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1º SEMINÁRIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E VULNERABILIDADES

Racismo, encarceramento e preconceito é tema de seminário internacional

1° Seminário Internacional Juventudes e Vulnerabilidades debate encarceramento em massa e as condições precárias que levam a morte milhares de jovens.

quarta-feira 7 de junho| Edição do dia

Reunidos no auditório da faculdade de direito da Universidade de São Paulo (USP), ativistas do movimento negro, movimentos sociais de cultura e da violência policial, deram início ao Seminário sobre Homicídios, Encarceramentos e preconceitos, que terá duração de 3 dias.

Neste primeiro dia foram discutidos o juvenecídio nas Américas, com a presença de com os Profs. José Manuel Valenzuela Arce e Alfredo Nateras, do México, Prof. German Munhoz, da Colômbia, o ativista do Black Lives Matter Kleaver Cruz, dos Estados Unidos, além de Samara Vitória da Cruz e Marisa Feffermann, do Brasil. Nesta mesa foram debatidas as estatísticas e realidade dos jovens nas Américas, com destaque ao genocídio negro.

Na mesa da tarde foi discutido a cor dos homicídios, com a presença de Elizeu, da tribo Guarani Kaiowá, o Prof. Dr. Deivison Mendes Faustino, professor da Unifesp da Baixada Santista, o ativista do Black Lives Matter Kleaver Cruz, dos Estados Unidos, as ativistas Débora Silva e Jurema Werneck. Nesta mesa foi debatido o genocídio no Brasil, entre as populações negras e indígenas, além das estratégias e articulações do movimento social contra o assassinato sistemático de negrxs e indígenas.

A última mesa foi sobre os meios de comunicação como fomentadores de medo e do racismo e os movimentos de resistência. Nesta mesa estiveram presentes Douglas Belchior, da Uneafro, Prof. Dennis de Oliveira, do coletivo Quilombação, Juliana Gonçalves, da rede Brasil de Fato e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e Jesus dos Santos, no Movimento Cultural das Periferias. No intervalos das falas houveram algumas intervenções artísticas, que visaram ressaltar a importância da cultura negra como bastião da resistência contra o Racismo. Uma das falas mais aplaudidas foi a do professor Dennis de Oliveira, que escancarou o papel da midia racista e que encerrou com uma provocação a frente pela Diretas Já, que em sua foto oficial mostrasse um espaço amplamente branco:
“Não é possível uma esquerda que não seja preta e que siga excluindo 54% da população preta”.

Nesta mesa foi destacado também a ausência de jornalistas negros nas redações e acima de tudo da hegemonia das elites brancas como detentoras dos meios de comunicação e das 5 famílias donas dos principais canais da televisão aberta, que pertencem a família tradicionalmente brancas, ligadas a ditadura militar ou às igrejas evangélicas.

Houve também uma importante fala de Juliana Gonçalves, que destacou a importância da ausência do recorte racial faz com que o preconceito também ocorre como forma do silenciamento das narrativas negras. Pelo contrário, o que ocorre é uma narrativa na qual o jovem negro é sempre o violento, o criminoso, o marginal. Juliana também destacou a figura de Luis Gama, chamando a atenção de que “As ideias de liberdade não envelhecem e nem morrem”, e reivindicando a figura deste importante rábula e abolicionista. Sua fala de encerramento chamou a unidade das negras e negros na luta contra o racismo, colocando que

“Palmares não pediu licença para acontecer, e nós também não devemos pedir”.

A atividade, que ainda conta com dois dias de atividades, foi encerrada com uma apresentação do Bloco Afro Ilu Obá de Min.




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