Política

ELEIÇÕES 2018

Pesquisas apontam: rechaço a Temer e liderança de Lula em 2018

No dia de hoje, foram divulgadas duas importantes pesquisas para se tentar antecipar o período eleitoral do ano que vem: o rechaço a Temer, e a liderança de Lula em todos os possíveis cenários para 2018.

quarta-feira 15 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Para muitos políticos o ano de 2017 é o prelúdio para o verdadeiro objetivo: as eleições no ano que vem. No dia de hoje, foram divulgadas duas importantes pesquisas para se tentar antecipar o período eleitoral do ano que vem: o rechaço a Temer, e a liderança de Lula em todos os possíveis cenários para 2018.

A primeira delas trata da popularidade de Temer e seu governo, que nunca foram boas, mas despencaram ainda mais. De acordo com o levantamento, a avaliação positiva do governo Temer apresentou queda nos últimos quatro meses e foi para 10,3% Dados anteriores divulgados em outubro do ano passado apontavam uma avaliação positiva de 14,6%.

A queda em muito pode ser atribuída a recente nomeação de Moreira Franco (PMDB) para o cargo de ministro da Secretaria Geral da Presidência da República. Moreira Franco é citado na Operação Lava Jato, mas agora no cargo de ministro passa a ter foro privilegiado.

A nomeação de seu colega investigado para ministro, mesma manobra praticada por Dilma Rousseff com Lula, porém rejeitada pelo STF na época, e permitida agora, também impactou na percepção de casos de corrupção. Para 48,8% o nível de corrupção é igual nos dois governos.

Diante desse cenário, a tentativa de Temer foi emplacar a agenda positiva de seu governo durante a semana. A agenda positiva que contém: o anúncio do saque das contas inativas do FGTS, já anteriormente anunciada; cerimonia de sanção da medida que aprova a reforma do ensino médio, já aprovada no Congresso Nacional; as reformas previdenciárias e trabalhistas já encaminhadas ao Congresso. Na verdade, a agenda considerada positiva por Temer contém apenas pontos destrutivos para a juventude e a classe trabalhadora.

A pesquisa também apurou as perspectivas dos entrevistados para os próximos seis meses em relação ao emprego, renda mensal, saúde, educação e segurança pública. À exceção da segurança pública, a maioria dos entrevistados considera que o cenário irá permanecer igual. Com relação à segurança pública, 46,6% dos entrevistados acham que vai piorar.

A falta de perspectivas otimistas, além de confirmar a falta de confiança no governo Temer, também é o principal elemento para compreender a segunda pesquisa: a liderança de Lula em todos os cenários. De acordo com o levantamento, Lula apresenta hoje 30,5% das intenções de votos contra 11,8% de Marina Silva; 11,3% do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). O senador Aécio Neves (PSDB-MG) aparece apenas como quarto colocado, com 10,1%. Ciro Gomes (PDT-CE) tem 5% e o presidente Michel Temer conta com 3,7%. A soma dos votos branco/nulo ou indecisos chega a 27,6%.

O impeachment de Dilma foi apresentado como a resposta para um cenário de crise gerado pela má administração e corrupção petista. Entretanto, passado mais de um semestre da queda da presidenta e da posse de Temer, o país continua no mesmo cenário, ainda sem mostrar indícios de uma recuperação econômica e com a crise política se alastrando imprevisivelmente.

Nesse contexto de persistente crise política e econômica, Lula e o lulismo, que sempre foram fenômenos políticos maiores do que o petismo, ressurgem como a última imagem de um período de crescimento e estabilidade que o país desde então não conseguiu reencontrar.

Passado o golpe, o PT passou a adotar o discurso de vítima, mesmo não tendo se lançado a luta contra o golpe e organizado com as suas centrais sindicais, a CUT, e no movimento estudantil, uma batalha contra os golpistas. Sendo assim conseguiu recompor boa parte de sua base popular, além do que deixou de ser a mão por trás do chicote, o carrasco responsável por descarregar os ataques sobre a juventude e a classe trabalhadora.

Porém, algumas semanas atrás Lula, em seu discurso de lançamento do 6º Congresso do PT, chamou o partido a superar a fase de combate ao golpe, de "Fora Temer" e até mesmo de combate às reformas e ajustes. Orientou que era o momento de buscar alianças no parlamento. Algumas semanas depois, o resultado foi o quase apoio do PT ao DEM para a presidência da Câmara, e o apoio declarado ao PMDB para a presidência do Senado.

Leia também: O PT que Lula quer: um novo pacto com os empresários?

Desde a eleição de Donald Trump, mesmo todas as pesquisas apontando com toda a certeza a eleição de Hilary Clinton, que as pesquisas passaram a ser vistas com cada vez menos credibilidade. Diante de uma conjuntura dinâmica em que no mundo todo se abriu uma grande crise de representatividade, ainda mais no Brasil que a crise política é ainda mais imprevisível, as pistas que anunciam possíveis desfechos para 2018 são totalmente incertas. A única coisa que a classe trabalhadora pode se agarrar com certeza é na sua capacidade de resistência, como mostra o exemplo dos servidores no estado do Rio de Janeiro.




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