Mundo Operário

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Paulinho da Força defende reforma da previdência contra os trabalhadores em pleno 1º de Maio

Presidente da central Força Sindical discursou contra greve geral, em defesa de partes da reforma da previdência e apontando aliança com governo Bolsonaro. MRT se retirou antes do discurso de direita do sindicalista traidor.

quarta-feira 1º de maio| Edição do dia

Deputado federal pelo Solidariedade e presidente nacional da central sindical Força Sindical, Paulinho da Força assumiu, em cima no caminhão de som em manifestação neste 1º de Maio, que “Se não temos força para parar, a rua nos dá força de negociação para fazer uma reforma justa, que garanta direitos e combata privilégios”, ou seja, a defesa de “alguns aspectos” da reforma da previdência, em acordo com Bolsonaro, ao invés de rechaçá-la por completo e de fomentar a luta contra o governo.

Veja denúncia de Felipe Guarnieri, operador de trens do metrô de São Paulo:

A manifestação foi convocada, pela primeira vez na história, por todas as centrais sindicais em unidade, e Paulinho esteve na Praça da Sé, em São Paulo. Apesar de ter sido convocada em unidade, o que se viu na manifestação não foi a unidade da defesa dos trabalhadores; ao contrário: foi a expressão de que as direções das centrais sindicais não têm como objetivo rechaçar o conjunto da reforma da previdência que vai atacar o conjunto dos trabalhadores e da população; vai atingir em cheio professores, funcionários públicos, trabalhadores rurais, jovens trabalhadores recém ingressantes no mercado de trabalho informal e principalmente a população mais pobre.

Ricardo Patah, presidente da UGT, não teve sombra de escrúpulos ao afirmar que "Sou contra a greve geral, sou a favor do diálogo, por isso fui falar com o Bolsonaro. Acho que greve é um instrumento constitucional, mas só deve ser utilizada quando o diálogo for exaurido”. Como se o governo Bolsonaro estivesse aberto a algum tipo de diálogo com os trabalhadores! Como se o papel das direções sindicais fosse “esperar” o momento oportuno - lê-se: esperar os trabalhadores sucumbirem com o desemprego e a miséria - para travar uma batalha contra a retirada dos nossos direitos!

Felipe Guarnieri expressou seu repúdio: "As centrais sindicais, não satisfeitas com toda a sua paralisia diante dos incontáveis ataques que estão promovendo as diferentes alas do governo Bolsonaro, são sujeitos de negociar com Bolsonaro uma reforma que atende aos moldes ditados pelo mercado financeiro e pelas exigências internacionais, retirando nossa possibilidade, no marco da crise econômica com tantas demissões e desemprego, de ter aposentadoria. Isso é inadmissível."

É nesse mesmo espírito de aliança com a direita que quer arrancar toda nossa dignidade que as centrais sindicais tiveram a inadmissível capacidade de convidar Bruno Covas para participar da manifestação de hoje, no Dia dos Trabalhadores, o que foi rechaçado pelos metroviários de São Paulo e pelos trabalhadores da USP, a partir de iniciativa do MRT. Convidaram esse mesmo Bruno Covas que foi quem aplicou o Sampaprev, ou seja, a reforma da previdência a nível municipal aos trabalhadores de São Paulo. Covas também fez de tudo para atacar e perseguir os trabalhadores grevistas, com ameaças de corte de ponto. Covas, assim como Dória, garantiu que a crise fosse descarregada em cima dos trabalhadores.

O bloco de trabalhadores, mulheres e jovens impulsionado pelo MRT se retirou da manifestação antes mesmo de começar o discurso de direita de Paulinho da Força.
A política que o MRT, o Movimento Nossa Classe, assim como o grupo de mulheres Pão e Rosas e a Juventude Faísca defendem é o mais profundo repúdio ao conjunto da proposta de reforma da previdência que querem implementar o governo Bolsonaro e os capitalistas nacionais e estrangeiros. É preciso repudiar o conjunto dessas medidas que quer descarregar a crise econômica nas nossas costas.




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