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JUDICIÁRIO RACISTA

Preso há 6 meses, DJ Renan da Penha concorre ao Grammy Latino

sexta-feira 18 de outubro| Edição do dia

Preso há quase seis meses, o DJ Rennan da Penha concorre ao Grammy Latino com o videoclipe “Me solta”, Rennan é o grande ídolo de uma juventude negra e um dos precursores do funk 150 bpm. O jovem negro de 25 anos foi preso injustamente por associação ao tráfico de drogas,condenado a seis anos e oito meses de prisão, a justiça alega que ele seria “olheiro do tráfico” e o “DJ dos bandidos” no baile da Gaiola, um famoso baile funk na Vila Cruzeiro que juntava milhares de jovens.

Sua condenação foi baseada em mensagens trocadas em um grupo de whatzapp de moradores, pelo próprio DJ em que alerta os mesmos moradores por onde a polícia estaria subindo, algo muito comum e que tem a intenção de garantir certa segurança e proteger de alguma maneira moradores da brutalidade e covardia da polícia militar, sobretudo, em tempos de Bolsonaro e Witzel. Além disso, o desembargador que condenou Rennan baseou sua condenação numa foto que o próprio Rennan publicou na internet com uma arma de papelão, e ainda teve a coragem de dizer que não importava para ele se a arma é verdadeira ou não. Em tempos em que presidente faz “arminha com a mão” nada mais racista e irônico prender um jovem negro, que dava seus primeiros passos em sua carreira e já fazia sucesso e era um exemplo para a juventude carioca, especialmente, para sua comunidade.

Fato é que Rennan da Penha não foi preso por conta dessas mensagens, mas pelo fato de ser negro e uma das principais figuras da cultura negra, em especial do funk carioca. Essa é uma condenação racista, não temos sombra de dúvidas, assim como já aconteceu com outro MC’s e DJ’s recentemente e como foi nos 2000 quando vários MC’s famosos, como MC Ticão, MC Dido, MC Smith, entre outros foram perseguidos sem prova e acusados de “apologia ao tráfico”. A repressão e perseguição ao funk no Rio de Janeiro sempre foi uma marca sem igual de uma burguesia racista que ao mesmo tempo em que prende injustamente esses artistas, proíbe os bailes funks nas favelas. Esses mesmos bailes que quando voltados para as elites são visto como “arte”, mas quando são voltados pros trabalhadores e pra juventude na favela são considerados crime. O próprio “baile da gaiola”

Desde o avanço da extrema direita e com políticos reacionários como Witzel, Crivella e Bolsonaro, a juventude negra e a cultura negra passaram a ser alvos constantes. O número de pessoas assassinadas nas favelas já soma mais de mil, em apenas 10 meses de governo, são jovens e crianças como a pequena Ágatha, vítimas de uma política racista e de extermínio levada à frente por Witzel e legitimada por Bolsonaro.

Com o avanço da influência das igrejas evangélicas e da figura de Marcelo Crivella vimos saltar o número de terreiros de candomblé e umbanda atacados no Rio, um setor que apoia a criminalização do funk e a “demonização” da cultura negra. A prisão do DJ Rennan da Penha não pode ser deslocada desses marcos de ataques profundos a cultura negra e a identidade negra.

É um absurdo a 1ª turma do STF ter negado o pedido de habeas corpus ao DJ, o mesmo judiciário que prendeu Preta Ferreira e Rafael Braga e que foi fundamental ao golpe institucional e manipulou as eleições passadas, mantendo Lula preso sem provas. Não pode ser que juízes que não foram eleitos por ninguém, que recebem salários altíssimos e tem várias regalias, neguem o direito de um jovem negro trabalhador de responder em liberdade por algo que se quer ele tenha feito.

Toda a indignação e comoção do caso do DJ Rennan da Penha se transformou em ódio contra o judiciário racista e autoritário, e também contra o governo Witzel e Bolsonaro no Rock n’ Rio. No palco “favela” vimos dezenas de artistas homenageando Ágatha e Marielle e exigindo a liberdade imediata de Rennan da Penha, com apoio do público que gritava “Ei Bolsonaro vai toma no c*” e aplaudia a pequena Ágatha, dando um recado à extrema direita.

Nós do Esquerda Diário e do Quilombo Vermelho estamos com todos esses artistas, músicos e cantores que homenagearam Ágatha e Marielle e toda juventude negra que também exigem a liberdade imediata ao DJ Rennan da Penha. A prisão de Rennan em meio sua indicação ao Grammy Latino só escancara a face mais racista de uma burguesia que para o negro quer negar inclusive o direito a arte, de se expressar culturalmente. Sua prisão é injusta, racista e arbitrária, que seu caso seja julgado por um júri popular, composto em sua maioria de moradores de favela de sua comunidade, assim como todos os artistas e DJ’s do funk que foram presos injustamente. Pelo fim dos ataques à cultura negra e ao funk. Abaixo o racismo e autoritarismo do judiciário.




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