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Primeiro-ministro do Líbano renuncia frente a protestos massivos contra ajustes do governo

Saad Hariri, primeiro-ministro do Líbano, anunciou nesta terça-feira (29) sua renúncia ao cargo após duas semanas de protestos massivos contra o plano de ajustes impostos pelo governo.

terça-feira 29 de outubro| Edição do dia

O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, anunciou nesta terça-feira (29) sua renúncia do cargo após enfrentar cerca de duas semanas de protestos sem precedentes da população libanesa em resposta às reformas neoliberais impostas pelo governo.

Em seu breve discurso, Hariri afirmou que chegou a "um beco sem saída" e declarou que iria apresentar sua demissão ao presidente Michel Aoun. "Há 13 dias, os libaneses estão esperando por uma solução política que freie a deterioração [da economia]. E eu tentei, durante este período, encontra um caminho de saída pelo qual escutar a voz da população".

Saiba mais: Depois de seis dias seguidos de protestos, greve geral no Líbano pela queda do governo

O levante dos libaneses teve início quando o governo, na busca de saldar sua imensa dívida pública, chegou a impor uma taxa sobre o uso do WhatsApp. Este foi o estopim para que a população saísse às ruas convocando uma greve geral, fruto de uma revolta acumulada há anos e a deslegitimação dos partidos tradicionais do regime. O regime sectário, com bases religiosas fundado como “consenso” para o término da guerra civil em 1990, chegou ao seu ponto limite e toda a energia do povo libanês foi colocada nas ruas.


Protestos massivos no Líbano já duram duas semanas. Foto: ANWAR AMRO (AFP)

O Líbano possui hoje uma das maiores dívidas públicas do mundo. As dívidas públicas, assim como no Brasil, são importante mecanismos de roubo das riquezas e recursos de um país por parte do capital financeiro. Um seleto grupo de bancos negociam dívidas e espoliam países ao seu bel-prazer, negociando seus títulos, aumentando seus juros. Para pagá-la, governos consomem grande parte do orçamento de seus países, avançam com privatizações e aprofundam, cada vez mais, as condições de vida dos trabalhadores.

A falência dos governos neoliberais e suas medidas que querem estancar a crise capitalista fazendo com que os trabalhadores paguem por ela, se mostra com a volta de grandes levantes de massas em todo mundo. Na América Latina, o Equador e o Chile, em particular este último que segue com manifestações de centenas de milhares exigindo a queda do atual presidente, Sebastian Piñera, mostram que para derrotar estes projetos miseráveis que querem nos impor é preciso colocar a força dos trabalhadores e da juventude nas ruas.




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