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Processadores programados para serem vulneráveis, Intel e outras empresas omitem informações

terça-feira 9 de janeiro| Edição do dia

Uma falha de projeto resultante da codificação dos processadores modernos por meio de execução especulativa, técnica usada para melhorar o desempenho de microprocessadores, expõe usuários de computadores e smartphones a um dos maiores ataques aos sistemas operacionais modernos. Isso ocorre porque os processadores não checam as permissões de segurança e acabam vazando os comandos especulativos, que não são rodados. Diferentemente do que se pensava há poucos dias, quando foi anunciado, o defeito não está somente nas CPUs da marca Intel, mas na maioria dos processadores modernos, como os feitos pela AMD e a ARM, presentes em grande parte dos smartphones.

E o que isso quer dizer na prática? Que os programas podem simplesmente “espiar”as partes protegidas da memória kernel, que deveria estar isolada dos processos do usuário para, justamente, prevenir esse tipo de ação e evitar a exposição de dados protegidos. Contudo, como foi descoberto, arquivos e senhas armazenados estão comprometidos em quase todos os dispositivos dos principais fabricantes. E como se trata de um problema de hardware, qualquer coisa que esteja rodando nos processadores está vulnerável, sejam programas, sejam os próprios sistemas operacionais, como o Windows, o Linux e Mac OS, além de alguns smartphones e tablets e serviços de computação na nuvem.

Foram identificados três tipos de vulnerabilidade: a Meltdown, que dá a um programa a capacidade de acessar a memória, e com isso os segredos, dos demais programas e também do sistema operacional; e a Spectre, que apresenta dois tipos de ataques e permite que um programa seja enganado e vaze informações sem a necessidade de causar erros.

As empresas, como sempre, estão mais interessadas em proteger seus lucros do que os dados dos usuários. O que se vê é que, no momento, direcionam seus esforços para manter sigilosos seus própios dados, disfarçar a gravidade do problema e evitar que a notícia se espalhe. Já se sabe que não há uma maneira de corrigir o Meltdown e o Spectre, mas uma forma de amenizar o problema em nível de sistema operacional, o que deve deixar as máquinas de 5% a 30% mais lentas. Ou seja, além de os seus dados estarem vulneráveis, há um considerável prejuízo no desempenho dos seus dispositivos. E o que é pior: para os modelos de smartphones e tablets mais antigos, não vai haver atualização, o que signifcia que as pessoas ficarão com seus dados vulneráveis a programas maliciosos até que troquem de aparelho.

Nesse sistema em que vivemos, no qual o lucro dos patrões é o principal, se não o único, objetivo, a privacidade dos dados da população é a última das preocupações.
Estamos sendo constantemente vigiados por essas mesmas empresas que querem nos controlar e nos vender produtos de consumo a qualquer custo. Além disso, para o capitalismo em sua versão moderna, data é poder, daí tanto investimento em métodos de ataque, espionagem e vigilância, bem como em ferramentas para prevenir essas ações. Na ponta mais fraca, estão os usuários, que têm suas vidas on-line e off-line devassadas e têm que gastar cada vez mais tempo e dinheiro para manter seus dispositivos e dados protegidos. Enquanto isso, as empresas e os governos capitalistas mantêm em sigilo assuntos que são de interesse de todos e investem rios de dinheiro na segurança de seus próprios dados, bem como em ferramentas para roubar informações dos concorrentes e dos governos de outros países.

Evidentemente a própria ocorrência de falha “inerente” ao processo aponta para um nova ocorrência de um velho fenômeno capitalista: ao passo que ocorrem as “obsolescências programadas” à “falhas inerentes” seja para abrir espaço para vigilância, para vender soluções dos problemas por elas criadas, ou simplesmente porque assim dava mais lucro. O potencial de desenvolvimento da tecnologia se vê cerceado pelos monopólios, da pesquisa à divulgação da informação. É o mais moderno da tecnologia mostrando os limites do capitalismo.




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