Política

#28A

Paramos o pais com a Greve Geral, como seguir até derrotar Temer e suas reformas?

O dia de Greve Geral terminou e marcou a entrada em cena da classe trabalhadora apesar das suas direções burocráticas e os esforços da mídia, aliada e porta-voz dos ataques do governo, em diminuir os atos e transformar a greve geral apenas em ações de alguns sindicalistas. Mostra de uma defensiva própria de um momento onde o governo não pode recuar mais, com o perigo de que abra caminho para uma situação muito mais dura da luta de classes, com os trabalhadores moralizados e sentido de novo sua própria força social. Como seguir para derrotar os ajustes e derrubar Temer, sem deixar que essa força seja desviada, uma vez que não iremos obter pela via eleitoral o que não impusermos pela luta de classes.

domingo 30 de abril| Edição do dia

Assistindo o noticiário, ou lendo os jornais é perceptível seu caráter aliado, não do governo em si, mas de seus ataques, o que é totalmente funcional ao governo. Questão é que ambos tiveram uma linha de diminuir os protestos e tentar desmoralizar a greve por duas vias centrais: falar que os atos foram menores que o esperado, composto por “baderneiros”, de forma a esconder a ação operária na greve. E outra transformando a Greve Geral em uma ação de sindicalistas que “impediram” as pessoas de ir trabalhar, e que paralisaram para defender seus privilégios e não uma ação dos operários.

O ministro da secretaria geral da Presidência, Moreira Franco, afirmou que “Pela expressão numérica, nos anima a continuar no esforço de tirar o Brasil da maior crise econômica da história”. Além do fato de o ministro “ilustríssimo” usar o termo trabalhar de maneira totalmente equivoca, já que eles não trabalham, e sim atuam para atacar os direitos trabalhistas e sociais. O ministro cria um falso animo no governo, com a suposta baixa adesão aos atos.

Oministro da Justiça, Osmar Serraglio, durante o meio do dia na ânsia do governo em falar que a greve não teve peso, já declarava que o movimento era fraco. E no decorrer do dia aprofundou seu discurso reacionário afirmando que se tratava de baderneiros. Discurso rebatido pelo metroviário Felipe Guarnieri.

As declarações tentaram passar um ar de normalidade e ainda de um suposto ânimo, contrastaram com a ampla adesão à greve de diversas categorias, principalmente nos transportes,indústria e petroleiros, setores estratégicos, mas também professores, bancários, saúde, universidades e outras, as cidades ficaram completamente vazias, mostrando também o apoio popular que saiu da rotina de trabalho para aderir a paralisação.

Ou seja, nada estava “normal” nesse dia 28, e menos ainda o governo está animado. Temer soltou apenas um comunicado de 2 parágrafos contra a greve e dizendo que garantiu o “amplo debate”, literalmente “forçando a barra” na sua orientação patronal que vem votando os mais duros ataques como a já aprovada terceirização e reforma trabalhista. Outro fator que mostra sua defensiva é que o governo não deve dar pronunciamento nesse primeiro de maio, onde tradicionalmente os presidentes soltam declarações aos trabalhadores.

Temer esta em uma corda bamba, com 4% de aprovação, esta tentando de tudo para passar os ajustes, no dia 28 Renan Calheiros foi ameaçado de perder seu cargo no PMDB caso continue se enfrentando com Temer. Pressionado pela Lava Jato por um lado, por outro pela força dos trabalhadores, e com sua base parlamentar em crise preocupada com as eleições de 2018 e com o desprestigio popular crescente. A reforma da previdência é o ataque mais esperado pela burguesia, contudo com a grande resistência operária abriu uma batalha decisiva, Se Temer recua corre o risco de cair pelos métodos operários, moralizando os trabalhadores, mas também não tem força para impor os ajustes sem despertar mais resistência operária.

Nesse momento organizar os próximos passos é fundamental, construindo uma greve geral até derrubar Temer, e imponha uma assembléia constituinte livre e soberana que revogue todas as medidas desse governo, e avance em medidas anticapitalistas, como a divisão das horas de trabalho sem redução de salário para garantir emprego a todos. Revogue a lei da terceirização e incorpore todos os terceirizados, acabe com o pagamento da divida aos bancos, estatização das empresas privatizadas por Fernando Henrique, Dilma, Lula, Temer e outros. Uma assembléia constituinte que faça os capitalistas pagarem pela crise.

Milhões de trabalhadores pararam nesse 28, é isso que o governo teme e quer esconder

Ao focar na discussão numérica dos atos, o governo tenta esconder seu maior problema,que foi a força da Greve Geral. Entramos na segunda “via” do governo de desmoralizar a greve geral, e nesse ponto com muito apoio da mídia: o discurso anti-sindical. O jornal O Globo que em seu editorial afirmou que as pessoas não foram trabalhar por conta do corte nas vias, igualzinho a declaração de Temer que afirmou “Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente”. Querem tirar o caráter consciente da greve dos trabalhadores.

Esse argumento segue tirando o caráter operário da paralisação e o transforma em ações de poucos sindicalistas. Merval Pereira, um dos mais “célebres medíocres” da Globo disse que a greve não foi “nem espontânea nem popular...As pessoas querem trabalhar. Não é uma greve espontânea, do povo revoltado que resolveu protestar e sim de sindicatos e de corporações que estão perdendo regalias. Tenho a impressão de que essa greve não vai influenciar as votações no Congresso porque ela não é uma manifestação popular”.

Assim o governo tenta dividir os métodos operários, como as greves, dos atos e demandas populares, por outro lado transformar tudo em ações sindicalistas que estariam defendendo demandas de privilegiados corporativistas. Essa divisão é funcional para impedir que o movimento operário ganhe hegemonia, mas ao mesmo tempo entra num flanco deixado pela burocracia sindical. Uma vez que se de fato a Greve mostrou uma força bruta dos trabalhadores, também poderia ter sido muito maior e mais organizada e com objetivos que se enfrente com a exploração capitalista.

Dia 28 foi histórico, precisamos impor que as centrais preparem uma greve geral até a derrubada de Temer e os ajustes

A Greve Geral desse dia 28 foi em grande parte fruto da pressão das bases para que as centrais façam algo, e esse dia mostrou que é possível ir por muito mais. Contudo aburocracia sindicalatua como um freio para que a força operária avance em saídas mais revolucionárias e organizadas pela base, colocando nas mãos de cada trabalhador os rumos das lutas. Centrais como a Força Sindical diretamente patronal precisaram aderir à greve principalmente pela pressão da base, mas também para defender os privilégios burocráticos, como o imposto sindical, ameaçado pela reforma trabalhista. Por outro lado a CUT e CTB, querem transformar a indignação com o governo em força eleitoral para Lula em 2018.

Inclusive a Força Sindical no próprio dia 28 já anunciava que iria negociar com Temer, atuando totalmente contra os interesses dos trabalhadores. A burocracia que não incentiva a auto-organização e o ativismo operário abre espaço para o governo atacar os trabalhadores e os sindicatos com todo ódio. Dória (PSDB) prefeito de São Paulo, nesse dia 28, foi dos políticos que mais destilaram sua política anti-sindical e de ódio aos trabalhadores, falando que o Brasil é de cidadãos e não de sindicalistas preguiçosos, alegando que as centenas de milhares de pessoas que foram aos atos foram pagas. Elogiado por Temer, Dória é o político-patrão que quer se firmar como nova direita para a burguesia aplicar ataques mais duros, chegando até mesmo a proibir manifestação de primeiro de maio na Paulista.

Assim para derrotar o Temer e seus ataques é preciso superar esses freios, resgatar os sindicatos para que sirvam para a luta dos trabalhadores. Precisamos impor às direções da CUT e a CTB construam ações que preparem uma greve geral até derrubar Temer, e não para para preparar ações de barganha para pressionar o parlamento a amenizar os ataques, não buscar derrotar completamente as reformas e Temer e avançar num questionamento ao capitalismo que obriga aos trabalhadores horas de trabalho, acidentes, miséria, para alguns poucos lucrarem. Para dar esse passo precisamos tomar em nossas mãos os rumos da luta, precisamos construir um Encontro Nacional de delegados de cada lugar de trabalho que imponham esse plano de luta. A greve geral do dia 28 abriu caminho, podemos vencer.




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