Política

LAVA JATO

Quem não apareceu na lista de Fachin está desprestigiado, diz Paulinho da Força

Paulinho da Força debocha da Lava Jato. Até que ponto os citados na investigação temem o processo, que enfileira uma longa lista de nomes, porém poucos desfechos. A seletividade do Judiciário, disputas internas entre os diferentes interesses da instituição, e atritos com o Legislativo são obstáculos a investigação. “Não tem clima de problema, não, o pessoal está até brincando: Você está na lista? Você está na lista?”

Gabriela Farrabrás

São Paulo | @gabriela_eagle

quarta-feira 12 de abril| Edição do dia

O papel que o deputado Paulinho da Força cumpre a frente da Força Sindical já é absurdo há tempos e se torna ainda mais frente as últimas ações e declarações de Paulinho da Força que vem utilizando uma central sindical para conter e trair a classe trabalhadora freando qualquer tipo de mobilização rumo a construção da greve geral do dia 28.

Paulinho da Força é alvo de duas investigações levadas a frente por Edison Fachin baseada nas declarações de Carlos Armando Guedes e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, ex-diretores da Odebrecht.

A primeira investigação se deve a 1 milhão de reais que teria recebido da empreiteira para sua eleição de 2014 em troca de favores indevidos. A mais recente investigação parte da acusação de pedido de repasse para as eleições de 2010 em troca de ajuda na solução de problemas na obra RNEST e nas usinas hidrelétricas do rio madeira.

Referente a primeira investigação Fachin relata na abertura do inquérito que “Tal pagamento se dava como contrapartida ao apoio político do referido parlamentar em função da greve ocorrida na Embraport em Santos/SP e a invasão que a sede do grupo empresarial sofrera no ano de 2013.”

Mas contrariando o que se podia esperar, os parlamentares em Brasília não estão perdendo o sono com a Lava Jato. Paulinho da Força, apelidado de “Boa Vista”, “Força” e “Forte” nas listas da Odebrecht, afirmou essa verdade dizendo que os políticos presentes na lista de investigações das delações dos ex-executivos da Odebrecht não trará consequências ao congresso.

O deputado seguiu afirmando “quem tem de estar preocupado é quem não saiu na lista” e complementou “quem não apareceu está sendo considerado desprestigiado”. Se essas acusações já são absurdas por si só e chocam a população Paulinho da Força ainda foi além e afirmou para encerrar: “Não tem clima de problema, não, o pessoal está até brincando: Você está na lista? Você está na lista?”

O que fica claro a partir das declarações de Paulinho da Força é que a corja de políticos da sua estirpe, acostumados a estarem contra a parede e negarem cinicamente, não temem até o final a Lava Jato. Eles compreendem as limitações do processo, que se perde nas mais diversas fases, nas disputas de interesses do próprio Partido Judiciário, que não sabe até aonde levar o processo, e por consequência até onde desestabilizar o governo Temer. A verdade é que os delatores da Odebrecht, executivos e capitalistas que lucraram bilhões com os esquemas de propina e corrupção, tem seus crimes relevados, no máximo ficando confinado em imensas mansões com tornozeleiras eletrônicas.

Nenhuma investigação levada adiante pelo judiciário, em particular os incrivelmente privilegiados juízes do STF, com salários de dezenas de milhares de reais e privilégios vitalícios, poderão combater efetivamente os desmandos dos capitalistas. Eles não respondem aos interesses dos trabalhadores, mas apenas a seus interesses privados. É necessário lutar por uma assembleia constituinte que seja colocada de pé pela luta dos trabalhadores, que possa dissolver esses poderes desse regime político apodrecido, e debater efetivamente os problemas do país. Pra impor que todo político tenha o salário de uma professora, o cargo revogável, e que todos os juízes sejam eleitos. Precisamos lutar por um governo dos trabalhadores, só assim atenderemos os interesses do povo pobre e de nossa classe.




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