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Rajoy encabeça o golpe institucional contra a independência catalã

Por trás da aprovação da República Catalã o presidente espanhol anuncia a intervenção na Catalunha. Como segue a situação nos próximos dias?

sábado 28 de outubro| Edição do dia

Uma jornada histórica se viveu na Catalunha e no Estado Espanhol nesta sexta-feira, 27/10. Histórica por conta da aprovação no parlamento catalão da proposta de Declaração de uma República independente de Junts pel Sí, coligação que governa Catalunha e a CUP, organização da esquerda independentista que tem uma importante bancada parlamentar.

Também entrará na história porque o presidente espanhol, Mariano Rajoy, confirmou o que já havia anunciado na Câmara sob o Parlamento espanhol, a aplicação do antidemocrático artigo 155 da Constituição e o golpe institucional contra a autonomia catalã como nunca havia sido feito desde a ditadura de Franco.

Declaração de independência catalã e festa nas ruas de Barcelona

A sexta-feira começou com a tensa espera acerca da resolução que deveria tomar o Parlamento catalão sobre a declaração de independência. Especialmente após as vacilações e os rumores que ocorreram na quinta-feira sobre o presidente catalão, Carles Puigdemont, haviam pensado em chamar eleições antecipadas, anúncio logo descartado pela negativa do governo espanhol ao garantir que não avançaria com a intervenção.

Logo ao meio dia, com a ausência dos deputados do Partido Popular, Ciudadanos e o Partido Socialista (PSOE), o Parlamento catalão votou uma resolução proposta por Junts per Sí e pela CUP para declarar uma República independente.

O anúncio foi recebido como um triunfo por dezenas de milhares de pessoas que haviam se mobilizado até o Parlamento em Barcelona para apoiar a Declaração.

Porém menos de uma hora depois da votação no Parlamento catalão, o Senado espanhol votou a pedido do presidente Mariano Rajoy a aplicação do artigo 155 para intervir na Catalunha.

Rajoy impõe um golpe institucional a favor da monarquia e o Estado Espanhol contra a Catalunha

Com 214 votos a favor, 47 contra e 1 abstenção o Senado aprovou o artigo da Constituição que permite que o Estado central intervenha na autonomia.

O artigo 155 nunca havia sido aplicado até agora, porém é parte da Constituição e do Regime de 78 que se instaurou com a saída do franquismo para garantir a centralidade espanhola, mantendo a autoridade do rei e negando qualquer direito a autodeterminação nacional às autonomias que compõem o Estado.

O que aconteceu foi o anúncio de Rajoy com as medidas que aplicará para impor um golpe institucional contra a autonomia catalã e impedir a instauração de uma república independente.

Numa verdadeira ofensiva do Regime espanhol, Mariano Rajoy, confirmou em uma conferência de imprensa após uma reunião com o Conselho de Ministros os passos que seguirá e a forma que pensam intervir sobre a Catalunha: destituição de todo o Governo catalão, incluindo o Presidente, vice-Presidente, todos os ministros (exceto Santi Vila, que renunciou na quinta-feira) e outros altos funcionários como o chefe de Polícia Autônoma; dissolução do Parlamento; extinção das embaixadas catalanas no exterior (com exceção da de Bruxelas) e convocação para eleições regionais para o dia 21 de dezembro.

Rajoy não se esqueceu de agradecer aos dirigentes Pedro Sanchez do PSOE e Albert Rivera do Ciudadanos. Ambos partidos se uniram junto a Rajoy e ao Rei para que aprovasse o artigo 155 de intervenção sobre a Catalunha e rejeitaram completamente qualquer tentativa soberana que fosse contra a Constituição de ’78 e do centralismo espanhol.

O que vem pela frente

O presidente catalão Carles Puigdemont não se pronunciou sobre o discurso de Rajoy. Tampouco o fizeram desde a coligação Junts pel Sí, e não parece que o governo catalão tenha elaborado um plano de defesa frente o ataque que o Estado central pensa em descarregar sobre a Catalunha.

O anúncio dos principais líderes da União Européia e das potências internacionais em apoio ao governo espanhol é um duro golpe ao projeto de república que aspirava construir Puigdemont, contando com o aval internacional.

Consultado sobre a situação que se abriu, Salvador Lou, dirigente da Corrente Revolucionária de Trabalhadores e Trabalhadoras, manifestou desde Barcelona que as medidas tomadas por Rajoy são "todo um golpe institucional contra a jovem república catalana que foi proclamada hoje. Todo um golpe contra o movimento democrático catalão e as aspirações de todo um povo que se expressou massivamente no Referendo do último 1 de outubro."

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Também agregou em relação às declarações dos líderes do PODEMOS, que não reconhecem a independência catalã, "forças como PODEMOS e Izquierda Unida seguem jogando para o outro lado sem reconhecer o resultado do referendo e seguem sem dar apoio à república catalã, agora ameaçada por este golpe institucional. É necessário que estas organizações chamem mobilizações em todo Estado Espanhol contra este golpe, contra o Regime de ’78 e contra a coroa."

Consultado pelo La Izquierda Diario - Estado Espanhol sobre os próximos passos que seguirão na Catalunha frente o anúncio de Rajoy, Salvador Lou explicava que "O governo catalão não tem um plano para defender esta República e vêm há dias vacilando. Portanto, terá que ser com mobilização e auto-organização popular, com a classe trabalhadora a frente, para se enfrentar contra esse golpe e defender a república catalã."

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