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Protestos na Armênia pedem a renúncia do primeiro ministro

Nikol Pashinyan é questionado por milhares nas ruas da capital, que pedem sua demissão aos gritos de “traidor”, condenando sua gestão do conflito bélico com o Azerbaijão

quarta-feira 24 de fevereiro| Edição do dia

As manifestações de massas contra Pashinyan haviam ficado fora de cena durante o duro inverno da Armênia, mas reacenderam neste sábado, com milhares de manifestantes tomando as ruas da capital, Ereván. A exigência para que o primeiro renuncie se intensificou na quarta-feira, com milhares de manifestantes e partidos da oposição organizando a terceira manifestação em uma semana por sua renúncia, devido à atuação no conflito de Nagorno-Karabaj, com o Azerbaijão.

Cordões policiais foram organizados para vigiar edifícios do Governo próximo à Praça da República, na capital, e os agentes de segurança acompanharam Pashinyan quando caminhava de um prédio a outro sob gritos de “traidor!”.

Um dia antes, os manifestantes, junto com partidos de oposição, marcharam até a Praça França, em Ereván, e bloquearam diversas ruas adjacentes, paralisando temporariamente o tráfego na área.

As manifestações seguem os protestos de novembro passado, que cresceram depois de Pashinyan firmar um acordo de paz, negociado pela Rússia, depois de seis semanas de um conflito que custou milhares de vidas, e, se viu como se cediam partes do território ao redor de Nagorno-Karabaj e o Azerbaijão.

A região montanhosa é reconhecida internacionalmente como terra do Azerbaijão, mas está sob controle de forças armênias e seus funcionários autoproclamados, respaldados pelo Estado, desde a guerra anterior entre ambos, que se concluiu com cessar-fogo em 1994, e 30.000 mortos.

As manifestações inexistiam durante um período, no profundo inverno da Armênia, mas reacenderam no sábado, com milhares de manifestantes tomando as ruas de Ereván.

“As ações de desobediência [civil] devem continuar, a cidade deveria paralisar de vez em quando”, disse Ayk Mamidzhanyan, membro do Partido Republicano da Armênia.

Mesmo com a pressão, Pashinyan se nega, até o momento, a renunciar. Ele defende o acordo de paz como uma medida dolorosa, mas necessária, que teria evitado que o Azerbaijão tivesse invadido a região de Nagorno-Karabaj.

Em uma aparente concessão aos manifestantes, Pashinyan levantou em dezembro a possibilidade de eleições parlamentares antecipadas neste ano. Porém, a aliança parlamentar “My Step” de Pashinyan pareceu dar para trás com a proposta no início deste mês.

Os protestos de segunda-feira eclodiram quando o Ministro da Defesa da Armênia, Vagharshak Harutyunyan, disse que o apís acolheria de bom grado a expansão de uma base militar russa em seu território e a chegada de mais tropas russas próximas de suas fronteiras com o Azerbaijão, devido o conflito de 2020.

Segundo o acordo de paz, que foi celebrado no Azerbaijão como um grande triunfo, a Rússia enviou cerca de 2.000 efetivos de manutenção de paz em Nagorno-Karabaj durante menos de cinco anos.

A Rússia também tem uma base militar de pleno direito, tripulada por cerca de 3.000 soldados na cidade armênia de Gyumri, próxima da fronteira com a Turquia, sob um pacto formal de defesa com a Armênia.
O conflito - que esteve também atravessado por disputas entre potências estrangeiras, como Turquia e Rússia - foi em grande parte um motivo para os governos de Azerbaijão e Armênia reorganizarem conflitos internos impulsionando o ódio nacionalista. No caso armeno, desde antes da guerra já se expressavam mobilizações contra o Governo por conta do cenário econômico. A derrota militar levou o país a uma situação ainda pior e levou uma crise política para Pashinyan.

Com informações do Al-Jazeera




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