MASSACRE EM PARAISÓPOLIS

Paraisópolis e o povo negro gritam basta de nos matar: abaixo o pacote do Moro e Bolsonaro

Na madrugada desse domingo dia 01/12 em Paraisópolis na zona sul de São Paulo, policiais invadiram o baile funk que fica localizado na comunidade, segundo os depoimentos de testemunhas a polícia já chegou ao baile reprimindo os moradores e não houve troca de tiros. A polícia mais uma vez entra em uma favela com sangue nos olhos contra os negros e pobres, nessa ação policial violenta nove jovens foram assassinados pela mão da polícia, com autorização do atual governador do Estado de São Paulo, Doria.

sexta-feira 6 de dezembro de 2019| Edição do dia

Foto: Mídia Ninja

Em menos de duas semanas de liberdade do Dj Renan da Penha, jovem negro e DJ de bailes funk’s das favelas cariocas, que foi preso pelo autoritarismo e racismo dessa justiça burguesa que é responsável pelo encarceramento em massa da juventude negra e pobre. A prisão do Renan da Penha claramente é uma expressão do racismo no nosso país. Um país que criminaliza a cultura negra prendendo os jovens negros e em casos mais extremos assassinando de forma violenta esses jovens , como aconteceu em Paraisópolis. A juventude favelada que existe atualmente nas favelas do Brasil tem o baile funk como um espaço de divertimento, dança e música. Mesmo sendo um espaço bastante precário o baile funk em muito dos casos é o único espaço que os favelados têm para se divertirem, poucos jovens moradores de favelas tem dinheiro para curtir as boates do asfalto.

Nessa semana durante prêmio Brasileiros do ano, da Revista Istoé, Rodrigo Maia, presidente da câmara dos vereadores anunciou a votação do pacote anticrime do Ministro da Justiça Sérgio Moro e do presidente J. Bolsonaro. O pacote, aprovado na câmara por 408 votos a favor, 9 contrários 2 abstenções, oferece ainda mais legitimidade aos assassinatos cometidos pela polícia. Com ele essa polícia que sempre foi uma instituição a serviço dos interesses das grandes elites e abertamente racista, vai poder intensificar o seu papel assassino, repressor e o encarceramento dos negros e pobres nas favelas de todo Brasil. Todo pobre e favelado sabe dos abusos cometidos pela polícia dentro das favelas com os trabalhadores e juventude da favelada. A polícia quando entra nos morros e comunidades, não respeita as crianças, os trabalhadores e a juventude, com o pacote anticrime, terá ainda mais autorização para ser mais violenta e assassina. E quem se prejudica brutalmente com isso é o conjunto da classe trabalhadora, as mulheres negras que choram seus filhos e a juventude que tem seus sonhos arrancados a bala.

Casos como a chacina desse domingo no Baile funk que a polícia arrancou a vida de nove jovens, caso da Agatha, uma criança negra morta por um tiro de fuzil de um policial, caso Benjamin um bebê de poucos meses que foi morto em casa por uma operação militar na rocinha e sua mãe foi impedida por uma caveirão de socorro seu próprio filho, caso de Jennifer criança negra morta na porta de casa na zona norte do Rio, em Triagem. Se somam aos mais de 1546 assassinatos só no Rio de Janeiro só este ano, números que mostram a realidade desta instituição responsável por bater recordes de assassinatos.

O pacote "anti crime" de Moro na prática significa avançar com a impunidade de policiais assassinos e se soma com a política de Witzel, que aprovou em Diário Oficial, a não contabilização das mortes cometidas por policiais (Índice de Letalidade Violenta) um dos indicadores estratégicos para análise da criminalidade no estado. Essas medidas são grandes ferramentas para legalizar, legitimar e fortalecer o massacre estatal da população negra e periférica.

Políticas como de Witzel, Moro e do governo Bolsonaro de conjunto, apoiada na repressão policial é expressão de um aprofundamento do racismo que estrutura o nosso país. A direita se apoia na falsa propaganda de "segurança" e "guerra às drogas", para fazer jorrar sangue negro, de crianças, jovens e trabalhadores nas favelas cariocas e periferias de todo país. Escandalosamente o PT e parlamentares do PSOL (como Marcello Freixo) seguiram estes setores votando a favor do Pacote Anticrime, após algumas modificações que não mudam estruturalmente o seu objetivo, na última quarta-feira.

Não podemos naturalizar a violência de Estado dessa política de segurança pública de Witzel, Doria e Bolsonaro que tem como plano assassinar cotidianamente a juventude negra e pobre nas favelas e periferias de todo Brasil. A mesma juventude que Bolsonaro precariza o futuro com a reforma da previdência é assassinada assassina nas favelas com a falsa política de guerras as drogas. Contra este cenário é preciso enfrentar frontalmente a violência policial e o autoritarismo do Judiciário, se colocando veemente contra qualquer medida que aprofunde essa realidade. É preciso trilhar um caminho diferente do que foi feito pelo PT, responsável por militarizar o Haiti com mais de 37 mil homens, a Maré, por apoiar a implementação da UPP’s.

Mas é urgente também que o enfrentamento ao Pacote Anticrime, que segue em tramitação, levantemos um conjunto de medidas para responder essa realidade. Todas as organizações de esquerda deviam se colocar a necessidade de lutar contra o autoritarismo do judiciário exigindo que todos os juízes sejam eleitos e revogáveis, para que os assassinatos cometidos por policiais sejam julgados por juris populares, pelo fim dos autos de resistência e por medidas que mudem estruturalmente as condições precárias de vida impostas ao conjuntos dos negros e trabalhadores deste país.

Nós nos solidarizamos profundamente com as famílias que tiveram seus filhos assassinados pelo racismo do sistema capitalista que impõe um violento onde os os jovens negros favelados são expostos seja pela violência da polícia e de outras instituições do Estado . Nenhuma mãe merece ter um filho morto em um espaço que era pra se divertir, nenhum jovem favelado merece morrer por qualquer ação pela mão da polícia. Toda solidariedade e ódio de classe a instituição militar mão armada do Estado Brasileiro. Basta de mortes pela mão dessa polícia sanguinária e racista. A juventude negra e favelada merece lazer e cultura.




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