Educação

UNIVERSIDADES FEDERAIS

Programa Future-se eleva os cortes de Bolsonaro nas universidades, que correm o risco de parar

Não bastassem os cortes já anunciados, o governo ainda prepara mais ataques que podem chegar até ao pagamento de mensalidades, com o projeto Future-se, que será apresentado ainda essa semana.

terça-feira 16 de julho| Edição do dia

As universidades federais reduzem atividades com cortes do governo Bolsonaro e podem até parar no 2º semestre. A UFPR informou que as restrições afetam todos os benefícios de graduação.

A Universidade Federal da Bahia (UFBA), que tem R$ 48 milhões bloqueados, está funcionando em horário especial para economizar água e energia. Mais 300 bolsas de monitoria, de R$ 400, que seriam pagas a alunos no segundo semestre foram cortadas, além de cortes na limpeza da universidade.

Na UFMG, a professora da Faculdade de Educação da UFMG, Analise Silva, afirmou que as pesquisas ficarão absolutamente paralisadas com os cortes, uma vez que pra fazer pesquisa é necessário investimento em bolsas na pós e na graduação, materiais e instrumentos; assim como investimento naquilo que é o básico que é o discricionário, como o pagamento de luz, água. "O que governo diz que são custos menores não são menores, são essenciais", disse Analise.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o rombo orçamentário foi de R$ 114 milhões.

A Universidade Federal do ABC, os bloqueios deverão "comprometer fortemente" o funcionamento em 2020. A UFABC teve 30% dos valores bloqueados (R$ 15,4 milhões para custeio e R$ 6,9 milhões para investimento).

A federal do Amazonas (Ufam), que informa bloqueio de R$ 38 milhões, e prevê o pagamento de trabalhadores terceirizados e fornecedores só até este mês de julho.

A Federal de Santa Catarina (UFSC) informou que houve redução de verbas de custeio em 35% e também prevê cortes em trabalhadores terceirizados.

A Federal do Paraná (UFPR) informou que restrições não afetam apenas as bolsas de mobilidade, mas todos os benefícios de graduação - de iniciação científica ou extensão.

Todos esses cortes serão ainda mais nefastos com o programa de nome Future-se que o governo deve lançar essa semana. A essência do projeto de Weintraub é atacar as universidades cortando mais financiamento de pesquisas, congelando contratações e abrindo ainda mais as portas das universidades públicas para o setor privada, liberando inclusive que sejam cobradas mensalidades como forma de financiamento dos estudos.

Ou seja, o governo Bolsonaro aumenta os ataques à universidade e mostra seu ódio aos milhões de jovens que terão seus estudos comprometidos, em particular estudantes bolsistas e cotistas e trabalhadores terceirizados e em sua maioria negros, que são alvo privilegiado desse governo racista e servil aos interesses de um punhado de capitalistas, que no Brasil são herdeiros da casa grande.

Podemos derrotar esse governo reacionário e racista para que essa batalha seja um trampolim para fazer os capitalistas e seus governos reacionários pagarem pela crise acabando com a terceirização com a efetivação dos trabalhadores terceirizados sem necessidade de concurso, o fim do vestibular pra todo jovem poder estudar, assistência estudantil plena, mirando o lucro dos capitalistas para favorecer com esses lucros a maioria da população, deixando por exemplo de pagar a dívida pública que é fraudulenta, ilegal e ilegítima.

O movimento estudantil que mostrou sua força no 15M e no 30M pode voltar novamente à cena no retorno das aulas. Os DCE e entidades de base podem preparar um forte retorno das aulas com assembleias e exigir uma coordenação nacional das mobilizações estudantis contra esse governo reacionário e esses novos ataques. E batalhar para que as direções da UNE e da CUT e CTB parem de dividir as lutas como vem fazendo até agora, separando a juventude com a luta dos trabalhadores como fizeram com a Reforma da Previdência e os cortes, e que chamem um plano de lutas pra derrotar todos esses ataques.

Essa batalha a Juventude Faísca deu com centralidade no Congresso da UNE encerrado no dia 14/07, apesar da enorme burocracia da UJS e do PT que usam seus aparatos para conter a única saída possível contra esse governo e seus ataques.




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