“QUEIMADA” / POVO NEGRO / FILMES QUE VÍAMOS EM 1968 /

Quando o povo negro incendeia país: um bom filme para um grande debate

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 9 de agosto| Edição do dia

A história colonial de países como o Brasil ou o Haiti, apenas para citar dois exemplos, foi totalmente fundada no trabalho escravo.

Uma elite branca, portuguesa no nosso caso, que às custas de muito sangue, suor, tortura e lágrimas do povo negro, arrancado a ferros da África, levantou a riqueza, os palácios e a boa vida dos donos do poder.

Essa é a origem de um país, o Brasil, que sempre oprimiu, perseguiu, e discriminou o as massas negras, as mesmas que são espoliadas, nos nossos dias, nas periferias das grandes cidades, em prol da riqueza nacional da elite branca.

Agora pensemos em um país imaginário em um local da América Central dominado por Portugal e passemos a contar essa mesma história da forma como ela foi, na perspectiva do povo negro, oprimido, massacrado, traduza essa narrativa em forma de filme, pelas mãos de um diretor sensível [Gillo Pontecuervo] e, ao mesmo tempo, tentemos construir essa narrativa da forma mais didática possível, através da qual a estrutura do poder, da dominação colonial, do opressor britânico, mas também da rebelião dos de baixo apareça em todas as suas cores.

Teremos Queimada. O filme. Com trilha sonora marcante, de Ennio Morricone.

Este filme, datado de 1968 e mais atual que nunca, tem Marlon Brando em um dos seus grandes papeis no cinema. E além de que a película se identifica com o sofrimento do povo negro, explicita seu potencial revolucionário, sua dignidade na luta, também narra uma particular rebelião negra, contra portugueses e ingleses, cuja história se desenvolve sem qualquer concessão à elite branca opressora.
É uma aula de história em forma de filme.

Muito útil para o debate em sala de aula, em sindicatos e núcleos de ativistas sociais, em comunidades pobres, esse filme não decepciona ao apresentar uma versão dramatizada e envolvente da mecânica colonialista, da opressão de classe, de raça, uma mecânica diretamente conectada à luta atual do povo negro, no Brasil por exemplo.

Recomendamos.

O link abaixo remete para o filme tal como se encontra no youtube [com uma hora e cinquenta minutos], mas eventualmente, através de colecionadores, será possível conseguir uma cópia melhor:

https://www.youtube.com/watch?v=tQBHr8pjGXI

Se alguém, no entanto, deseja assisti-lo no celular/computador, está disponível aqui:




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