Gênero e sexualidade

FUTEBOL DE MULHERES

Quem tá em casa hoje é meu marido, e eu vim aqui jogar bola

terça-feira 30 de junho de 2015| Edição do dia

Trabalhadoras de várias unidades da USP estão esta semana se preparando para o torneio de futebol inter-categorias impulsionado pelo Movimento Nossa Classe e pelo portal Esquerda Diário. Com times do Hospital Universitário, Prefeitura, Creches e outras unidades, as mulheres trabalhadoras mostram como unir a luta com a alegria e o lazer, usando o esporte e o futebol como espaço de auto-organização das trabalhadoras. E contrariando as estatísticas e o machismo presente no futebol, as mulheres da USP mais uma vez estão na linha de frente. Veja os depoimentos após os treinos.

"O futebol é só uma desculpa, está nascendo um grupo de guerreiras"
Acho legal falar sobre este grupo de guerreiras que está nascendo. O futebol é só uma desculpa. Você tem idéia do quanto isto significa? Janete, trabalhadora do Hospital Universitário

"Na alegria e na luta, vamos ampliando as amizades"
Tô achando muito gostoso. Nunca joguei bola, a Nani chamou a gente e viemos brincar. Eu acho que a gente se conhece, na greve é uma coisa, você não vê todo mundo, não sabe de todo mundo, eu não sabia que a Diana jogava futebol. Acho que a gente vai ampliando as amizades, a luta tá aí também né, na alegria e na luta. Isabel, trabalhadora da Creche Oeste

"Quem tá em casa hoje é meu marido, e eu vim aqui jogar bola"
Acho que as mulheres estão nessa tripla jornada, e você sair dessa tripla jornada e fazer uma outra coisa, bacana, que reune, eu deixei filhos e deixei tudo e vim hoje aqui eu acho que isso que é bacana. A gente fica meio que ligado nesta rotina de não quebrar, e quando a gente quebra é bom. Quem tá em casa hoje é meu marido, e eu vim aqui jogar bola, acho que isso é bacana acontecer. Sônia, trabalhadora da Creche Oeste

"Um momento de descontração onde esquecemos os chefes"
Eu acho que é um momento muito importante onde as pessoas não somente treinam, a maioria não faz isso na sua rotina, mas é um momento de integração onde as pessoas se conhecem tem aqui a interação entre Creche, HU, Prefeitura, FFLCH, Educação, várias unidades, um momento de lazer, descontração, esquecemos os chefes, o trabalho, a família e sai todo mundo feliz sorrindo com os hormônios liberados, você chega em casa deita dorme relaxa e nem pensa nos problemas. É um momento festivo, não chega a ser um treino, é um momento de descontração. Daniela, trabalhadora da Prefeitura da USP

"Há uma importância política de organização autônoma das trabalhadoras"
Todas já são vitoriosas em participar. Há uma importância política de organização autônoma dessas mulheres trabalhadoras. Nani, trabalhadora da Creche Oeste

"São as mulheres trabalhadoras unidas, sem patrões, é um momento nosso"
Estou adorando participar, nunca tinha jogado futebol e tem sido uma alegria encontrar todas estas companheiras em um momento de lazer. Estou vendo várias trabalhadoras enfrentando a dupla jornada de trabalho e se sentindo fortalecidas por esse grupo, lutando não somente pelas condições de trabalho, mas pela alegria, pela diversão. Estamos nos preparando pra um torneio, mas é um torneio de solidariedade entre trabalhadoras e trabalhadores, somos nós, mulheres trabalhadoras unidas, sem os patrões e as chefias. É um momento nosso. Bárbara, trabalhadora do Hospital Universitário

"Temos que continuar e formar um time da gente"
Nunca joguei mas estou achando muito bacana e muito divertido, o entrosamento de todo mundo e a diversão das meninas está sendo super bacanas. Essas relações vão fortalecer a gente na luta, a gente fica mais fortalecida quando tem essas parcerias, mesmo na luta, na diversão. Eu acho que a gente tem que continuar e formar um time da gente. Luzia, trabalhadora da Creche Oeste

"Um futebol sem opressão"
Muitas vezes o futebol é algo competitivo, incentivado por empresas, pela busca do lucro. Já joguei em alguns lugares onde o ambiente era hostil. Aqui não tem nada a ver com isso, podemos errar, podemos perder. Somos todas trabalhadoras. É um futebol sem opressões, sem os padrões impostos pela sociedade, sem a busca pelo lucro. Aqui o critério é a amizade e a solidariedade de classe. Patrícia, trabalhadora da FFLCH

"É uma possibilidade de fazer uma atividade física pra quem nunca fez nada"
Tô achando que é uma possibilidade de uma atividade física pra quem nunca fez nada e a possibilidade de termos um time mesmo. Tô me divertindo. Sheila, trabalhadora da Creche Oeste

"Me propus a treinar as meninas pela integração"
Eu gosto e acho legal. Acho que vale a dedicação das meninas. Estou aqui pra tentar ajudar. Me propus a ajudar pela integração do pessoal, estar junto, trocar idéias, momento pra conhecer pessoas novas. Ezequiel, trabalhador da Prefeitura da USP e "técnico" dos times femininos

"É como uma segunda infância melhorada"
Pra mim tá sendo ótimo porque to conhecendo pessoas que eu conhecia de vista na greve, to conhecendo melhor o pessoal da Creche por exemplo. Fazia muitos anos que eu não jogava futebol, eu jogava futebol na adolescência, estava até conversando com um outro funcionário da USP outro dia e de uma certa maneira as experiências que a gente vem tendo depois da greve com as pessoas e redescobrir um certo lado de lazer, integração, solidariedade, é como uma segunda infância só que melhorada, valorizando uma série de atividades prazerosas que a gente não se dedicada muito a elas, pois sempre ficamos com as preocupações do trabalho tomando a frente. Amanda, trabalhadora da Prefeitura da USP

"Os momentos de diversão não são somente pros maridos e filhos"

O meu depoimento é pra agradecer por ter conhecido várias pessoas legais e bacanas, várias mulheres de várias unidades da USP que eu não conhecia. Não trabalho na USP mas por acompanhar a greve conhecia algumas pessoas, e agora conheci mais gente, as meninas e os meninos que estão treinado a gente. Conhecer mulheres brutais. Fico ouvindo durante o treino, uma companheira no primeiro treino disse que o marido ligou e ela respondeu que estava no treino. Hoje de novo ela disse que a filha dela ligou e ela respondeu que estava no futebol. É muito louco, a gente não percebe, mas estes momentos de diversão, conhecer outras pessoas, não está destinado somente aos nossos maridos e filhos, também podemos se apossar disso, também podemos ter um time de futebol, e os maridos vão ter que ficar com os filhos, fazer a janta. Também temos o direito de se divertir. Por eu não ser da USP e estar me enturmando, agradeço também. Temos que se apoderar desse divertimento. Jaciara, trabalhadora do telemarketing

"O futebol une as pessoas do nosso próprio local de trabalho"
Eu tô achando legal porque eu acho que o futebol une as pessoas. A gente tem que jogar como uma equipe, então todo mundo interage. É legal porque você conhece pessoas de outras unidades que você não tem contato, e mesmo as que pessoas com quem você trabalha, você interage de uma forma diferente, conhece melhor a pessoa fora do ambiente de trabalho. Márcia, trabalhadora da Prefeitura da USP




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