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Pela primeira vez, depois de 80 anos, os trotskistas estão legalizados no Chile

Vamos começar pelo básico. O que é o trotskismo? O que eles comem?, pensaram alguns. É natural que essa palavra esteja tão esquecida e seja desconhecida para a grande maioria dos chilenos. Com perseguição e morte tentaram apagar a história da trajetória dessa corrente.

domingo 2 de abril| Edição do dia

Uma das missões centrais do fascismo e de Stalin (personagem que se pôs na liderança da URSS em seu período totalitário) foi erradicar qualquer coisa que cheirasse a trotskismo no mundo, começando pelo seu mentor León Trotski e por quem se simpatizava por suas ideias.

Com o que já foi falado, já podemos dizer que o trotskismo é uma corrente política e ideológica que luta para que seja os trabalhadores quem governem, e não só em um país, mas sim em todo o mundo.

Nos tempos da União Soviética, quem aderia aos ideais trotskistas, apesar de defender o modelo de produção econômica que impulsionou a revolução proletária de 1917, se posicionaram com uma fervente resistência a Stalin e sua política ditatorial, a qual terminou com qualquer suspeita de oposição e deixando ao redor de 20 milhões de vítimas. Ou seja, defendiam o modelo socialista e a tradição bolchevique, mas não a burocracia estatal que desviou e esmagou a primeira revolução de trabalhadores vitoriosa no mundo.

Esta burocracia, que hoje a podemos ver em minoria nos organismos sindicais e estudantis, ao invés de defender os interesses de seus representados, se aliam com setores empresariais e impedem que os mesmos trabalhadores e estudantes sejam capazes de decidirem por si mesmos.

No Chile, o último partido dessa tendência foi fundado em 1937 e teve entre seus dirigentes Luis Vitale, grande historiador, e Humberto Valenzuela, destacado dirigente operário que concorreu às eleições presidenciais em 1941. Se trata do Partido Obrero Revolucionario (POR), que desapareceu em 1965, quando se dissolveu com outras tendências políticas que deram origem ao Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR).

“Mas isso é coisa do passado, já se passaram uns 100 anos”, “o que isso tem a ver comigo?”, se perguntaram outras pessoas.

Se você é um trabalhador ou trabalhadora, um estudante que aspira à igualdade social ou alguém que luta pelos direitos das mulheres e pela diversidade sexual, o trotskismo poderia lhe interessar. Esta ideologia luta por uma sociedade sem classes, onde não existam empresários e chefes exploradores que lhe roubam todo seu tempo e sua vida, a quem trabalha dia após dia para poder manter sua família ou levar um prato de comida para casa.

Com esse antecedente, pode-se afirmar que ainda que haja passado uma centena de anos, o assunto é mais atual que nunca. Os trotskistas propõem que a sociedade mudará para melhor quando sejam os trabalhadores quem se organizem e tomem seu destino pelas suas próprias mãos.

Um exemplo próximo de como atuam os trotskistas está acontecendo na Argentina, onde o trotskismo assentou fortes raízes nesses últimos anos, se destacando por ser parte da expropriação de fábricas que hoje funcionam sem patrões e é administrada pelos próprios trabalhadores. As FasinPat, entre as quais se encontra a fábrica de cerâmica Zanon e a gráfica Madygraf, são uma referência a nível mundial provando que é possível o trabalho sem chefes. Cabe destacar que no Chile houve uma experiência parecida com os cordões industriais que duraram até o golpe militar sangrento de 1973, liderado por Pinochet.

No país transandino (Argentina), está conformada a Frente de Esquerda, a qual se tem destacado por impulsionar uma política de que todo político deva ganhar o mesmo que uma professora, que o salário mínimo deva ser igual a cesta básica familiar e o fim da terceirização do trabalho, conhecida no nosso país como o subcontrato. Assim também como o direito à saúde e à educação gratuitas.

Esta corrente também é conhecida por lutar pelo direito das mulheres em cada país onde se encontra, colocando-se na linha de frente do atual movimento por Ni Una Menos (Nenhuma a Menos). Também, entre suas principais características têm como princípio a independência de classe, isto quer dizer que nos negamos a fazer alianças com setores empresariais ou patronais. E é aqui que nos diferenciamos de outras correntes da esquerda como o Partido Comunista Chileno e a Frente Ampla.

De uma forma mais geral, o trotskismo aspira a reconstruir a IV Internacional, uma organização onde se agrupem dirigentes políticos da classe trabalhadora para lutar em todo o mundo por uma sociedade sem classes e sem exploração.

Hoje, em meio a uma efervescência política e social no Chile, está na ordem do dia a emergência de novos partidos e organizações por fora dos partidos tradicionais, altamente questionados, como Chile Vamos e a Nova Maioria. É nesse contexto, que depois de 80 anos os trotskistas voltam à cena legalmente para ser parte da política nacional e ampliar a voz das trabalhadoras e trabalhadores.

Assim é como o Partido dos Trabalhadores Revolucionários (PTR) deu início a um processo de legalização, para surgir como uma alternativa anticapitalista aonde possa organizar os trabalhadores, as mulheres e a juventude, e construir um verdadeiro partido revolucionário na qual possam confluir diversos setores e organizações da classe trabalhadora.




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