Sociedade

JOÃO DORIA ATACA NOVAMENTE

Propaganda em uniforme escolar: Câmara de SP coloca crianças à venda

Sabe aquelas marcas que aparecem nos uniformes de jogadores de futebol? Elas vão começar a aparecer também nos uniformes das crianças atendidas pelo ensino municipal de São Paulo. Só que elas não vão ganhar nada com isso. Pelo contrário.

Leticia Parks

São Paulo

quinta-feira 14 de dezembro de 2017| Edição do dia

Nesta terça-feira, dia 12/12, a Câmara de Vereadores da cidade de São Paulo aprovou o projeto de lei que permite que empresas privadas coloquem suas logomarcas nos uniformes das crianças atendidas pelo Ensino Municipal da cidade. Para ter o direito de fazer isso, a empresa tem que ter realizado doações de qualquer ordem ao município.

O Projeto foi apresentado pela primeira vez em 2001, e segundo seu autor, o vereador Celso Jatene (PR), serve para incentivar que as empresas façam doações para os projetos de educação do município.

O movimento vai no sentido da venda da cidade que está fazendo o prefeito João Doria, que permitiu publicidade privada em banheiros públicos e está prometendo novas "parcerias" nesse sentido.

Se é que podem ser chamadas assim. Por parceria deveria-se entender a associação de pessoas ou projetos onde há troca. A verdade é que o bem público nessa suposta parceria só sai perdendo. Por trás de cada financiamento vêm interesses, como diz o velho ditado, "quem paga a banda escolhe a música".

Mas aí surge um nó que parece impossível de decifrar mas é perfeitamente legível para qualquer leitor atento. Sim, as empresas que vão dar doações para a prefeitura são as mesmas beneficiadas com dinheiro público nas tais dívidas internas pagas pelo governo federal, que já chegam a tomar quase 80% de todo o PIB. O que elas entregam para ganhar uma propaganda permanente nos uniformes das crianças é apenas uma parcela daquilo que o Estado já tinha entregue nas suas mãos. A pergunta que fica é: quantos uniformes (e muitas outras coisas) poderiam ser pagos se esses 77,5% viessem para educação, saúde, moradia?

Além disso as crianças serão obrigadas a carregar nas suas camisetas marcas como, possivelmente, JBS, Camargo Corrêa, Itaú, etc. Ou seja, empresas responsáveis por incontáveis e brutais casos de acidentes de trabalho, venda de mercadoria podre, entre outros escândalos, certamente serão agraciadas por essa "publicidade positiva" através de crianças que podem inclusive ser filhas, netos e futuros trabalhadores terceirizados e precarizados que perdem partes de seus corpos e a vida para empresas que estão estampadas em seus peitos.

Sem que elas ganhem nada com isso.




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