Política

CRISE NO RIO

Pezão paga em dia os milhões para bombas de gás usadas contra os servidores

quarta-feira 8 de fevereiro| Edição do dia

Não existe crise financeira no Estado do RJ quando se trata de reprimir os servidores e a população. Em 2016, os gastos do governo do RJ destinados à compra de bombas de gás lacrimogêneo triplicaram chegando a 1,45 milhões, comparados aos 451 mil gastos em 2015 com armamentos comprados da fábrica Condor S/A Indústria Química. Somados todos os gastos na área de Cabral à Pezão, a fábrica recebeu 17 milhões do estado pagos assiduamente, o contrário de como se trata a folha de pagamento do servidor. A empresa também é responsável pela fabricação de Sprays e Tasers utilizados nas repressões de manifestações.

Para o ano de 2017, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar têm dois contratos em vigor com a empresa, que soma 2,45 milhões. A empresa recebe rapidamente do estado, inclusive mais rápido do que outras prestadoras de serviço, tendo um atraso apenas em agosto de 2016 que foi pago rapidamente dois meses depois, uma incrível disciplina já que era o mesmo ano em que foi decretada a calamidade pública. E isto se deve porque o governo Pezão já esperava reprimir os protestos contra os pacotes de ataque aos trabalhadores e o povo pobre do Rio.

A relação do governo estadual com a Condor é de irmandade, com esta empresa o governo assumiu gastos de 2,52 milhões em 2013, um ano bastante lucrativo para a empresa com Cabral, quando os governos decidiram calar os protestos populares que começaram contra o aumento da tarifa de ônibus na base da repressão policial. Na época estimou-se que cada bomba tinha o valor aproximado de 800 reais, mais do que um salário mínimo!


Pimenta da Condor em ação contra greve de professores em 2013

Se calculássemos como parcelas dos salários, cada bomba que foi atirada contra os servidores que se manifestam legitimamente contra o pacote de ataques de Pezão e Temer, provavelmente conseguiríamos pagar muitas contas de casa atrasadas. Mas o que ocorre é que, além do parcelamento, Pezão quer passar um brutal ataque aos trabalhadores e todo o povo carioca, com a privatização da CEDAE, o teto de gastos de 10 anos em serviços públicos e dobrando a contribuição previdenciária por 3 anos, isto só para citar alguns dos ataques do pacote costurado com Temer.

Por isso também, a repressão é covardemente aplaudida pelos deputados da ALERJ, que estão juntos de Pezão nesta missão de transferir a crise aos trabalhadores, enquanto seguem dando isenções fiscais, mesmo neste ano com 8,32 milhões à Oi e 8 milhões à Claro, engordando os valores que atingiram 200 bilhões nos últimos anos.

Leia também: Se fortalece a campanha "A CEDAE é do povo" no Rio

O pacote de Pezão e Temer, que a ALERJ tentará empurrar com ajuda desta repressão financiada pelo nosso dinheiro, é um brutal ataque contra os servidores e o povo carioca, a proposta começa pela privatização da água, e vai além, com teto de gastos, incentivo às demissões e aumento da contribuição (para uma visão mais completa do pacote clique aqui). A discussão sobre a privatização da CEDAE começa nesta quinta (09), e por isso é muito importante o comparecimento das categorias à manifestação que está marcada para às 12h na ALERJ. É uma verdadeira tentativa de passar a crise para as costas os trabalhadores, enquanto as empresas que receberam isenções fiscais não terão que dar praticamente nada, e tudo isto apenas para que o estado do RJ possam conseguir um novo empréstimo. Ou seja, a dívida pública continuará sendo paga, inclusive as parcelas que estão suspensas por três anos, e a dívida do estado vai aumentar com este novo empréstimo. É uma proposta aonde só quem se dá bem são os banqueiros que concederão os empréstimos e lucrarão horrores com os juros, enquanto o povo e os trabalhadores amargam o custo da crise criada por este governo.

Uma resposta dos trabalhadores só poderá vir da unidade entre as categorias na resistência contra esse ataque atendendo ao chamado dos trabalhadores da CEDAE, pois é a partir dela que se pode conquistar uma correlação de forças favorável aos interesses dos trabalhadores e da juventude. A unificação nessa luta por parte de todos os sindicatos e suas bases, entidades estudantis, parlamentares da esquerda em especial do PSOL, movimentos sociais, devem colocar suas forças para constituir uma importante frente-única que prepare uma resposta à altura, a ser convocada e preparada imediatamente, entendendo que nunca poderemos contar com os policiais por estes motivos e pelos que escrevemos aqui.

Leia também: 8 Motivos para combater o pacote de Temer e Pezão




Tópicos relacionados

Luiz Fernando Pezão   /    Crise no Rio de Janeiro   /    Repressão   /    Rio de Janeiro   /    Política

Comentários

Comentar