Teoria

REVOLUÇÃO RUSSA /100 anos

Por que estudar a Revolução Russa 100 anos depois?

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 22 de dezembro de 2017| Edição do dia

Os líderes da Revolução Russa estudaram pacientemente a Comuna de Paris.
A esquerda que luta por uma revolução social e proletária no mundo contemporâneo, não deveria estudar atentamente a Revolução Russa e sua estratégia?

Por outro lado, o que teria uma revolução levada a cabo em outro canto do mundo, em outra época histórica a nos dizer para hoje, na era atômica, das redes sociais, da precarização do trabalho e da tecnologia robótica [poupadora de trabalho humano]?
Aquilo que alguns integrantes da esquerda mencionam, de que a robótica e a informática mudaram a tal ponto o perfil da classe trabalhadora moderna que não cabe comparações e nem referência alguma em relação à Revolução Russa, proletária, faz algum sentido?

Aquilo que também dizem, de que “o comunismo” acabou [na verdade, o stalinismo foi quem desmoronou] e que, portanto, a era da revolução proletária não mais existe, também tem algum sentido lógico [que não seja reacionário]?

O partido revolucionário, classista [que não pratica conciliação de classe, a exemplo dos bolcheviques], a estratégia soviética, o internacionalismo soviético, essas coisas fazem sentido em tempos como os nossos, nos quais, inclusive, mesmo no campo da esquerda de mais visibilidade, o debate de estratégias é escasso? Ou temos que começar do zero de uma vez por todas? E fechar o livro da Revolução Russa, que não passaria de uma memória histórica que foi válida em outros tempos?

Esse foi o tema da palestra a seguir, realizada na UnB em outubro passado, por ocasião da homenagem aos 100 anos da revolução de Outubro, na Rússia de 1917.

Realizada em uma mesa onde o outro debatedor defendia que a Revolução Russa foi ultrapassada [ela e sua estratégia], o debate ao final também foi atravessado pela polêmica, cabendo-nos levantar a ideia de que o livro da Revolução Russa, - como foi o da Comuna de Paris para os bolcheviques – continua aberto e com lições da mais candente atualidade. Uma delas é a de que, como os bolcheviques, lutamos efetivamente por uma sociedade comunista [onde sua base é a auto-atividade das massas e onde não haverá lugar para qualquer burocracia autoproclamada ´comunista ´] e para a qual se transita pelas mãos da estratégia soviética, a adotada pela Revolução Russa, única revolução consciente do século XX.

Se este livro for aberto e estudado conscienciosamente, quem sabe não concretizamos, no próximo ciclo revolucionário, revoluções verdadeiramente conscientes, de democracia proletária, pela base, atualizando e dialogando concretamente com a Revolução Russa?

Você pode conferir a argumentação na palestra abaixo, de 35 minutos, seguida de mais 15 minutos de resposta ao debate levantado pelo outro orador, na contramão do foco aqui adotado.




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