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Partido de Macron conquista uma ampla vitória nas eleições legislativas

O partido do presidente francês supera amplamente seus adversários. Em segundo lugar ficam os republicanos da centro-direita. A abstenção supera 50% do censo eleitoral.

segunda-feira 12 de junho| Edição do dia

O partido do presidente francês, Emmanuel Macron, conquistou neste domingo o primeiro turno das eleições legislativas, base para alcançar o que pode ser uma vitória histórica, que permite a ele obter uma maioria absoluta no parlamento.

Seu partido, A República Em Marcha (AREM), que apresentou candidatos de uma mescla de políticos provenientes de grupos socialistas e conservadores junto a figuras pouco conhecidas da sociedade civil, obteve 32% dos votos, quando a apuração alcançava 90% dos votos.

Esse total só se traduzirá em um grande número de cadeiras no Parlamento se conseguir revalidar os resultados dentro de uma semana. No sistema eleitoral francês os candidatos mais votados se enfrentam em embates de dois ou três no segundo turno. O partido de Macron tem muitas possibilidades de conseguir a maioria.

Se o resultado se repetir, o partido de Macron, que há pouco mais de um ano nem se quer existia, conseguirá entre 390 e 445 deputados, mais de cem sobre a maioria absoluta (289).

Outros dados que chamam atenção são a caída dos Republicanos (partido de centro-direita do ex-presidente Sarkozy) que, com cerca de 20%, tem perspectivas nada promissoras para uma Assembleia Nacional que há cinco meses se preparavam para dominar. Se os resultados deste domingo forem similares no segundo turno, conseguirá entre 85 e 125 cadeiras dentro uma semana.

Pior se apresentou o panorama do ultradireitista Frente Nacional, que com 14% de votos fica longe de seu objetivo de alcançar o segundo turno com 15 cadeiras, que lhe assegurariam poder formar um grupo parlamentar.

Sem dúvidas o pior resultado é o do Partido Socialista, que fica por volta dos 9%, prejudicado pela ascensão de Jean-Luc Mélenchon e de sua França Insubmissa (com 11%).

Alguns dos principais nomes do socialismo francês, como o candidato das últimas eleições presidenciais, Benoît Hamon, ou o líder atual do partido, Jean-Christophe Cambadelis, ficaram com suas aspirações nas eleições legislativas freadas ao não conseguir superar o primeiro turno.

“O sabor amargo dessa noite”, indicou em um breve relato à imprensa, não apaga seu compromisso “de seguir lutando” pelos mais desfavorecidos. Evidentemente o PS francês está pagando o descontentamento que gerou a política de ajuste aplicada pelo ex-presidente Hollande, e o futuro desse partido se assemelha a seu par na Grécia (PASOK).

Os resultados formam um panorama favorável para a agenda de reformas e ajustes de Macron, que pretende tocar em assuntos sensíveis como a lei do trabalho e a da educação primária.

Entretanto, um dado destacável é a baixíssima participação eleitoral: somente 49% dos franceses foram às urnas neste domingo. O resultado marca um recorde histórico de abstenção na V República (fundada em 1958) e fica abaixo do resultado anterior, que foi de 57%, há cinco anos.

Entre os derrotados, a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, opinou que a falta de participação havia “penalizado” a sua formação, e pediu acudindo massivamente a todos os “patriotas” que votassem no próximo domingo, para frear a disparada da AREM.

Semelhante discurso foi feito pelo responsável da campanha dos Republicanos, François Baroin, que convocou à sociedade uma “mobilização” no segundo turno para evitar que “somente um partido” concentre todo o poder.

O resultado deverá se consolidar no segundo turno, porém a alta abstenção segue mostrando que Macron não tem carta branca. A eleição volta a mostrar a “crise de regime” ou a agudização da crise orgânica e o começo da cisão de amplos setores com os partidos tradicionais, os mais afetados nessas eleições legislativas.

tradução de Lara Zaramella




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