Política

CRISE

Principal colunista de economia do Estadão defende "indiretas já"

sexta-feira 19 de maio| Edição do dia

Até mesmo o jornal mais conservador do país, direitista como sempre e amigo do poder, o Estadão está "menos embarcado" na destituição de Temer que O Globo. Mas seu principal colunista de economia já se pronunciou hoje pela renúncia ou cassação e pelas "indiretas já". A preocupação do jornal é evidente: as reformas, atacar nossos direitos.

Celso Ming, principal colunista de economia do jornal Estado de São Paulo publicou artigo "O preço cobrado pelas lambanças e incertezas" onde afirma que a crise terá impactos na economia e que levarão a reverter a queda nos juros e na inflação. Preocupado, defende que seja encontrada uma saída: indiretas já.

Para o articulista enquanto não houver uma solução para a crise política a economia se deteriorá. "Durante um bom tempo, as projeções sobre o comportamento da economia estarão sujeitas a enormes dispersões. Como ninguém está em condições de saber qual será o encaminhamento a ser dado à crise, os prognósticos ficaram mais difíceis, a começar pela avaliação dos estragos."

Por isso é importante dar uma rápida solução. Para ele "o presidente Temer não convenceu de que é inocente, mas o áudio não é tão claro". Nesse impasse de um governo que não vai mais mas não renunciou, nem ainda emergiu um nome de consenso entre a elite para assumir a missão das reformas trabalhista e da previdência que a economia fica sem previsibilidade segundo ele. Surgiram nomes nas especulações, Rodrigo Maia, Carmen Lucia, Meirelles, FHC. Ele não se pronuncia sobre seu candidato, mas já deixa claro que é preciso rapidez e que sejam indiretas.

Ciente da imensa impopularidade de uma eleição conduzida pelo Congresso sua vontade de garantir os ajustes é maior. Conclui o artigo com sua defesa das indiretas: " A saída parece afunilar para eleição indireta para um mandato-tampão. Seria um presidente eleito pelos tais 300 picaretas do Congresso, mas é o barro que temos. "

O editorial do Estadão de hoje, muito crítico a Lava Jato e o impacto que ela causou na economia e na política não indica inequivocamente que estaria pela renuncia ou cassação de Temer, mas afirma também como sua posição é de indiretas já: "Resta demandar que a Constituição não seja rasgada ao sabor das conveniências daqueles que lucram com o caos."




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