Política

Prefeitura de SP aumenta subsídio dos ônibus em 900 mi para garantir lucro dos empresários

Bruno Covas, prefeito da cidade de São Paulo (PSDB), vai aumentar em R$ 900 milhões os repasses para as empresas de ônibus que operam na cidade, de R$ 2,1 bilhões para R$ 3 bilhões/ano, enriquecendo ainda mais os grandes barões do transporte. A previsão inicial do orçamento era de que essa despesa seria de R$ 2,1 bilhões.

sexta-feira 1º de junho| Edição do dia

Tal subsídio é um recurso que a Prefeitura diz ser repassado às empresas para "ajudar a completar o custo dos sistema de transporte", quando na realidade não passa de um dinheiro que deveria ser usado para melhorias no transporte e outros serviços públicos na cidade e agora será destinado para enriquecer ainda mais os empresários, mantendo o sufoco, por exemplo, nos transportes públicos.

O dinheiro inicialmente serviria para pagar as passagens gratuitas, como a segunda ou terceira viagem de ônibus que o usuário do bilhete único pode fazer, e a gratuidade para idosos e estudantes, direitos estes conquistados com muita luta pelos trabalhadores e juventude.

Parte deste dinheiro que vai pagar esses lucros dos empresários das empresas de ônibus será transferida da área de investimentos públicos, que diz ter "previsão" a partir de receber verbas obtidas com as privatizações, mais uma medida que visa a o enriquecimento dos empresários em detrimento da qualidade dos serviços públicos, como os transportes.

Estes "recursos extras" para as empresas de ônibus virão de todas as atividades "não essenciais" da Prefeitura, segundo o secretário municipal da Fazenda, Caio Megale, que anunciou: "Sei de onde não vamos tirar: pessoal, Previdência, pagamento da dívida que temos com a União e do custeio dos hospitais, da educação, da assistência social e da manutenção dos equipamentos públicos." Assim, segundo o Estadão, ficam ameaçadas a perder verbas, por exemplo, ações da zeladoria urbana, como obras de canalizações de rios e contenção de encostas, deixando claro o caráter deste governo que para manter o lucro dos empresários precariza as condições de vida da da população, fazendo com que os trabalhadores e a juventude pague.

A prefeitura já vem fazendo uma reestruturação com o avanço da privatização dos transportes, e Covas anunciou que o aumento se deve frente a nova licitação para o sistema de ônibus municipal, bastante criticada pelos trabalhadores do transporte que previa que 5 mil trabalhadores fossem demitidos com a mesma. A nova licitação do transporte público, que deve ser concluída em junho, prevê que o gasto com a operação do sistema se mantenha nos mesmo patamar de hoje, cerca de R$ 7 bilhões por ano. O restante dos gastos diz a prefeitura que virá da venda de passagens, ou seja, é possível que em breve o governo queira aumentar novamente as passagens. A prefeitura que afirma que será feita a redução de cerca de mil veículos da frota, um enorme ataque aos usuários do transporte na cidade, a troca dos ônibus atuais, segundo ela, por coletivos mais modernos "exige os recursos a mais", escamoteando os lucros bilhonarios dos barões do transporte na cidade.

A desculpa da Prefeitura é de que tinha expectativa de usar os recursos dessas concessões para bancar investimentos previstos no orçamento, como corredores de ônibus e novos hospitais, e que a elevação do subsídio de deve ao aumento de passagens gratuitas hoje destinadas aos idosos, um absurdo. A expectativa, segundo a proposta orçamentária enviada à Câmara em 2017, é do ingresso de pelo menos R$ 1 bilhão ainda este ano com o plano de privatização.




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