Política

CHAMADO

Para termos uma verdadeira e efetiva paralisação no 28A a esquerda precisa dar o exemplo 

Hoje mesmo um novo escândalo político sacudiu o país, atingindo muitos ministros de Temer, tucanos e todos partidos que governam ou governaram para os capitalistas, incluindo o PT e PCdoB. Essa crise política abre mais espaço para que os trabalhadores, com sua união e decisão, possam derrotar todos os ataques e abrir caminho para uma saída política que questione todo regime político.

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo, do Sintusp

quarta-feira 12 de abril| Edição do dia

Em cada local de trabalho do país depois do dia 15 de março se sentia a imensa vontade de paralisar novamente. Derrotar Temer, o Congresso e os capitalistas que os apoiam e lucram com seus ataques. O potencial da classe trabalhadora fez o presidente golpista mudar seus planos. Temer tem tentado dia após dia manobrar com novas propostas que tornem menor a oposição à reforma da previdência, acena com até mesmo mexer no coração dela a idade mínima de 65 anos desde que em troca de um novo fator previdenciário e garantia que ninguém conseguirá uma aposentadoria além de um valor miserável.

Hoje mesmo novo escândalo político sacudiu o país, atingindo muitos ministros de Temer, tucanos e todos partidos que governam ou governaram para os capitalistas, incluindo o PT e PCdoB. Essa crise política abre mais espaço para que os trabalhadores, com sua união e decisão, possam derrotar todos os ataques e abrir caminho para uma saída que questione todo regime político.

Temos força para derrotar completamente a proposta da reforma da Previdência e todos ataques. Porém, as grandes centrais sindicais marcaram a próxima ação só no dia 28 de Abril. Deram uma trégua de 45 dias. Temer não perdeu tempo com a trégua. Garantiu a terceirização irrestrita, a extensão do trabalho temporário e estava prevendo votar semana que vem a reforma trabalhista que enterra muitas das conquistas que existem na CLT. 

Não há tempo a perder. Precisamos que o dia 28 seja uma efetiva paralisação nacional que abra caminho para um plano de luta e uma greve geral que pare o país. Podemos derrotar completamente todos esses ataques já aprovados ou em andamento e com essa força dar uma resposta política à crise nacional. Para isso a esquerda tem um papel fundamental. É importante dar um grande exemplo de luta pela efetividade dessa paralisação e para começar a oferecer um programa alternativo de resposta à crise. Sem isso, corremos o risco de desperdiçar toda essa energia que os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os negros estão mostrando. 

Nas mãos da Força Sindical, que dá mais ênfase em seu site aos sorteios que fará no seu show de primeiro de maio do que ao dia 28, não conseguiremos barrar tais ataques. A Força, através de seu presidente, o deputado Paulinho da Força (do Partido Solidariedade), vinha negociando todos esses ataques com Temer. A CUT e CTB, que têm mostrado maior decisão em propagandear o dia 28, também foram parte dessa longa trégua dada a Temer. Como já vimos diante dos ajustes quando eram conduzidos por Dilma, no golpe e agora, essas centrais limitam sua ação ao que os trabalhadores podem ser funcionais a seus projetos eleitorais com Lula. Impõem um debate do "mal menor" em 2018 quando vivemos um presente de ataques e temos o futuro em xeque. A paralisação do dia 15 de Março expressou para nós a vontade dos trabalhadores lutarem e não a decisão dessas cúpulas comprometidas com Temer ou com seus projetos por fora das necessidades da luta de classes.

Precisamos dar mostras de organização e força para garantir que essas centrais e suas direções não abandonem a luta contra essas reformas e seja possível unir toda a força da classe trabalhadora brasileira. Não faltam mostras de que essas centrais não só gostariam de abandonar essa luta, como sequer entraram nela plenamente. A garantia dos direitos dos trabalhadores passa pela nossa auto-organização e com ela conseguir que as grandes centrais e sindicatos coloquem sua força.

A esquerda pode dar um exemplo e assim forçar a que garantamos uma paralisação efetiva e um plano de luta rumo à greve geral para derrotar todos ataques. Esse exemplo passa por organizar fortes ações independentes que deem uma cara própria da esquerda ao dia. Uma cara que envolva milhares de trabalhadores nos locais de trabalho e uma luta e programa consequente para derrotar Temer. Chamamos os sindicatos da CSP-Conlutas, da Intersindical, as organizações políticas e sociais organizadas na Frente Povo Sem Medo, em especial o MTST, os parlamentares do PSOL, a todos batalharmos juntos para grandes atos e paralisações da esquerda combativa e independente do PT e da burocracia sindical. Algumas iniciativas já vêm sendo organizadas e apontam nesse sentido, mas consideramos que é fundamental uma maior coordenação das organizações para que o dia 28 não seja um dia passivo, no marco de que em alguns lugares vêm se indicando realização de ato-show e não piquetes e manifestações ativas. Também chamamos a batalhar juntos por assembleias em todos os lugares onde a burocracia não está convocando nada e atuar juntos para garantir que essas sejam democráticas e expressem democraticamente a base.
 
Podemos nos inspirar no exemplo argentino, onde a esquerda e os sindicatos combativos organizaram a ativa participação dos trabalhadores nas paralisações e organizaram grandes piquetes em pontos estratégicos de todo o país e puderam deixar marcado que havia, mesmo que minoritária, uma alternativa à burocracia sindical peronista. Uma alternativa de organização, de consequência em como lutar contra Macri e de qual programa levantar.

Aqui em nosso país, as centrais sindicais burocráticas organizam paralisações controladas, com pouca participação operária e que muitas vezes não afetam a produção e circulação de mercadorias, e se o fazem não a ligam com um plano para vencer. Podemos dar um exemplo diferente. Coordenando as ações da esquerda, garantindo comitês que organizem a luta que reúnam não só as direções sindicais mas milhares de ativistas, organizando democraticamente assembleias para que os trabalhadores sejam sujeitos dessa paralisação e unindo fileiras para termos contundentes paralisações e atos onde pudermos.

Podemos mostrar uma decisão de luta, um plano para vencer, que as direções dessas centrais não o farão se não estiverem pressionadas por uma alternativa ganhando força nos locais de trabalho. Isso é uma possibilidade e uma obrigação daqueles que se reivindicam da esquerda consequente, combativa, socialista e revolucionária como os setores citados nesse chamado o fazem.

Essa decisão também passa por erguermos um programa de resposta à crise. Em primeiro lugar lutarmos pela derrubada de todos esses ataques e para derrubar Temer mas também para erguer uma resposta para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.
 
Nas últimas semanas o MRT organizou encontros em algumas cidades do país, reunindo centenas de trabalhadores, jovens, mulheres e negros. Neles apresentamos essa perspectiva de como organizar a luta para derrotar os ataques em nosso país. Nesses encontros também foi apresentado um programa para dar resposta à crise econômica e social: lutar pelo não pagamento da dívida, pela incorporação dos terceirizados às empresas onde trabalham, pela re-estatização de todas empresas privatizadas e que sejam colocadas sob a administração democrática dos trabalhadores, pela redução da jornada sem redução de salário, entre outros pontos que para nós passam também por impor com a força da mobilização uma Nova Constituinte que possa debater essas e outras demandas sociais, econômicas e políticas do povo brasileiro. 

Os setores combativos nos sindicatos da CSP-Conlutas e Intersindical, nos locais de estudo, moradia e os parlamentares do PSOL que podem chegar facilmente a meios de comunicação e milhões de eleitores têm uma grande responsabilidade. Mostrarmos força, organização na base, independência, e consequência para derrotar os ataques de Temer exige a luta para fazer do dia 28 uma grande paralisação efetiva. De nosso exemplo depende quanto poderemos controlar o que as cúpulas sindicais farão e assim se poderemos salvar nossas aposentadorias e direitos ou não.

foto: Paulo Iannone




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