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Primeiro dia de Greve na USP com unificação entre trabalhadores e estudantes e tentativa de intimidação da reitoria

O primeiro dia de greve na USP foi marcado por fortes reuniões de unidade e assembleia estudantil que votou greve.

sexta-feira 13 de maio de 2016| Edição do dia

No dia 05 de maio, após forte paralisação, os trabalhadores da USP votaram greve por tempo indeterminado a partir do dia 12 de maio. A greve foi deflagrada contra o desmonte da universidade, o arrocho salarial, a desvinculação dos hospitais universitários, em defesa do emprego, da sede do SINTUSP e da organização dos trabalhadores.

Este primeiro dia de greve demonstrou a disposição de luta dos trabalhadores, com reuniões de unidade cheias e ocupação estudantil do prédio de Letras, da FFLCH. Funcionários e estudantes prontos pro combate contra os cortes na educação e o desmonte da USP. Na assembleia de trabalhadores a Secretaria de Negras e Negros e Combate ao Racismo lembrou do massacre de maio de 2006 promovido pela polícia contra jovens negros.

Além do curso de Letras, que aprovou greve e ocupação, a Faculdade de Educação também aprovou, em assembleia cheia, greve por tempo indeterminado. À noite, em assembleia geral, os estudantes decidiram aderir à greve.

No dia anterior (11/05), no fim da tarde, o reitor Zago tentou intimidar a mobilização, lançando um email mentiroso e cínico que ignora, ou finge, toda a luta contra o desmonte :

“Foi com perplexidade, surpresa e grande preocupação que recebemos o comunicado do Sintusp anunciando que a entidade decidiu convocar uma greve por tempo indeterminado, a partir de 12 de maio. O que espanta não é a greve, em si. Temos o dever, na democracia brasileira, de respeitar e defender os direitos dos trabalhadores. O espantoso, nesse caso, é que a convocação da greve se antecipa ao início da negociação salarial. Na verdade, atropela as negociações. A greve pretende ter início antes da reunião do Cruesp, marcada para o dia 16/05, para tratar do reajuste salarial nas universidades paulistas. Trata-se, portanto, de uma greve sem fundamentação em demanda de reajuste salarial, uma vez que não existe, ainda, uma proposta de reajuste manifestada pelo Cruesp.

Como se vê, estamos lidando aqui com um absurdo completo e inexplicável, um claro abuso de direito: uma proposta de “greve preventiva”, que sequer esperou a abertura da negociação salarial. Essa atitude de provocação e de ameaça – e de sabotagem declarada das negociações – agride os fundamentos básicos da convivência na USP e mesmo da prática sindical. Em nada vai ajudar a USP nesse momento extremamente difícil que estamos atravessando.

Diante disso, chamamos nossos professores, servidores técnicos e administrativos, e alunos ao bom senso que a democracia exige de nós. Confiamos que a grande maioria da comunidade universitária não vai aceitar passivamente essa “greve preventiva” e, também, extemporânea, que não contribuirá para melhorar as relações entre servidores e universidade, e dificultará sobremaneira a solução das demandas trabalhistas.

Esse tipo de provocação não faz parte das relações modernas entre servidores e a administração da instituição, e adquire ainda mais gravidade nesse momento de grandes incertezas políticas e econômicas, com desemprego crescente, perda de valor de salários, redução brutal de receitas públicas e até atrasos e suspensão de pagamentos de salários por entes públicos. Nesta hora, somente a preservação das relações funcionais de respeito mútuo e de busca conjunta de soluções permitirá preservar a USP.

Apenas para que não fique nenhuma dúvida sobre o absurdo da “greve preventiva”, vale recapitular o nosso calendário. Maio é o mês de negociação salarial nas três universidades estaduais paulistas. Assim como em 2015, as conversações foram iniciadas com antecedência, no dia 27 de abril, com uma reunião entre o Cruesp e o “Fórum das Seis”. Nessa reunião, com a presença dos três Reitores, foi revista, em conjunto, a pauta consolidada de demandas do Fórum, tendo sido discutidos vários aspectos relativos à agenda. De comum acordo, foi fixada a data de 16 de maio para a nova reunião, quando o Cruesp deve apresentar aos sindicatos sua proposta de reajuste salarial.

Em respeito a esse calendário, construído de comum acordo (não custa repetir), a comunidade deve aguardar a abertura da negociação salarial e apoiá-la. Pretender convocar uma greve antes disso é simplesmente sabotar qualquer chance de entendimento. É nesse sentido que conclamamos os espíritos livres desta universidade para que, sem abrir mão de um único direito, não permitam que sejam desfeitas as nossas pontes de diálogo.

São Paulo, 11 de maio de 2016

Reitoria da USP”

Esse tipo de tentativa de desmobilização não é novidade para os trabalhadores. Mais uma vez a reitoria tenta coibir qualquer luta em defesa da universidade, utilizando até piquetes com carros oficiais, ônibus e caminhões. Não será esse email, nem ameaças que impedirão a luta.

Os trabalhadores elaboraram sua resposta e darão exemplo nas ruas, nos atos e nas reuniões.


A Reitoria tem acompanhado a disposição dos estudantes da USP de entrar em greve. Viu a assembleia estudantil com mais de 1.000 da UNICAMP aprovar greve e ocupar a Reitoria. Tem visto as ocupações de escola dos estudantes secundaristas em todo o país, do RS ao CE, passando por SP e RJ! Tem visto as paralisações dos estudantes de vários campi da UNESP. Ela teme uma aliança entre trabalhadores e estudantes que barre seu projeto!

Se é isso que ela teme! É isso que daremos a ela!

Contra o desmonte da USP e o arrocho salarial!

Não tem Arrego!




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