Juventude

FRANÇA LUTA ESTUDANTIL

Paris: assembleia de estudantes secundaristas contra a violência policial

No dia 25 de Março, centenas de estudantes reuniram-se em frente do Liceu Bergson de Paris para protestar contra a violência policial com os estudantes secundaristas

quarta-feira 30 de março de 2016| Edição do dia

Um dia depois da jornada de luta estudantil de 24 de Março, centenas de estudantes se concentraram novamente em frente ao estabelecimento escolar localizado no bairro 19 de Paris: alunos vindos de outras escolas, estudantes do Henri Bergson e pais de alunos.

A manifestação tinha como objetivo protestar contra a violência policial cometida em frente à escola no dia anterior em decorrência de um bloqueio contra a lei de reforma trabalhista.

“Não somos animais”. Com estas palavras um estudante do colégio Henri Bergson expressou sua indignação contra a violenta repressão exercida na manhã de ontem em frente ao estabelecimento.

Outro estudante explicava que “o ambiente era tranquilo em comparação a outros bloqueios que já foram feitos antes, havia somente ovos e farinha, mas não era contra os policiais. De repente, agarraram um estudante que estava tranquilo em uma esquina, escutando música e discutindo com seus companheiros. Não nos agradou, porém não tivemos tempo de reagir à uma violência que se abateu contra nós como nunca havíamos visto”.

De acordo com um estudante do segundo ano, a cena que aparece no vídeo que viralizou na internet não é mais do que uma pequena amostra do que eles viveram.

“Não nos deixaram filmar com nossos celulares, e como não podíamos filmar, vinham e nos ameaçavam, nos diziam que se não parássemos iam nos levar para trás do caminhão da polícia que estava estacionado ali e que iam nos pegar, violar e matar.”

No dia seguinte da cena de violência policial e do escândalo gerado pela difusão do vídeo na internet e na mídia, o subchefe da polícia deslocou-se até a escola para “dar explicações” diante dos estudantes.

Porém alguns não estavam de acordo: “se eles querem vir falar com a gente, que venham aqui, na porta da escola. Nós estamos aqui para protestar contra o que ocorreu”.

Alguns minutos mais tarde, os secundaristas e outros estudantes do movimento autonomista chegaram e propuseram fazer uma manifestação. Desconfiados a princípio, em torno de 400 alunos partiram finalmente na caravana, porém uma boa parte voltou no momento em que uma minoria se dirigia ao comissariado. “Não é o que queremos fazer, só queríamos denunciar o que passamos ontem, mostrar à imprensa a maneira como a polícia nos tratou”.

Reunidos novamente em frente à escola, alguns alunos aceitaram a proposta da direção de fazer uma assembleia geral dentro da escola. Estudantes vindos de outros estabelecimentos foram bloqueados na entrada e impedidos de mostrar sua solidariedade com os alunos de Bergson.

Porém, uma simples barreira não nos impedirá de continuarmos nos solidarizando com Adam e todas as outras vítimas de violência policial. Nem sua repressão nos impedirá de lutar até o fim contra a lei de reforma trabalhista e a destruição de nosso futuro.

Autor: Nathan Bolet, estudante secundarista de Paris.




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