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RACISMO

Quem era a dona desse BMW? O caso Kamilah Brock.

Rebeca Moraes

Coordenadora do CACH - Unicamp

sexta-feira 18 de setembro de 2015| Edição do dia

Kamilah Brock, uma mulher negra estadunidense, foi abordada por um policial no farol de um cruzamento, pelo simples fato de não estar com as mãos no volante de seu carro, uma BMW. Na verdade este é o argumento oficial, mas sabemos bem as reais causas de Kamilah ter sido levada à delegacia, e ter passado horas lá, mesmo sem nenhum tipo de acusação contra si.
Depois de ser liberada, foi reaver seu carro que fora apreendido. O policial responsável pela devolução dos veículos considerou que uma mulher negra não poderia ser dona de uma BMW, e a levou, contra sua vontade, a uma clínica psiquiátrica. Kamilah passou 8 dias sendo sedada, diagnosticada com Transtorno Bipolar por dizer que aquele carro era seu.

Este caso, assim como vários outros abusos sofridos pelos negros cotidianamente, evidencia que o racismo está permeado no imaginário geral, e mais do que isso, escancara o racismo institucional. A violência sistemática a que estamos submetidos enquanto pessoas negras é um reflexo da própria sociedade racista com herança escravocrata em que vivemos. É revoltante saber que este é só um dentre tantos casos que acontecem diariamente com pretos e pretas, que sequer têm seus gritos ouvidos. A Polícia é a instituição racista treinada para caçar o povo preto, assim como o faziam os capitães do mato. Somos vistos como uma ameaça. É preciso exigir o fim da polícia, pois ela é a verdadeira ameaça. Só nós podemos nos proteger com auto-organização.
Além disso, não importa se um, ou alguns de nós ocupam cargos de destaque ou de poder. Devemos lembrar que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é negro e isso não impediu que Kamilah fosse vítima do Racismo do Estado que ele comanda. Sem a subversão completa desta sociedade, jamais seremos tratados como iguais. Nem mesmo acessando os produtos e lugares reservados a elite seremos respeitados, e podemos citar diversos episódios, como o da estudante de Saúde Pública, barrada quando tentava entrar na Faculdade de Medicina da USP. Ter uma carteirinha de umas das mais prestigiadas universidades da América Latina não conferiu a ela distinção. A nossa cor nos confere estereótipos que não criamos, mas que nos perseguem. Somos sempre as babás, as ladras.

A resposta a toda essa repressão, às injustiças e ao racismo precisa ser coletiva. Querer o fim do racismo significa necessariamente acabar com o capitalismo, que aprofunda a segregação de negros e negras. No Brasil, em especial, significa acabar com a exploração de toda uma classe de trabalhadores que são negros e negras.
Tomemos os exemplos de luta e combate de povo preto! Que a fúria negra ressuscite outra vez!




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