INTERNACIONAL

Primeiras conclusões da eleição na Espanha

quinta-feira 30 de junho de 2016| Edição do dia

1- Todos olham os resultados dos partidos, mas o primeiro “partido”, como na Itália, no qual votaram 50% dos eleitores, é a abstenção. Inclusive no caso do Brexit, as abstenções chegaram a 70%. Na Espanha, o aumento foi de mais de 3 pontos em relação a dezembro. Cada vez mais cidadãos repudiam os partidos, o sistema político e as eleições. Essa tendência se expressará em movimentos de direita semifascistas ou, cedo ou tarde, no desenvolvimento de tendências anti-capitalistas.

2- O PP ganhou, mas perdeu força. Governará porque o povo espanhol não quer novas eleições. Além disso, porque o PSOE o manterá, ainda melhor com a abstenção. Podemos, por outro lado, concentrou os votos da direita no PP, pelo medo que esse setor tem de um governo “de esquerda” (mas não muito) que fez com que muitos da nova direita deixaram de votar em Ciudadanos para voltar ao PP.

3- Podemos dizia que queria ser o segundo para governar. Seu modelo, o Partido Comunista Italiano de Berlinguer, foi o primeiro partido em 1976 e acabou a poiando um primeiro ministro democrata e mafioso (Andreotti). Syriza foi o primeiro partido e aceitou ser o pano de chão da União Européia. Não são os números de votos que contam, mas sim a política.

4- Pablo Iglesias acreditava que, por ter o mesmo nome que o fundador do Partido Obrero Socialista espanhol, por atuar com desenvoltura na TV, iriam votar nele. Desprezou o eleitorado propondo uma política social-democrata e louvando Rodríguez Zapatero como melhor chefe de governo. Só falou de eleições, votos e outras ninharias sem dizer o que fazer agora para mudar. Também acreditava que gordura quer dizer força e pensava poder somar os votos da Izquierda Unida (por uma mudança social) com os votos do Podemos (por reformas no capitalismo aceita por esses) deixando insatisfeitos os dois lados do eleitorado, um pelo calor, outro pelo medo de uma radicalização. Em relação ao último dezembro, a soma dos eleitores das duas organizações caiu em 1 milhão de votos. O oportunismo não paga.

5- Como um bom líder treinado no stalinismo, Iglesias não sente a necessidade de renunciar. Nem ele nem os outros garotos da Complutense estão errados, jamais! É claro...

6- Essa gente perdeu uma oportunidade de ouro para mudar o curso da Europa. São nacionalistas chauvinistas e acreditam que os trabalhadores são eleitores cegos ao que acontece nas fronteiras (na Grécia com Tsipras, na Itália com a derrota de Renzi e a enorme abstenção na França com o “socialista” Hollande atacando os direitos democráticos e dos trabalhadores. O eleitorado de Podemos esperava orientação sobre o que fazer diante de um mundo e de uma Europa ferozes que se desenham no horizonte.

7- Governará Rajoy com um PP em crise, um PSOE também em crise, Podemos e IU em crise em uma Europa em desintegração.

Tradução: Pammella Teixeira




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