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AVIAÇÃO -

Passagem aérea aumenta após 1 ano de cobrança de bagagens. ANAC e empresas aéreas mentiram

Ganham os capitalistas da aviação e perdem os usuários e trabalhadores de um dos setores mais precarizados do país.

sexta-feira 1º de junho| Edição do dia

Fotos: Acervo ED

Como era previsto e já apontávamos aqui, o discurso vendido há um ano pelas empresas aéreas e corroborado pela ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, que modificou a lei – a cobrança de taxas sobre bagagens despachadas supostamente resultaria em queda nos preços das passagens, ou seja, propaganda enganosa para aumentar as taxas de lucros das empresas. Ganham os capitalistas da aviação e perdem os usuários e trabalhadores de um dos setores mais precarizados do país.

Dados divulgados pela própria ANAC apontam que nos últimos 12 meses as passagens aéreas tiveram aumento real de 6%, já descontado a inflação. Exatamente no período prometido pela ANAC e cias aéreas em que usuários já sentiriam a mentirosa queda no valor das passagens. É ainda mais absurdo se considerarmos que somente a taxa cobrada pelo volume de 23Kg aumentou 67%, escandalosamente acima da inflação que fechou em 2,45%.

Gol, LATAM, Azul e Avianca, descaradamente cobram a taxa e aumentam as passagens, e tudo isso garantido pela ANAC que teoricamente deveria “regular” os abusos de preços. Mas, não poderia ser diferente, já que a Agência funciona mais como uma correia de transmissão entre a submissão e o entreguismo do governo golpista de Temer com os interesses dos grandes capitalistas, como vimos no caso recém do conflito pelo diesel e o favorecimento dos grandes empresários do transporte e na sana do governo Temer em privatizar e entregar a Petrobrás.

A associação das empresas aéreas, a ABEAR – sindicato patronal – e ANAC agora se defendem pedindo 5 anos para que se possa “sentir” a redução das passagens. Como se dentro deste período os usuários já pudessem esperar ainda mais aumentos.

Fotos: acervo ED

Governo enriquece capitalistas da aviação sugando usuários e trabalhadores do setor ao limite.

Enquanto Temer vai enriquecendo os capitalistas de um dos setores mais lucrativos do mundo e os passageiros não têm qualquer avanço nos benefícios e estruturas para viajar, os trabalhadores da aviação seguem na lista da precarização.

Não são poucos os exemplos que geram revolta já que a reforma trabalhista e a lei de terceirização impostas pelos golpistas vão de vento em popa nos aeroportos do país. Enquanto aumentam a taxa de lucro, empresas aéreas desde que tiveram a carta branca do congresso e do judiciário avançaram nas demissões de trabalhadores efetivos para a “troca” na contratação de terceirizados com salários menores, quase sem benefícios, favorecendo empresas que quase uma vez por semestre fecham as portas com demissão em massa sem pagar os direitos dos trabalhadores e descaradamente reabrindo novas empresas, através dos mesmos capitalistas, com novos nomes e “projetos”. Tudo isso corroborado pelo sistema judicial trabalhista, que agora praticamente só existe para inibir os trabalhadores de processarem a empresa e seus abusos.

Já para os efetivos a reforma trabalhista apareceu cruelmente nas demissões em massa, nas escalas desumanas com o absurdo ataque de retirada de folgas e na mudança de pagamentos de horas extras para banco de horas, processos de precarização que coloca cada vez mais a aviação em risco e que tem gerado protestos, greves e paralizações dos trabalhadores do setor.

Ou seja, esta cada vez mais claro que governo e empresários estão alinhados nas trocas de favores para se favorecerem na busca pelo aumento dos lucros em meio à crise, utilizando a estratégia de passar as contas para que usuários e trabalhadores paguem pela crise que eles mesmos são responsáveis.




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