Educação

PROFESSORES PARTICULARES

Professores da rede privada fazem ato no TRT contra ataque da patronal da educação

Os professores da rede particular de ensino de SP, que nas últimas semanas protagonizaram duas paralisações com forte adesão da categoria e amplo apoio ativo dos estudantes e da comunidade escolar, realizaram hoje um ato, que fechou duas faixas da Rua Consolação, e se dirigiram ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho).

terça-feira 5 de junho| Edição do dia

Na última semana, os professores haviam conquistado durante o dia de paralisação, na quarta (29 de maio), que se firmasse o acordo de Convenção Coletiva de Trabalho sem as alterações propostas pelos patrões do ensino e do sindicato patronal (o SIEEESP), com validade de um ano. As paralisações das últimas duas semanas batalhavam tanto pelo reajuste salarial, quanto também contra a retirada de direitos como a bolsa para filhos de funcionários das escolas, e o tempo de férias, que seria reduzido de 30 dias para 20.

O Sinpro, sindicato dos professores das escolas particulares, não organizou de maneira mais ampla os professores, principalmente nas escolas menores e médias. Enquanto isso, o sindicato da patronal, SIEEESP, e os patrões atacaram novamente, querendo alterar o acordo da Convenção, desmentindo que acatariam o acordo e pressionando o TRT. Diante disso, professores e estudantes voltaram a se reunir nas ruas hoje, em manifestação em frente ao TRT.

Um professor de uma escola particular que decidiu não se identificar, relatou a situação vivida nas escolas, com ameças de demissão e assédio moral por parte dos patrões: "A mobilização dos professores da rede particular deste ano é inédita por causa do seu tamanho, mas também (..) pela enorme perseguição e assédio que os professores sofrem nos locais de trabalho; Se muito se fala da heterogeneidade da categoria, de escolas de elite e escolas de bairro, escolas de família, algo que é democraticamente repartido entre todos é a perseguição e o assédio contra a liberdade de organização nos locais de trabalho.

A entrada do sindicato é vedada em muitas escolas, professores que trazem a discussão para a sala de professores, por meio de panfletos ou mesmo por meio de bate papo, são perseguidos, são punidos, são colocados de lado, e há uma previsão já de grande numero de demissões decorrentes da mobilização deste ano. Mas o mais importante é que a categoria se fortalece com sua organização. Isso não foi suficiente para frear nossa organização, então acredito que independente do nosso resultado aqui, que vai ser a vitória, essa é a nossa expectativa, que a gente vai conseguir manter a convenção coletiva, eu tenho certeza que os profissionais da rede particular a partir já são outra categoria, depois dessa mobilização já se transformam em outra categoria, vão ter um outro papel neste momento tão difícil que a gente está vivendo no país".

A expectativa dos professores é de conseguirem conquistar, por pelo menos mais um ano, o Acordo de Convenção Coletiva de Trabalho já firmado em 2016. Em reunião realizada no TRT na tarde de hoje (05), desembargador Fernando Álvaro Pinheiro fez uma nova proposta para assinatura de Convenção Coletiva.

Ela ainda precisa ser submetida à assembleia das escolas e à assembleia dos professores, que acontecerá amanhã às 18h, na sede do Sinpro. A assembleia do SIEEESP acontecerá mais cedo, durante a manhã, e o seu resultado interfere diretamente no rumo que pode tomar a mobilização dos professores e na decisão de aceitar ou não o acordo.




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