Economia

CRISE EM SÃO PAULO

Quase 2 milhões de desempregados na Grande SP, queda atrás de queda em diversos setores da economia

Os dados econômicos divulgados hoje sobre os primeiros meses do ano mostram que o país segue em recessão econômica, a despeito das inciativas do governo Temer para recuperar a economia, favorecendo os empresários e atacando os trabalhadores. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada pela Fundação Seade e pelo Dieese, a região metropolitana de São Paulo registrou taxa de desemprego de 17, 9% em fevereiro, o maior nível para o mês desde 2005.

quarta-feira 29 de março| Edição do dia

O número absoluto de desempregados foi de cerca de 1,9 milhão de pessoas em fevereiro contra 1,8 milhão em janeiro. Observando os setores, vemos que foram 42 mil vagas fechadas na Indústria de Transformação (-3,2%) e de 32 mil vagas nos Serviços (-0,6%).

Enquanto isso, vemos que quando há “melhora” esta se dá das formas mais precárias possíveis: no setor privado, cresceu o trabalho sem carteira de trabalho assinada (0,9%), enquanto que com carteira foram apenas ínfimos 0,3%. E elevou, ainda segundo a pesquisa, o número de trabalhadores autônomos (1,3%).

Ou seja, isso significa um aumento de pessoas em trabalhos mais precários. A realidade de trabalhos sem carteira é muito trabalho extra sem remuneração e ausência de direitos básicos, como férias, vale transporte, hora de almoço, planejamento de aulas (no caso de educadores), etc., para exemplificar o mínimo.

O trabalho autônomo está relacionado diretamente com o alto nível de desemprego, pois frente aos níveis mais altos desde 2005, muitos trabalhadores são pressionados a buscar outras formas de sobreviver, em situações altamente instáveis e precárias.

Quanto ao rendimento médio real, que é informado com defasagem pelo Seade/Dieese, houve queda de 3,7% para aqueles que estavam empregados entre dezembro e janeiro, para R$ 1.974. A massa de rendimentos reais também teve recuo, de 5,2%.

Setor de serviços segurou durante um tempo, mas não segura mais

Há dois anos a indústria entrou em crise enquanto o setor de serviços mantinha-se estável. Hoje, este setor importantíssimo para a economia também começou a ceder.

Também o IBGE divulgou nesta quarta-feira (29/03) que o setor de serviços brasileiro iniciou 2017 com as maiores perdas dos últimos cinco anos, com redução em quase todas as atividades. O volume de vendas do setor despencou 7,3% em janeiro, comparado com o mesmo período de 2016. Só na comparação com dezembro do ano passado, a redução é de 2,2%.

Assim, o setor de serviços começou 2017 com as maiores perdas desde 2012 em meio ao desemprego ascendente, ainda mais dentre a juventude.

O que pareceu um suspiro no setor de vendas em dezembro de 2016 (ganho de 0,7%) se vai como a história de que a crise no Brasil seria apenas uma “marolinha”, pois em janeiro esse mesmo setor já recuou 2,2%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Se compararmos com janeiro do ano passado, o setor de vendas registra queda ainda maior, de 7,3%.

Ainda de acordo com o IBGE, nem o turismo tem se salvado, pois o agregado especial das atividades turísticas apresentou recuo de 11%, após avanço ilusório de 3,1% em dezembro.

Demos um salto no patamar de retração dos últimos 12 meses: o que há um ano costumava ter uma queda de 5%, agora é 7%.

Esse olhar cotidiano do trabalhador para esses dados de nossa economia se faz imprescindível, já que o volume de atividades do setor de serviços – que envolve áreas tão distintas como crédito, saúde, educação, cabelereiros - representa mais de 60% do PIB brasileiro e 71% dos empregos e essas informações têm muito menos destaque na imprensa do que deveria.

E já que este texto começa falando sobre a taxa de desemprego na grande SP, é importante deixar claro que uma coisa tem total relação com a outra, porque o setor de serviços sofre diretamente o impacto do desemprego elevado. E esse déficit aumenta ainda mais o rombo das contas públicas do país atualmente.

Ou seja, somos e seremos nós trabalhadores cotidianamente a pagar o pato e não a FIESP e seus empresários ou Temer e demais golpistas.




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