Educação

ESCOLA SEM DEBATE DE GÊNERO

Prefeitura do PMDB quer censurar temática LGBT nos livros escolares

Nesta segunda-feira 23, o prefeito Thiago Flores (PMDB), de Ariquemes (RO) se reuniu com 12 vereadores e decidiram retirar das escolas os livros que tratam da questão de gênero das escolas. A ideia é retirar temporariamente os livros para que se retire as páginas que tratam de educação sexual, casamento homossexual e diversidade sexual.

terça-feira 24 de janeiro de 2017| Edição do dia

Trata-se de uma medida autoritária que tem como pretexto de as crianças não são muito novas para ter contato com este conteúdo. No entanto, o preconceito surge desde cedo nas escolas e se dissemina com muita facilidade e não há um meio melhor de combater a transfobia e a homofobia do que através da educação.

O MEC já havia enviado os livros para as escolas desde o ano passado com os conteúdos que tratam da questão de gênero, no início deste mês alguns vereadores da cidade protocolaram um documento solicitando a retirada dos livros antes do início das aulas. De acordo com um dos vereadores responsáveis pelo envio do oficio, Amalec da Costa (PSDB) existe uma lei em vigência que não permite conteúdos com ideologia de gênero no ensino fundamental.

O que esta implícito nesta ação e o preconceito de quem tenta evitar que dentro das escolas se discuta o casamento homossexual, educação sexual e o convívio com a diversidade. Um dos argumentos utilizados pelo vereador que solicitou a retirada dos livros da escola, Amalec da Costa( PSDB) foi de que "a família deve se encarregar desse assunto em casa", um argumento muito moralista e sem fundamento, partindo desta lógica nenhum conteúdo polêmico deveria ser tratado na escola.

Levando em consideração que a escola é laica e deve oferecer aos educandos uma educação que os prepare para o mundo em que vivem, a questão de gênero é um conteúdo muito pertinente a ser tratado com os alunos. Se partirmos do princípio que o aluno deve se relacionar com a diversidade cultural, religiosa e de gênero e estas são habilidade e competências das quais deve desenvolver na escola é um insulto a comunidade LGBT que os alunos não estudem estes conteúdos.

Ao contrário do que alguns parlamentares moralistas que não respeitam nem as leis que eles mesmos criam. Estudar a questão de gênero não é um incentivo para que os alunos se tornem gays e sim uma medida para combater a LGBTfobia desde sempre, muitas vezes no seio de suas famílias os alunos não encontram respostas para suas diferenças que são salientadas em sala de aula pelos próprios colegas e as gera muita frustração aos adolescentes. É preciso que a escola se torne um ambiente inclusivo, com respeito a liberdade, sem constrangimento ou violências e sobretudo sem barreiras.

O estado é responsável por preservar a vida das pessoas e os LGBTs não são invisíveis eles estão nas escola, no trabalho, no ônibus e em todos os lugares. Não tenhamos dividas de que esta medida tomada no município de Ariquemes (RO), é mais um meio de cercear os professores de sua liberdade de cátedra, assim como o ano passado se fomentou muito a "escola sem partido", projeto de lei que cerceia os professores de falar sobre política em sala de aula. Os professores não podem ser passivos diante dessas leis que não contribuem em absolutamente em nada para a formação dos alunos e preciso se levantar contra essas medidas autoritárias que impossibilitam uma educação livre, gratuita e de qualidade.




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