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Plano de emergência contra a crise para por abaixo o golpista Temer

Em reunião com centrais sindicais no início da semana, o ministro da fazenda Henrique Meirelles assumiu que o desemprego pode chegar a 14% ainda esse ano. Segundo alguns analistas a taxa deve começar a diminuir somente no segundo semestre de 2017.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

quarta-feira 25 de maio de 2016| Edição do dia

Na indústria as demissões seguem um ininterrupto crescente, com exemplos recentes e drásticos como no estado do Piauí, onde a média já é de 30% a 40% de demitidos no setor; ou o estado de São Paulo, que entre abril de 2015 e abril de 2016 fechou 253,5 mil postos só na indústria; ou ainda o caso da região metropolitana do Vale do Paraíba, recordista no ranking da CIESP, com média de 33 demitidos por dia no último ano. Isso para não mencionar a queda de rendimento dos trabalhadores, como já tratamos aqui.

Essa onda de demissões e o desemprego crescente causa um desligamento muito amplo por parte dos trabalhadores em relação aos planos de saúde privados, aumentando significativamente a procura pelo SUS. Ou seja, justamente o SUS que já sofreu um corte de R$ 2 bi do governo Dilma em março e, nas palavras do novo ministro da saúde do governo Temer, é grande demais, deve atender cada vez mais pessoas nos próximos anos. Durante a 22ª Conferência Mundial de promoção da Saúde, que aconteceu essa semana em Curitiba, especialistas debateram como na Grécia os planos de austeridade com cortes na saúde pública levaram a um surto de AIDS e à maior ocorrência de malária em 30 anos.

Na educação a crise também já está instalada, mas vem sendo enfrentada por estudantes, trabalhadores e professores em diversos estados do país. Quem partiu na vanguarda foram os secundaristas, ocupando pelo menos 49 escolas no Ceará; 65 no Rio de Janeiro e pelo menos 150 no Rio Grande do Sul, além das 15 escolas técnicas que foram ocupadas em São Paulo. No Rio de Janeiro a greve dos professores da rede estadual já dura quase três meses, assim como a greve na UERJ. Em São Paulo também estão em greve a USP, alguns setores da Unicamp e da Unesp, o que pode se desenvolver para greve unificada das três universidades estaduais paulistas.

Dentro desse conturbado cenário, nessa terça-feira, 24, o governo golpista de Michel Temer, que em menos de duas semanas de existência já sofreu revezes significativos, como a manutenção do Ministério da Cultura, imposta pelas mobilizações de setores do ramo artístico, e a queda de um dos seus ministros centrais, Romero Jucá, após o vazamento de áudios em que tratava das articulações do próprio golpe, após esses tropeços iniciais, Temer e sua equipe anunciaram as primeiras medidas que propõem para a economia. Entre os mais destacados ataques certamente figura a volta da DRU (Desvinculação das Receitas da União), um mecanismo econômico que permite ao governo decidir o quanto gastará com saúde e educação, por exemplo, sem seguir as diretrizes estabelecidas na constituição – é um mecanismo para o corte de verbas. Está mais do que claro qual saída esse governo golpista quer seguir para a crise: descarrega-la toda sobre as costas dos trabalhadores.

Grandes centrais sindicais como CUT e CTB não podem seguir nesse imobilismo

Para enfrentar a crise na saúde, a onda de demissões, desvalorização dos salários e todos os ataques que vem sido desferidos contra os trabalhadores é preciso seguir o exemplo que vem da educação, com greves e ocupações, mas para isso também é necessário que as grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, abandonem definitivamente seu imobilismo criminoso e construam um plano de lutas real a partir dos locais de trabalho e levante a necessidade de uma nova Constituinte contra o conjunto do regime político para que os capitalistas paguem pela crise.

Somente assim seria possível impor um plano emergencial para enfrentar a crise, começando com uma questão sentida pela maioria dos jovens e trabalhadores, que é impedir as demissões e impor que toda fábrica que demita em massa ou que feche seja expropriada sob controle dos trabalhadores; abertura dos livros de contabilidade de toda empresa, como a MABE em Campinas ou a Mecano em Osasco, que ameace demitir alegando queda nos lucros; quando for necessário reduzir a produção seja reduzida a jornada, sem redução de salários; que os salários sejam aumentados automaticamente mês a mês na mesma proporção que a inflação, para barrar a queda no rendimento dos trabalhadores; que a saúde e a educação tenham seu repasse de verbas aumentado com o fim do pagamento da dívida pública, que consome quase a metade do orçamento público e que na verdade já foi paga há anos, persistindo somente devido ao mecanismo de cobrança de juros sobre juros (entenda mais sobre isso aqui).

Como parte dessa resposta à crise econômica e retirada de direitos também é preciso levantarmos uma resposta à crise política, impondo por meio das lutas uma Assembleia Constituinte que acabe com todos os privilégios dessa corja de políticos corruptos, assim como dos juízes, não menos corruptos, que atualmente vem impondo já uma verdadeira reforma constitucional não declarada, pela direita. Ao contrário disso, uma constituinte imposta pelas lutas deveria implementar uma reforma agrária radical no país; legalizar o aborto para proteger a vidas de milhares de mulheres; estatizar todas as universidades privadas para democratizar de fato o acesso ao ensino superior; revisar todos os acordos de entrega dos recursos naturais ao capital estrangeiro a serviço da população, acabe com o pagamento da dívida externa ilegal e ilegítima, revertendo para a saúde, o transporte e a educação essa verba bilionária que vai para os banqueiros internacionais. Abolir o latifúndio e as explorações predatórias das companhias estrangeiras na mineração e na extração vegetal; reforma urbana para resolver o problema das moradias nas grandes cidades e diversas outras demandas da população que esse regime político podre nunca esteve disposto a encarar de verdade.




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