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Racismo na UFJF: seguranças apontaram arma a um homem acusado de roubar o próprio carro

Reproduzimos nota que denuncia um caso de racismo ocorrido na Universidade Federal de Juiz de Fora no mês de junho. Seguranças da guarda patrimonial terceirizada, contratada pela Reitoria da universidade, abordaram o pai de uma aluna, homem negro, apontando armas de fogo e acusando-o de roubar o próprio carro.

segunda-feira 3 de julho| Edição do dia

Confira a nota na íntegra abaixo e acesse a petição clicando aqui:

Na noite de sexta‐feira, dia 02 de junho de 2017, I.R. esteve no Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora acompanhada por seu pai. O pai levou‐a até a unidade de carro zelando por sua segurança, tendo em vista a movimentação de pessoas quase inexistente do local e os cachorros que ali ficam soltos. Na ocasião, trajava um capuz para se proteger do frio e tinha um berimbau em mãos, para espantar os cachorros, caso avançassem. O carro foi estacionado na lateral do IAD – UFJF (Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora), em uma das primeiras vagas, em frente ao poste de luz.

Após deixar a filha no interior do prédio, W. O. retornou ao carro sozinho para aguardá‐la. Quando I.R. retornou ao estacionamento, presenciou a seguinte cena: o carro de seu pai estava cercado por seguranças armados que chamavam reforço sob a alegação de suspeita de roubo do veículo. Poucos momentos depois chegou uma viatura com mais guardas. Os ânimos só se acalmaram quando I. R. se identificou como estudante, porém, anteriormente, seu pai sozinho não teve a oportunidade de se explicar sendo tratado como um bandido. As violências não pararam por aí: quando I. R. e seu pai pediram para registrar um Boletim de Ocorrência interno, os guardas patrimoniais se recusaram a fazer alegando que naquele horário não existiam funcionários disponíveis para fazer o registro.

A Universidade Federal de Juiz de Fora foi acionada por meio da ouvidoria da Diretoria de Ações Afirmativas e a Diretoria de Segurança, porém, a situação tem sido tratada com descaso. Gestores da instituição responsabilizam o despreparo da guarda patrimonial e se recusam a assumir se tratar de racismo estrutural o que demanda aplicação das políticas de segurança para a diversidade, previstas no plano de desenvolvimento institucional.

Diante da situação acima exposta, questionamos à administração da Universidade Federal de Juiz de Fora: por que seguranças patrimoniais fazem uso de armas de fogo? Qual o tipo de treinamento ofertado? Pessoas negras podem realmente se sentir seguras no campus?

O fato relatado não é acontecimento isolado, mas expressão de racismo institucional. Sendo assim exigimos que:

1. Este relato seja levado ao Fórum de Segurança da Universidade que, conforme a resolução 21/2016, artigo 2º incisos II, III e IV deve acompanhar permanentemente as condições de segurança no campus levando em conta os depoimentos de membros da comunidade.

2. Seja convocada reunião extraordinária deliberativa do Fórum de Segurança da UFJF (artigo 4º, resolução 21/2016) para a construção de políticas de segurança institucional em bases antirracistas e atentas para a diversidade sexual e de gênero, com a participação de especialistas, movimentos sociais e comunidade.




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