Mundo Operário

MOVIMENTO NOSSA CLASSE ABC

Por que a luta contra os ataques aos trabalhadores e a prisão arbitrária de Lula deve ser tema de uma assembleia na Firestone?

Nesta madrugada de quarta-feira (11), trabalhadores do ABC distribuíram o Boletim do Movimento Nossa Classe para os operários e operárias da Firestone.

quarta-feira 11 de abril| Edição do dia

O Boletim debate sobre a necessidade de assembleia dentro das fabricas e nos locais de trabalho para preparar um plano de luta contra os ataques e contra a prisão arbitrária de Lula. Também esteve um texto especial do grupo de mulheres Pão e Rosas sobre a luta contra o machismo dentro das fabricas.


Esse boletim é parte da luta do Movimento Nossa Classe na luta pela construção de uma política independente da classe trabalhadora para enfrentar o avanço do golpe institucional com a prisão arbitrária do Lula, de forma independente do PT.

Leia o Boletim Completo abaixo:

Porque os ataques aos trabalhadores e a prisão do Lula devem ser pauta de assembleia na Firestone?

A prisão arbitrária de Lula neste último sábado esteve em todos os jornais, canais de TV e nas rádios com repercussão internacional. Foi tema nas filas nos pontos de ônibus, nos refeitórios, nas escolas, nas universidades. Este grande acontecimento da prisão sem provas contundentes contra Lula, que além de ex presidente, liderava as pesquisas de intenção de voto para a presidência, escancarou o papel do judiciário brasileiro. 11 juízes que ganham salários enormes, são cheios de privilégios, regalias e além de tudo não foram eleitos por ninguém, decidiram no último dia 4 que o povo não terá direito de decidir em quem votar nas próximas eleições. Os candidatos serão escolhidos à dedo pelos patrões, juízes e políticos da ordem, para seguir garantindo os enormes lucros capitalistas com ataques diretos aos nossos direitos, como já foi com a aprovação da Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização e uma série de reformas que ainda querem aprovar, como a Reforma da Previdência, que fará com que trabalhemos até morrer.

A maioria de nós, trabalhadores e trabalhadoras só pudemos acompanhar esses acontecimentos como meros expectadores. As centrais sindicais jogaram a toalha e deram uma trégua ao governo, não se colocaram a tarefa de organizar em cada fábrica e local de trabalho uma luta séria contra os ajustes que só afetam a vida de quem trabalha e depende de seu salário para viver. Mesmo a CUT se negou a construir uma resistência real, nem mesmo no dia da prisão de Lula, quando pararam apenas um turno da Volks e levaram trabalhadores para “resistir pacificamente” ao avanço do golpe institucional.

A Força Sindical sequer chamou uma assembleia para debater quais seriam as implicações disso para nossas vidas concretas. Seguiram apostando todas as fichas e confiança nessa justiça, que todos sabemos que não podemos confiar. A única medida que tomaram foi soltar declarações de solidariedade, sem construir um plano de lutas que fosse capaz de derrotar a continuidade do golpe e armar os trabalhadores para lutar contra todos os ataques já implementados. As centrais sindicais se limitaram a chamar os trabalhadores para uma vigília, composta por uma missa que não passou de um grande show eleitoral.

O golpe institucional deixou claro que a burguesia queria aplicar ataques ainda mais duros do que o PT já fazia. São diversos os fatos que expressam essa vontade, como a execução da vereadora Marielle no Rio de Janeiro, que lutava contra a intervenção federal nas favelas cariocas e a pressa em prender Lula para ter certeza que ele não participará das próximas eleições. A ferida do golpe institucional segue aberta e se coloca necessidade emergencial de que as grandes centrais sindicais rompam com sua paralisia, rompam com a política do PT de conciliação com os golpistas e organizem nossas forças para o combater.

Precisamos retomar nossos sindicatos como ferramenta de nossa luta. Os dirigentes sindicais, que não trabalham há anos, ao invés de organizarem a verdadeira resistência, preferem fazer propaganda de sindicalização, pois mesmo de forma passiva, os trabalhadores rejeitam o papel que os sindicatos vêm cumprindo. Para isso, é preciso exigir que tenham assembleias em todos os locais de trabalho, para que possamos debater para onde vai o Brasil e que respostas podemos dar contando com nossa própria força. Não podemos aceitar que os grandes capitalistas sigam garantindo seus lucros contando que trabalhemos nas piores condições de trabalho, com baixos salários e sem direito à aposentadoria.

Nós do Movimento Nossa Classe, estivemos junto com os professores de São Paulo em sua estrondosa vitória contra Dória, que queria implementar no município a Reforma da Previdência. Acreditamos que a força dos professores e servidores municipais tem que servir de inspiração para que a unidade de nossa classe se dê a partir de um plano de lutas e de um combate muito forte contra os ajustes. Somente parando as fábricas, as escolas e todos os locais de trabalho e estudo poderemos colocar os patrões contra a parede e batalhar por uma vida digna, fazendo com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Por isso propomos uma nova Constituinte Livre e Soberana, imposta pela luta, onde sejamos nós que decidamos os rumos do país, votando em primeiro lugar para que a reforma trabalhista seja revogada e todas as medidas antioperárias aprovadas pelo governo golpista e também pelo PT em seus anos de governo. E que todo político ganhe o mesmo salário de uma professora da rede pública. Assim poderemos batalhar por um governo de trabalhadores que rompa com o capitalismo.

É preciso lutar contra a prisão arbitrária de Lula e todas as reformas que atacam nosso direito ao futuro de forma independente do PT. Conheça nossas ideais.


As mulheres na fábrica

Às cinco horas da manhã, milhares de mulheres saem de suas casas, a fim de conseguir renda para suprir suas necessidades.

Na madrugada, mulheres estão expostas a riscos, nenhuma delas sabe o que as esperam em cada esquina, em cada passada nas ruas escuras, em cada transporte público que necessitam pegar para chegar a seu trabalho.

Seis, sete ou oito horas da manhã, mulheres batem o ponto e iniciam a saga dos assédios asquerosos no chão de fábrica.

Seus nomes estão expostos nos banheiros, detalhes de um corpo nu nunca visto, são colocados em cada azulejo, em cada porta. Os nomes de todas elas passam de boca em boca de forma suja e desagradável. São seres descartáveis aos olhos deles.

Elas sobem as escadas e os operários reduzem os passos, querem ver de perto, querem filmar, querem colocar nos grupos de whatsapp, querem expor. De forma suja, ofensiva e desumana.

Mães, cheias de mazelas são taxadas de meros pedaços de carne, onde o fato de estarem no chão de fábrica é para servir. Servir os desejos mais nojentos que abrigam a mente de cada um que opera as máquinas projetadas para produzir mais do que precisamos, para produzir e nos explorar. Explorados por um sistema capitalista nojento, querem explorar o corpo da mulher. Canalizam o ódio que sentem de seus patrões na violação da intimidade feminina, difamando-a e expondo-a ao ridículo.

Chega a hora do término, do primeiro tempo.

Toma banho e saem pela portaria, os assédios e palavras sujas não cessam, só aumentam. Volta o drama das milhares de mulheres voltando a suas casas, passando os nojos possíveis e impossíveis nos transportes públicos até chegar em suas casas.

Diante a essa constituição familiar falida a mesma mulher que teve que engolir a seco toda a podridão que há em seu trabalho, deve agora preparar todas as coisas para que seu marido chegue e encontre tudo em seu devido lugar.

Casa, roupa, comida e sexo.

Uma prostituição oficial escancarada aos olhos de todos e, ela, por sua vez, merece isso.

Já não basta ter que trabalhar 10/12 horas por dia, saindo de seu trabalho ainda tem que servir de empregada para sua própria companhia, que mais parece um pesadelo.

Milhares de mulheres trabalham, são exploradas em seus trabalhos e ainda fazem hora extra na exploração em sua própria casa, servindo seus maridos e reproduzindo cada vez mais, mão de obra para esse sistema nojento.

Não! A mulher não merece um ambiente de trabalho machista e cheio de assédios e, nem tão pouco, um lar cheio de exploração.

Devemos unir nossas forças, afim de, fazer cair por terra todo machismo e opressão contra as mulheres no chão de fábrica. Que nossa luta, sendo de classe, seja unificada em todos os sentidos, para que consigamos ter acesso a uma vida plena, tirando o poder das mãos dos capitalistas e fazendo surgir uma nova vida para cada um de nós.

Homens e mulheres juntos em uma só luta, contra o machismo.

Conheça o grupo de mulheres Pão e Rosas, em luta contra o machismo e o capitalismo




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