NOSSAS VIDAS VALEM MAIS QUE SEUS LUCROS

Patrões, congresso corrupto, judiciário privilegiado: nossas vidas valem mais que seus lucros

Eles fizeram o que bem entendiam como necessário para destruir os direitos dos trabalhadores, conquistados na base do sangue e da luta. Suas riquezas, supersalários, esquemas de corrupção e demais regalias, financiadas com o nosso suor, são usados pelos capitalistas contra nós no sentido de tirar nossas condições de vida para garantir o lucro de uma centena.

Ítalo Gimenes

Campinas

quinta-feira 13 de julho| Edição do dia

Nessa terça-feira, o Senado aprovou a Reforma Trabalhista com base em um discurso demagógico e mentiroso de que seria uma forma de dar direitos aqueles trabalhadores que não tinham, além de “modernizar” as relações de trabalho depois de anos de CLT. Anos esses que, ao contrário do que afirmam, serviram para os patrões, com ajuda dos políticos e juízes, violarem descaradamente a legislação inventando formas novas de exploração.

Veja o “antes e depois” da Reforma Trabalhista, 12 das centenas de mudanças que a corja de corruptos que nunca trabalharam fizeram para os patrões roubassem ainda mais o nosso suor e sangue: Antes e depois da reforma: 12 mudanças para te tirar a vida e garantir o lucro patronal

Ficou explícito na mídia após as delações da Lava-Jato que os grandes empresários como Joesley Batista, da JBS, tem a prática comum de comprar políticos (no seu caso 1/3 de todo o Congresso), seja de forma ilegal ou direta através de financiamentos nada desinteressados de campanha, de modo que o Congresso trabalhe conforme as suas “necessidades” de lucrar ao máximo, mesmo que isso custe direitos, o tempo livre, ou seja, as condições de vida de quem realmente trabalha e sustenta suas riquezas.

Aprovam uma reforma que vem no sentido de aumentar nosso tempo no trabalho, dizendo que não precisamos de tempo livre para estudar, ver os amigos, ou mesmo descansar da rotina exaustiva. O Estado como um “balcão de negócios” da burguesia, nunca esteve antes tão escancarado, e estamos vendo a negociação das nossas condições de vida em troca de que os patrões saiam com seus bolsos ainda mais cheios depois do expediente, mesmo que isso signifique que os trabalhadores saiam ainda mais exaustos, mutilados, e recebam um salário de miséria.

Raphael Mouro, neste artigo, expressou o que há de mais profundo com a aprovação dessa reforma: “Essa medida é o absurdo do capitalismo, onde alguns poucos gozam a vida, enquanto tentam cada vez mais fazer com que toda a classe trabalhadora, milhões de pessoas, vivam em condições miseráveis, tendo que trabalhar até a morte sem tempo para viverem as próprias vidas de forma digna”.

Não é por mérito ou mera coincidência que tantos políticos e juízes, a maioria deles sem nunca terem trabalhado na vida, além do que tiram “por fora” em esquemas de corrupção junto aos grandes empresários, tenham salários mensais que um trabalhador comum não consegue receber em um ano. Além dos salários milionários, eles recebem tantos auxílios que não precisam se preocupar nem mesmo com dinheiro para os ternos e casas luxuosas que vivem. Além de poderem tirar duas férias no ano e "trabalharem" (entre muitas aspas) de segunda a quinta, quanto muito.

Saiba quem são os senadores que aprovaram a reforma trabalhista e o que eles ganham rasgando a CLT.

Tudo isso em troca de que? Reformas que retiram direitos, cortes nos serviços públicos, leis que diretamente ampliam a exploração do trabalho, enquanto a dívida com banqueiros (fonte de lucro desses agiotas), que consome 40% dos recursos públicos do país, nunca é sequer mencionada, quanto menos questionada. Nos lucros deles os políticos não mexem, pelo contrário, mexem apenas naquilo que atrapalha que esses lucros cresçam, portanto nos direitos, no tempo livre, nas férias, no salário, nas condições de trabalho, por fim, na vida de quem trabalha.

Juízes legislam em base a arbitrariedade, como prender Lula sem provas (também como tentativa de desviar o foco da aprovação da Reforma Trabalhista), e no mesmo dia soltam outros corruptos comprovados, como Geddel. O próprio Joesley Batista, cuja delação vinculou seus esquemas de corrupção a Temer, está livre e solto pelos Estados Unidos, expandindo seus negócios corruptos. Mas que principalmente encarceram a população pobre sem julgamento, legislam contra as greves e direitos sociais.

Não dá para acreditar que a Lava-Jato combate a corrupção desse jeito, mas apenas busca fortalecer os instrumentos autoritários que sempre utilizaram fora da política, nos morros e favelas, nas fábricas e nas greves, trocando um esquema de corrupção por outro. Prendem a juventude negra sem julgamento, como fizeram com Rafael Braga por portar Pinho Sol, proíbem o direito de greve, de luta contra a extorsão desenfreada dos patrões, enquanto eles mesmos tem largas férias, regalias, salários nunca antes sonhados por uma família de trabalhadores.

Como explicamos detalhadamente neste outro artigo, os juízes, em especial da Lava-Jato, fazem das suas investigações uma forma de facilitar que as reformas e outros ataques que interessam aos patrões sejam aprovados: Provas e conviccoes, o que a justiça quer é ajudar um sistema melhor ainda para os ptrões

Em resumo, os fenômenos políticos recentes, ligados a aprovação das reformas e à investigações da Lava-Jato, não passam de uma grande articulação entre os patrões, os políticos corruptos, os juízes privilegiados, por de trás das manchetes dos grandes jornais, para arrasar com os direitos dos trabalhadores. Anunciam aos sete ventos que nossas principais conquistas históricas, arrancada através de muitas greves e enfrentamento contra os patrões e essa corja toda do governo, como verdadeiros problemas para a acumulação de riqueza por parte dos patrões. Nós do Esquerda Diário e do MRT queremos defender junto aos trabalhadores que:

Nossas vidas valem mais que os lucros dos patrões!

Apostamos por isso que a força da mobilização da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e dos LGBTs, seja a resposta para derrotar todas as reformas, a corrupção e os privilégios. É preciso que os trabalhadores tomem a luta contra as reformas nas suas mãos, pois estamos vendo nossas direções sindicais boicotarem e abandonarem a nossa luta. A Força Sindical, mesmo após aprovada a Reforma Trabalhista, quer que confiemos no governo Temer, pois ela está, pelas costas dos trabalhadores, negociando que o imposto sindical que sustenta o Paulinho da Força e outros burocratas (inclusive da CUT e CTB que são cúmplices), continue existindo.

A CUT e a CTB tem conscientemente boicotado as últimas tentativas de luta, como a greve geral do dia 30 de Junho. Quiseram transformar nossa resistência às reformas em pressão parlamentar para negociar reformas mais “moderadas” e a pauta das "Diretas Já". Hoje, mesmo com a Reforma Trabalhista aprovada na terça, chama atos em defesa de Lula, ignorando a sua tarefa de construir um plano de luta contra as reformas para fazer pressão aos juízes, os corruptos da direita.

Saiba mais: Por que a CUT e CTB não movem um dedo contra as reformas?

Com a força dos trabalhadores, podemos impor uma nova Constituinte que tenha como primeira tarefa revogar a Reforma Trabalhista, os demais ataques do governo Temer, mas também outros ataques aprovados nos governos do PT e anteriores. Além disso, essa Constituinte deve ter a tarefa de estatizar todas as empresas corruptas como JBS e Odebrecht, colocando-as sob controle dos trabalhadores, assim como acabar com os privilégios salariais dos políticos, fazendo-os ganharem igual a um trabalhador e terem seus mandatos revogáveis a qualquer momento. Uma Constituinte que, diferentemente das intenções dos patrões, juízes, e políticos, inclusive os do PT, faça com que esse regime podre encontre a sua cova na força da mobilização dos trabalhadores, e não se restabeleça para seguir atacando os nossos direitos e condições de vida.




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