Juventude

ELEIÇÕES DCE USP

Por um DCE que organize os estudantes e subverta o machismo e a LGBTfobia dentro e fora da USP

segunda-feira 6 de novembro| Edição do dia

A discussão de opressão de gênero à mulher e à comunidade LGBT é urgente, dentro e fora do movimento estudantil. Na última década diversos movimentos surgiram levantando bandeiras feministas e contra a lgbtfobia e colocando em pauta fatores muito importantes que cerceiam a vida dos setores oprimidos em diversos fenômenos. A primavera feminista no Brasil traz à tona todo esse ascenso e coloca o debate de como o movimento deve se colocar diante de uma conjuntura de ataques e que atinge de forma mais direta as mulheres e LGBTs, à exemplo da aprovação da liminar da ’Cura Gay’ em 2017. Na universidade seja na luta contra os estupros e a violência, na luta em defesa das creches, ou em cada luta contra os ataques da reitoria vemos na linha de frente as mulheres e LGBTs.

Toda a mobilização no combate às opressões que encabeçaram pautas de suma importância no Brasil e no mundo levaram a mudanças. Agora a capa da revista é estampada por uma mulher negra, a novela das nove trata de transexualidade e a música tema fala sobre a emancipação. Os desenhos animados têm heroínas ‘descontruídas’. A garota propaganda da maquiagem não é mais a moça branca e magra, agora ela é negra e canta funk. A curto prazo em um recorte no espaço e no tempo todas essas mudanças são construtivas ao movimento, são representativas, colocam na ordem do dia o combate às opressões. E então fica a pergunta, e quando a moda não for mais a ‘geração tombamento’? E quando outro padrão tomar o lugar das capas de revista? Onde todo esse movimento que focou no agora e olhou pra si vai parar? A resposta a todo esse sistema capitalista é a mulher empresária, é o LGBT diretor de empresa, é na compra do produto da marca com maior representatividade. A resposta está sempre ali, na ponta da língua. No entanto para Claúdia, para a trabalhadora terceirizada do bandejão, para o Alex (o menino de 8 anos morto pelos pais por ser gay) a situação não é tão colorida, não tem tanto glitter.

Apesar dos aparentes avanços e conquistas no movimento das mulheres e LGBTs, exaltados pela crescente representatividade dentro da mídia burguesa, as condições de vida e trabalho na conjuntura nacional do pós golpe institucional, marcada pelos ataques e reformas da direita e dos setores mais reacionários da sociedade, só marcam o contraste em relação à realidade de precarização, opressão e violência que se instaura para a classe trabalhadora. Os índices de violência aos LGBTs no Brasil estão entre os mais altos do mundo. De acordo com a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais, em 2016 foram 340 LGBTs mortos no Brasil. E esse número só cresce, visto que apenas até maio de 2017, 117 pessoas foram assassinadas devido à homofobia, o equivalente a um assassinato a cada 25 horas, segundo dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). Tal contraste não pode deixar de ser considerado para que se evidencie a real miséria do capitalismo, sistema esse que vende o retrato de uma realidade inclusiva e representativa do conjunto dos setores marginalizados que ele mesmo explora, mas mantém as mesmas cadeias de exploração sobre esses setores, para que não cesse o lucro dos patrões. Fica clara a impossibilidade de real emancipação dos setores oprimidos dentro da lógica capitalista. A luta no combate às opressões contra as mulheres e LGBTs não pode ser centrada em vitórias táticas e momentâneas, brechas no sistema. A guerra a ser travada envolve um âmbito muito maior, tange a macroestrutura, para a real emancipação dos oprimidos é preciso que todo esse sistema de miséria seja destruído.

Na universidade travamos duras batalhas contra o machismo e a LGBTfobia institucional da Reitoria e dessa estrutura de poder herdeira da ditadura militar. A primavera feminista chegou aqui, em forma de luta contra os escandalosos casos de estupros e violência dentro do campus. Essa luta foi extremamente importante para desmascarar a serviço de quem atua a burocracia universitária, que pune estudantes e trabalhadores que defendem demandas como as cotas ou às creches, mas que deixa se formar como médico, alguém acusado de vários estupros. Ao contrário da resposta demagógica da reitoria, ao dizer “elas podem”, enquanto fecha as creches e é conivente com o abuso sexual e moral com estudantes e trabalhadoras. Nossa luta deve ser para dizer que sim, nós podemos, de forma independente lutar contra cada caso de violência dentro e fora do campus, que sim nós podemos defender as creches como um direito das mulheres mães e da criança, e que não aceitaremos nenhuma a menos, por falta de permanência, por conta do assédio sexual e moral, por conta da violência institucional dessa reitoria. Por isso precisamos de uma movimento estudantil que cada vez mais subverta essa lógica machista e LGBTfóbica, como parte da defesa de uma universidade a serviço das mulheres, das LGBTs, dos trabalhadores e de toda juventude. O movimento construído dentro da universidade deve estar ligado ao todo, deve se aliar aos trabalhadores do bandejão que perdem o direito ao lazer no intervalo do trabalho, às terceirizadas do serviço de limpeza, aos homossexuais reprimidos pelo mercado de trabalho. O combate dentro de fora da USP deve se dar em plena aliança operário- estudantil no combate direto e consequente as formas de opressão do sistema.

É inadmissível que o estatuto da entidade máxima dos estudantes - o DCE Livre da USP - não faça sequer menção à pauta do combate às opressões, é inaceitável que a saída oferecida aos estudantes sejam escrachos nas portas dos banheiros, nos circulares, nas paredes ou nas festas. A saída tem que ser travada em um combate sério a todo tipo de opressão e que em última instância só é possível com a destruição completa do sistema. Nós, da chapa ‘Primavera nos Dentes’, temos como ponto central a defesa das minorias, das estudantes vítimas de assédio e abuso dentro do campus e que não se sentem seguras em sair da aula sem se esconder. Por isso defendemos que o problema da universidade não são as festas, nem os espaços de socialização, mas sim essa polícia assassina, a falta de coisas básicas como mais ônibus circulando pela faculdade e maior iluminação no campus. Em defesa das LGBTs que não se assumem por medo das represálias, contra a transfobia, pela livre construção de gênero e sexualidade, pela desburocratização do reconhecimento do nome social. Em defesa das trabalhadoras que sofrem com as doenças laborais, pela efetivação de todas as trabalhadoras terceirizadas sem concurso público. Pela permanência das creches e pela ampliação das vagas para toda demanda, por permanência estudantil para todos. Em luta por uma USP livre e um movimento estudantil combativo que subverta essa lógica de opressão, defendemos a construção de uma secretaria de combate as opressões, que seja aberta a todos os estudantes que queiram se organizar para lutar contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia e toda forma de opressão, que promova reuniões para debatermos como as mulheres, as LGBTs , os negros e todos os setores oprimidos possam estar na linha de frente das lutas, de forma independente da burocracia universitária e de todos os governos.




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