Gênero e sexualidade

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Que as estudantes da UFMG tomem as ruas nesse dia 8 pelo direito ao aborto no Brasil

Uma maré verde estremece a Argentina em luta pela legalização do aborto e tem mostrado às brasileiras qual é o caminho para conquistar esse direito. Nós, estudantes da UFMG, precisamos tomar as ruas de Belo Horizonte no próximo dia 8, em solidariedade às argentinas e para que o aborto também seja lei no Brasil.

Maria Eliza

Estudante de Ciências Biológicas na UFMG

terça-feira 7 de agosto| Edição do dia

Na próxima quarta feira, dia 8, será votada a legalização do aborto no senado argentino e haverá manifestações nas principais cidades da América Latina e ao redor do mundo. Em BH o ato acontecerá às 18h, na Praça Sete.


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Mas a decisão do resultado dessa votação será nas ruas, assim como foi com a aprovação no congresso, que só foi possível, por uma pequena diferença, devido à força da luta das argentinas nos locais de trabalho e estudo, e tomando as ruas aos milhares de mulheres e homens de todas as idades com seus lenços verdes.

No Brasil ocorrem mais de 500 mil abortos clandestinos por ano, 1300 por dia, 57 por hora, quase 1 por minuto. O aborto, mesmo criminalizado e ilegal no Brasil, é uma realidade na vida das mulheres. 1 a cada 5 mulheres aos 40 anos já abortou. 4 mulheres morrem por dia em decorrência de abortos mal sucedidos. A maioria das mulheres que morrem são mulheres trabalhadoras, pobres e negras. Somente no Rio de Janeiro 43 mulheres estão sendo processados por terem recorrido ao procedimento clandestino do aborto. Enquanto isso as clínicas privadas lucram com a clandestinidade. Estamos falando não somente do direito de decidir, mas também de um tema de saúde pública.

Tanto lá como aqui, as cúpulas das Igrejas, que se utilizam da fé individual da população, ao lado das bancadas conservadoras vem há anos impedindo que este direito elementar das mulheres possa ser legalizado. Aqui no Brasil os bispos acobertam padres pedófilos mas supostamente defendem a "vida" enquanto milhares morrem por abortos clandestinos.

Dos principais candidatos à presidência, a maioria é contrária à legalização do aborto, como Álvaro Dias (Podemos), Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (Novo). Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (REDE) fazem demagogia dizendo que não seriam eles a ter poder de decisão.

O PT, com Lula (preso arbitrariamente) ou Haddad, deverá repetir o que fez nos seus anos de governo: não legalizar o aborto, junto a sua vice do PCdoB, Manuela D’Ávila, que foi base do governo do PT durante 13 anos.

A UFMG é um espaço em que frequentemente se discute a situação dos abortos induzidos no Brasil, passando do movimento estudantil aos espaços institucionais. É preciso não apenas que coloquemos todo o acúmulo construído na universidade acerca desse tema a serviço das trabalhadoras e mulheres pobres e negras que pagam com a própria vida por abortos clandestinos, mas também que, sobretudo nesse momento, tomemos as ruas pelas vidas e escolhas de todas nós, fazendo como as argentinas.

E para que a UFMG participe ativamente dessa luta, as entidades estudantis, começando pelo DCE, devem cumprir com o seu papel de organizar as e os estudantes em reuniões e assembleias, para que decidamos democraticamente a partir de vivas discussões os passos da nossa participação nesse movimento, o que já deveriam estar fazendo rumo ao dia 8.

Com as estudantes à frente o movimento estudantil da UFMG pode voltar à linha de frente da resistência aos ataques de uma direita que avança junto a Temer e ao judiciário desde o golpe sobre os direitos dos trabalhadores e da juventude, em especial das mulheres, negros, indígenas e LGBTs. Agora também teremos que lutar contra os cortes na educação e com a ameaça de cortes de bolsas da CAPES.

Desde sexta-feira passada (3), tem se discutido no STF a ADPF 442 protocolada pelo PSOL, que é um mecanismo jurídico para discutir a descriminalização do aborto (que é diferente da legalização, pois não impediria que as mulheres deixassem de morrer por abortos clandestinos, já que o procedimento não seria gratuito nem seguro, vitimando justamente as mulheres pobres e negras). Não podemos ter nenhuma confiança no STF e neste judiciário que ainda hoje persegue as mulheres que abortam no nosso país. Apenas fortes mobilizações serão capazes de conquistar o direito elementar do aborto legal, seguro e gratuito, e o PSOL deveria colocar todo o seu peso parlamentar e sua visibilidade de massas a serviço de promover grandes lutas no Brasil como fazem as argentinas.

Por isso, desde o Grupo de Mulheres Pão e Rosas, convocamos todas e todos os estudantes e se juntarem a nós nessa luta indo à manifestação pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito e seguirmos exigindo que o DCE, DAs e CAs organizem a luta pela base com assembleias, paralisações e manifestações.




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