UNICAMP

Por que Knóbel não se pronuncia pela reintegração de Sidney e contra as 330 famílias na rua?

Diante da demissão política do cipeiro Sidney Silva, trabalhador terceirizado da Funcamp que falou na assembleia universitária, e do plano de 330 demissões na Unicamp, o reitor Marcelo Knóbel está calado. Exigimos que se posicione pela reintegração imediata de Sidney e por nenhuma família na rua!

quarta-feira 23 de outubro| Edição do dia

Knóbel não conteve palavras para expressar a assembleia universitária, que deveria “mostrar a unidade da universidade” em torno de “um ideal comum”, como declara em vídeo público. Entretanto, essa “unidade” não apenas não contou com a participação dos trabalhadores terceirizados que tiveram de trabalhar mais, como resultou na demissão do único terceirizado que ousou falar nesse espaço, o cipeiro Sidney Silva. Assim, a máscara da unidade caiu por terra.

No dia anterior, diga-se de passagem, Knóbel havia se reunido com as entidades para acordar as falas no espaço, que não deliberou nada além da moção negociada, e havia garantido que entraria em contato com as empresas terceirizadas para que houvesse liberação sem punição, como comprova um documento. Agora o silêncio de Knóbel é ensurdecedor, e revela a responsabilidade da reitoria da Unicamp diante dessa demissão ilegal.

Ainda mais se tratando da Funcamp, a situação é mais escandalosa. Ainda que mantida como instituição privada sem fins lucrativos como definição, com sede no interior da própria Unicamp, sua Escritura Pública foi instituída pela universidade, como sua Fundação de Desenvolvimento, na década de 70. Seu objetivo era permitir a terceirização de atividades, rebaixando salários e direitos em comparação ao corpo de funcionários da Unicamp. Além disso, seu Conselho Curador é composto por membros da própria burocracia acadêmica, sendo alguns deles conselheiros do CONSU.

A demissão política de Sidney é uma resposta não apenas à ruptura formal do roteiro planejado pela assembleia universitária, que era para ser estritamente controlada pela reitoria, mas também à denúncia das 330 demissões planejadas pela Funcamp. A Unicamp soltou nota respondendo à CPI da direita quanto à troca de licitação, mas não à toa é omissa quanto ao futuro dessas 330 famílias.

Por que Knóbel não se pronuncia pela reintegração imediata de Sidney e pela manutenção dos 330 empregos, com os mesmos salários e direitos? Certamente, não é possível convocar uma unidade real em defesa da universidade pública, tão necessária neste momento, e ao mesmo tempo atacar os trabalhadores que são parte dela todos os dias e que são chamados a defendê-la. Só é possível defender a universidade pública combatendo o projeto racista, misógino e anti-operário de Bolsonaro, que almeja que cada vez mais famílias amarguem miséria e desemprego e acaba de aprovar a odiosa Reforma da Previdência. Frente a isso, façamos como os chilenos para que a crise não seja descarregada sobre os trabalhadores.

A reitoria Knóbel é responsável pela demissão de Sidney: exigimos que o reintegre e garanta os empregos das 330 famílias!




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