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COPA DO MUNDO

Raio-x das quartas-de-final da Copa: Tradição x Zebra

Numa chave, 8 títulos de Copa do Mundo e a seleção "sensação" do futebol ofensivo. Na outra, zebras e uma Inglaterra que busca, de novo, não ser uma grande ilusão.

quinta-feira 5 de julho| Edição do dia

A Copa do Mundo afunilou, e quem esperava uma fase de quartas-de-final somente com confrontos entre as seleções tradicionais das Copas, com certeza ficou pra trás, assim como Alemanha, Argentina e Espanha. Nada de diferente no entanto, quando vemos que dos oito melhores times da copa, apenas dois são da América do Sul e os outros seis são da Europa.

Sobraram quatro seleções campeãs mundiais, sendo três delas na mesma chave: Brasil, Uruguai e França de um lado, e Inglaterra na outra chave. As grandes surpresas das quartas ficaram na conta de Russia, Croácia e Suécia, sendo que a última tem uma final de Copas na história (a derrota em casa de 1958 contra o Brasil).

Vamos então, para um raio-x dos confrontos nas quartas-de-final da Copa:

Uruguai x França

Definitivamente o jogo mais disputado dessa fase, o Uruguai chega carregando o peso de ser a única seleção que venceu seus quatro jogos até agora, com um futebol consistente desde defesa até o ataque de estrelas do futebol internacional de Luiz Suarez e Cavani. Mas enfrenta ao mesmo tempo o maior desafio até agora nessa Copa, uma França extremamente aplicada e organizada taticamente, com um contra-ataque mortal nos pés de Griezmann e Mmbapé, e um time de transição muito rápida no meio campo. A seleção francesa é nova, mas cascuda. Aprendeu muito bem com a derrota nas quartas-de-final para a Alemanha em 2014, e o vice campeonato da Eurocopa contra Portugal em 2017. Tomou 3 gols da Argentina, mas deixou finalizarem somente 4 vezes durante todo o jogo. Untiti e Varane são definitivamente a zaga mais difícil que o Uruguai vai enfrentar até aqui na Copa. A França vai para a partida sem desfalques, com time completo. Já o Uruguai chega para o jogo com mais um desafio, que é superar o forte sistema defensivo francês sem Cavani, que saiu machucado do jogo contra Portugal, e já foi vetado para o resto da Copa.

Brasil x Bélgica

Confronto com um tanto de história, a última partida entre Brasil e Bélgica foi em 2002, na campanha do penta, com uma vitória brasileira cheia de reclamações de arbitragem, e no jogo mais difícil que o time de Felipão enfrentou na Copa daquele ano. Se o Brasil chega com uma clara evolução do seu futebol, a defesa menos vazada dos últimos 25 jogos enfrenta um dos melhores ataques da Copa, e uma das seleções mais ofensivas desse torneio. O craque belga Hazard já disse que essa Bélgica e seu futebol "pra frente" estão "mais maduros" do que o time que decepcionou em 2014. E definitivamente são um time mais forte do que o que enfrentou o Brasil em 2002. Mas é o tipo de jogo que o técnico Tite gosta: aberto, com o adversário buscando jogo, e o Brasil no contra-ataque. Prato cheio pra Neymar, Coutinho e Willian, e até quem sabe, Douglas Costa, que volta a estar apto para jogo depois de se lesionar no início da Copa. Marcelo também deve voltar, e assim o Brasil ganha um nome bem mais forte do que Felipe Luís na defesa, mas principalmente quem ganha é Neymar, tendo mais um jogador de muito mais qualidade técnica para o jogo ofensivo pelo lado esquerdo.

Croácia x Russia

Unico confronto sem nenhum campeão mundial, talvez seja o jogo mais zebra dessa fase. Afinal poucos esperavam que Russia fosse tão longe, e que a Croácia chegasse a uma quartas-de-final sendo cotada como possível finalista da Copa. Por isso também, talvez seja o jogo mais difícil de prever, mesmo sendo claro que o time croata, com Modrić, Rakitić, Ivan Perišić e Mandžukić, é muito superior tecnicamente do que os donos da casa. Sem grandes estrelas, a tendência é vermos um time russo fechado, tentando impedir a ação do meio campo croata, que no 3x0 contra a Argentina mostrou muito bem como pode bagunçar defesas. O principal destaque do jogo é Modrić, meio campo do Real Madrid, que vem conduzindo o time da Croácia até aqui.

Suecia x Inglaterra

Para a tristeza da maior parte dos sulamericanos o bem montado time sueco não vai jogar com a Colombia de Cuadrado e Falcão Garcia, e sim com o quadrado time da Inglaterra. A audácia de Jan Andersson, treinador sueco, em não levar o estrelismo individualista de Ibrahimovic para a Copa, lhe rendeu os frutos de um time que, sem nenhuma grande estrela, joga um futebol coletivo que já se mostrou perigoso, como no 3x0 contra os mexicanos, ou até mesmo na derrota contra a já eliminada Alemanha. Já os ingleses seguem na eterna busca pós Copa de 1966, de chegarem novamente numa final de Copa do Mundo para provar que são uma seleção "com camisa", tradicional no futebol mundial, e contam principalmente com o faro de gol do até então artilheiro da competição, Harry Kane. Desde 1990, na Copa da Itália, os ingleses não chegam numa semifinal.




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