Economia

Raízen e Ultrapar, monopólios do petróleo, disputam privatização da refinaria Repar

A Petrobras confirmou nesta nesta segunda-feira (21/9) que a Ultrapar Participações, e Raízen (da internacional Shell mais Cosan) e a China Petroleum & Chemical Corporation (Sinopec) disputam a etapa vinculante para aquisição da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). Mas, a disputa final ficará entre o grupo Ultra e Raízen, as duas maiores distribuidoras de combustíveis do país.

terça-feira 22 de setembro| Edição do dia

A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), junto a vários terminais e oleodutos a ela associados, que vão do Paraná a Santa Catarina, está sendo entregue pela privatização que entrega monopólios regionais de petróleo para serem explorados por gigantes empresas privadas. Os olhos dos grandes empresários monopolistas internacionais vibram ao poderem ter em mãos uma grande refinaria do Brasil, que é um dos maiores mercados consumidores de combustíveis do mundo, por isso a disputa final se dará entre a gigante Raízen (Shell no Brasil depois da união com a Cosan) e a Ultrapar Participações por um preço de banana para adquirir toda a tecnologia e infra-estrutura de uma região que permite o controle de toda distribuição de combustíveis do Paraná até Santa Catarina.

A Ultra é conhecida pela empresa Ultragaz, que enriqueceu enormemente com o apoio que deu ao Golpe de 1964 e apoio total ao regime militar, sendo o próprio presidente da empresa à época, Albert Hening Boilesen, um dos grandes entusiastas da Operação Bandeirante (Oban), inaugurada em São Paulo em 1969. A Oban, foi criada pelo Exército para investigar e reprimir grupos da esquerda armada que lutaram contra a ditadura, foi financiada por empresários vinculados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Seu caso é considerado exemplo da participação civil na repressão. Ford, GM e Camargo Corrêa também são empresas que financiaram a Oban. Ou seja, é uma corporação que, além de ser baseada em lucros capitalistas de trabalhadores explorados, está fundamentada junto à história das barbáries, torturas e assassinatos promovidos pelo regime militar, o qual é representado pela extrema de Bolsonaro.

A disputa acirrada entre a internacional Shell e o grupo Ultra só ilustra, de fato, o absurdo privatista que foi a Petrobras privatizar, em 2019, a BR distribuidora, que era a maior empresa de combustíveis do país, que gerou milhares demissões e abriu espaço para o capital financeiro internacional entrar para ganhar nichos de mercado e submeter ainda mais o desenvolvimento nacional ao sufocamento das grandes empresas estrangeiras, além de gerar o eventual aumento do preço de produtos e serviços, como o gás de cozinha, por exemplo, a depender dos interesses de lucrar destas corporações.

Além disso já está em fase de negociações com o fundo de Abu Dabi Mubadala para vender a Refinaria Landulpho Alves (Relam), na Bahia, a primeira do país, que completou 70 anos na semana passada. O projeto faz parte da “carteira de desinvestimentos” da Petrobras. Ao todo, a empresa pretende vender oito unidades – seis refinarias, a planta de lubrificantes do Ceará (Lubnor) e fábrica de processamento de xisto no Paraná (SIX) até 2021. Isto é, um imenso processo de privatização para a exploração de nossas riquezas naturais a troco de um arsenal de infraestruturas e tecnologias brasileiras vendidas a preços irrisórios.

Neste mesmo momento, as negociações entre a Petrobras e os grupos investidores interessados em suas refinarias acontece quando o Supremo Tribunal Federal (STF) está julgando o pedido para suspensão das vendas de suas refinarias sem aval legislativo do Congresso Nacional. Até 25 de setembro o STF decidiria sobre a negociação das refinarias, após pedido das Mesas da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso para suspensão das transações.

Mas o presidente do Tribunal, ministro Luiz Fux, suspendeu o julgamento virtual sobre a venda de refinarias da Petrobras, para sessão presencial sem data, permitindo mais tempo para as negociatas acontecerem. O que mais nos interessa neste ponto é que as negociações estão sendo feitas de forma “relâmpago”, sem as determinadas autorizações mínimas legislativas para que a privatização ocorra, o que afirma ainda mais a política entreguista neoliberal de Guedes e Bolsonaro, em nome do enriquecimento capitalista.

Os petroleiros já protagonizaram uma forte greve nacional este ano contra os planos de demissão de quase mil trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes e compostos Nitrogenados dos Paraná (a Fafen) e é nesta força, da classe trabalhadora, que nós do MRT nos apoiamos para barrar as privatizações e a política neoliberal de Paulo Guedes e Bolsonaro à serviço de entregar nossas riquezas e produção nacionais para sufocar nosso desenvolvimento econômico pagando a dívida Pública que consome todo o PIB do país a troco do enriquecimento privado de capitalistas. Assim como reforçamos a luta dos trabalhadores do Correios em greve neste momento em nome da manutenção de seus direitos e contra a agenda privatista do General Floriano Peixoto.

Só a partir da força da nossa classe é que poderemos combinar uma qualidade de vida a todos, sem a exploração do trabalho, junto a uma relação não predatória com a natureza e seus recursos naturais se fazendo por meio da gestão operária de toda produção, uma reconversão da produção social segundo a capacidade de cada um à necessidade de cada trabalhador. Diferente da destruição capitalista que, nos últimos dias, já consumiu 20% do Pantanal por incêndios criminais de latifundiários e grileiros, apontando que, por mais um exemplo, este sistema não permite qualquer expectativa de sobrevivência da vida a fim de preservar seus lucros.




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