, essa forma de reajuste cresceu levemente em 2014 e dobrou em 2015. De lá pra cá a proporção dobrou novamente, chegando a 30% dos reajustes salariais.

Na análise por setor, os trabalhadores de Serviços foram os mais prejudicados, com quase metade das negociações tendo sido abaixo da inflação, ainda que também nesse setor a proporção acima da inflação é levemente mais alta que a média geral, correspondendo a 21%. Indústria e comércio apresentam resultados semelhantes, com pouco mais da metade dos reajustes iguais à inflação, e cerca de 30% abaixo.

Em todos os setores os reajustes acima da inflação foram minoritários. Dos setores industriais, metalúrgicos tiveram o resultado menos desfavorável, mas também com variação negativa (-0,48%). Já o setor industrial onde os trabalhadores tiveram maiores perdas foi de gráficos (-0,71%). O comércio foi onde as perdas foram menores (-0,24%).

O DIEESE analisou os reajustes de 714 unidades de negociação da indústria, do comércio e dos serviços do setor privado e de empresas estatais em quase todo o território nacional.

A conclusão do DIEESE e que “A grave crise econômica pela qual passa o país é uma das principais razões para o desempenho negativo das negociações salariais de 2016. Como mostram os dados recém-publicados pelo IBGE sobre o Produto Interno Bruto brasileiro, a queda no nível da atividade econômica foi geral e profunda, embora em nível diferenciado ao longo dos trimestres do ano: ligeira melhora na primeira metade de 2016, seguida da piora no período subsequente, fato que ajuda a entender o desempenho das negociações do segundo semestre”. E continua: “Os dados são corroborados pelas pesquisas de emprego e desemprego (PED) do DIEESE e Fundação SEADE, que indicaram o preocupante aumento das taxas de desemprego e desocupação, após um longo período em que a pesquisa sinalizava o contrário: uma alta taxa de ocupação e desemprego em queda”.

Não podemos também ignorar o peso político do golpe institucional que se deu em 2016, que junto ao desemprego, provocou um clima de incerteza nos trabalhadores. Além disso, o comportamento das principais centrais sindicais, que nem chamaram a luta contra o golpe, e nem contra os ajustes em curso, numa clara trégua com o governo golpista, também contribuíram para os reajustes desfavoráveis.

Como resultado de tudo isso, os trabalhadores sentem na pele as perdas salariais que implicam na queda da qualidade de vida das famílias. É neste ambiente que se desenvolvem os ataques históricos como a Reforma da previdência e trabalhista, que buscam arrancar direitos básicos desses mesmos trabalhadores que tiveram suas condições de vida corroídas. Soma-se a isso o elementar direito ao trabalho, que a cada dia se torna mais restrito com o aumento do desemprego.

Somente com um plano de lutas sérios que organize a classe trabalhadora desde a base para enfrentar este governo e seus ataques será possível reverter esta situação de miséria que estão nos impondo.




Tópicos relacionados

crise econômica   /    Economia   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar