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Racismo no Metrô de SP rompe a importante aliança entre trabalhadores e usuários

Em meio a intensa polarização pela qual o país atravessa frente as eleições que evidenciam o crescimento da extrema-direita no país com Bolsonaro como um forte candidato a presidência, casos de racismo acontecem no metrô de SP.

quinta-feira 11 de outubro| Edição do dia

Em meio a intensa polarização pela qual o país atravessa frente as eleições que evidenciam o crescimento da extrema-direita no país com Bolsonaro e a bancada de seu partido, PSL, quintuplicando na Câmara, casos de racismo acontecem dentro do metrô de SP, refletindo o processo de fortalecimento e encorajamento de setores de extrema direita que vem atuando cada vez mais abertamente.

Nas últimas semanas circulou através de grupos de WhatsApp, internet e até alguns programas de tv vídeos de uma briga entre imigrantes nigerianos e uma camaronesa e seguranças na estação república do metrô de São Paulo. Segundo relatos de funcionários o que motivou a briga foi o uso indevido de um bilhete único. Em certo momento do vídeo um segurança se refere a uma mulher negra chamando-a de faxineira e mandando ela pegar uma vassoura para limpar o chão.

Na semana seguinte setores do movimento negro e do movimento de imigrantes realizaram uma manifestação na mesma estação protestando contra a ato de racismo e pedindo a demissão de dois dos seguranças envolvidos no conflito.

Na última semana, em uma das divisórias do banheiro público da estação São Bento, é pixado os dizeres “Bolsonaro 17 Morte aos Negros” onde o “s” de Bolsonaro é substituído por uma suástica, símbolo do regime nazista.

Esses casos não acontecem por acaso, e sim são motivados e fortalecidos pela expressiva votação de Bolsonaro que traz a tona de maneira escandalosa o que há de mais racista, machista e homofóbico na burguesia brasileira, naturalizando em cadeia nacional seu discurso de ódio.

Os trabalhadores não podem tolerar o racismo em suas fileiras, nem tampouco naturalizar e manifestações e atitudes racistas. O racismo, que no Brasil foi a base do primeiro modo de produção responsável por enriquecer nobres e depois burgueses, o escravismo, hoje continua dividindo os trabalhadores, quando constatamos tanto as enormes discrepâncias salarias entre negros e brancos e a ocupação dos piores postos de trabalho pela classe trabalhadora negra. A burguesia precisa do racismo para manter uma margem adicional de lucro sobre o trabalho negro, por isso não tem interesse em combate-lo, muito menos reconhecer que ele existe.

O racismo, parte constitutiva da ideologia burguesa, também cumpre a função de dividir os trabalhadores, pois quando um trabalhador assume uma postura racista, perde a capacidade de ver no trabalhador negro, um irmão de classe.

No contexto atual de fortalecimento da extrema direita que promete atacar com mão de ferro os trabalhadores e descarregar ainda mais o peso da crise nas costas dos negros, das mulheres e dos LGBTs, utilizando essas ideologias para criar um estranhamento entre os próprios trabalhadores, temos que mais do que nunca combater esse preconceitos que são uma enorme barreira para que nossa classe se unifique para combater o avanço do golpismo que agora vem de braços dados com os militares herdeiros da ditadura.

O metrô de São Paulo procedeu com punição administrativa para três dos
seguranças envolvidos na ocorrência. Mas os casos de racismo institucional na empresa ao respaldar a política de terceirização, onde a maioria das trabalhadoras e trabalhadores são negros e ganham 3 vezes a menos que um funcionário efetivo, e ao demitir funcionário por racismo como foi o caso do funcionário Valter Rocha, segue como marca estrutural da empresa.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte




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