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Primeira reunião para construir uma rede dos trabalhadores precarizados: some-se à esta iniciativa!

segunda-feira 10 de agosto| Edição do dia

No domingo (02/08) ocorreu a primeira reunião para discutir a importância da criação de uma rede de precarizados, contando com entregadores de aplicativos, trabalhadores terceirizados, de callcenters, fast food, garis, e diversas outras categorias, de diversos estados do país.

Nas últimas semanas, o Brasil se deparou com uma enorme manifestação de forças dos entregadores de aplicativo. Milhares de jovens, negros em sua maioria, mostraram para as plataformas de escravidão moderna como Rappi, Ifood, Uber que sem o trabalho destes, essas empresas não são nada. E contaram com enorme apoio da população, que além de não pedir nos dias de paralisação, colocou o #BrequeDosApps nos assuntos mais comentados do Twitter.

Já no início da pandemia vimos também centenas de jovens dos callcenters (mulheres em sua maioria, além de grande parcela de LGBTs) gritando em manifestações e paralisações em todo o país que não iriam morrer na P.A. (posição de atendimento), afinal as empresas não forneciam sequer o mínimo de condições para o trabalho, como álcool-gel, distanciamento social e liberação do grupo de risco.

Estamos vendo também desde o início da pandemia e ainda mais forte nas últimas semanas demissões em massa de terceirizados em escolas e universidades, muitos destes que estiveram expostos ao vírus sem nenhuma proteção das empresas. Descaso inclusive que culminou em milhares de mortes, como a do trabalhador terceirizado da USP que foi obrigado pela empresa Albatroz a seguir trabalhando mesmo tendo 71 anos.

A pandemia escandalizou, assim, as terríveis condições de trabalho a que a maioria dos trabalhadores estão submetidos, não só no Brasil, mas no mundo todo. Aqui, o governo Bolsonaro demonstra cada vez mais como sua política é genocida, quando esse faz piadas com o coronavírus afirmando que é uma "gripezinha", vírus esse que chegou a matar mais de 100 mil brasileiros.

Apesar de ter potencializado essa precarização, a crise sanitária não foi quem a criou. Ela já vem se aprofundando desde a crise econômica de 2008, que trouxe à tona um neoliberalismo mais selvagem que nunca, gerando um crescente de privatizações, terceirizações e ataques a direitos trabalhistas em todo o mundo.
Aqui no Brasil, foi durante o próprio governo do PT que vimos o número de terceirizados aumentar para 14 milhões, sem que este partido se opusesse a tamanho avanço e nem mobilizasse suas centrais sindicais contra isso. Mas mesmo esse patamar de precarização não estava suficiente ainda para os capitalistas, em sua gana de jogar a crise em nossas costas. É por isso que o golpe institucional de 2016 se deu, trazendo Temer à presidência e com ele a aprovação da terceirização irrestrita, da reforma trabalhista e da reforma da previdência.

Isso tudo culminou no atual estado das coisas, com um governo Bolsonaro eleito em base a fake news e com apoio do judiciário (com a prisão de Lula que rechaçamos, mesmo não dando nenhum apoio ao PT). Um governo que defende a máxima “direitos” versus “empregos” e não garante no fim das contas nenhum dos dois, basta olhar os enormes índices ainda subnotificados de desemprego, sem contar o aumento da informalidade e da uberização do trabalho

É frente a tudo isto que a esquerda precisa construir uma alternativa para que os trabalhadores não precisem escolher entre morrer de coronavírus ou desemprego. Enquanto as direções dos maiores sindicatos do país, como a CUT e CTB (dirigidos por PT e PCdoB) estavam em quarentena postando #fiqueemcasa, milhares de trabalhadores estavam se arriscando todos os dias para salvar vidas, garantir a limpeza, circulação, produção de insumos e tudo o que é necessário. Mas tudo isso sem poder contar com a organização em seu local de trabalho contra as péssimas condições, a luta contra a política genocida de Bolsonaro, que ataca os trabalhadores sistematicamente.

Por isso, nós do MRT, queremos chamar a esquerda para criar uma rede de trabalhadores precarizados, nos inspirando no exemplo do La Red de Precarizadxs argentina, impulsionada pela Frente de Izquierda de los Trabajadores, que conta com a participação do PTS ( organização irmã do MRT na Argentina) e outras organizações como a Izquierda Socialista e o Partido Obreiro. Unificando diferentes categorias para lutar lado a lado, com um princípio de autoorganização dos trabalhadores para superar as burocracias e assim ganhado força para golpeando com um só punho os capitalistas, afinal somos uma só classe.

Assista abaixo às falas de Silvana, Galo, Pablito e Andreia no encontro

Silvana, trabalhadora terceirizada demitida, militante do Quilombo Vermelho e do MRT.

Galo, entregador, fundador dos Entregadores Antifascista:

Andreia, Trabalhadora demitida política da indústria, militante do Pão e Rosas e do MRT:

Pablito, Trabalhador da USP, fundador do Quilombo Vermelho e dirigente do MRT:




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