Política

QUEDA DE PEDRO PARENTE

Para se livrar do legado de Parente e da corrupção, são os próprios petroleiros que precisam gerir a Petrobras

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

sexta-feira 1º de junho| Edição do dia

Caiu o odioso presidente da Petrobras, Pedro Parente. Tucano, secretário de FHC para a "desestatização" e responsável direto por um agressivo plano de privatização dos recursos nacionais do país e pelo sistemático aumento dos preços de combustíveis para vender o refino da empresa para o imperialismo.

A saída de Parente era exigida tanto pelos ruralistas do DEM que apoiavam a mobilização caminhoneira para favorecer às patronais e o criticavam pela demora em atender ao pleito de maiores lucros das transportadoras, como também estava com a corda no pescoço porque era mal visto pelo mercado por ter cedido parte de seus lucros para aumentar o dos patronais caminhoneiras, e sua saída também era uma das pautas da efêmera greve dos petroleiros conduzida pela FUP-CUT. Sua entrada no conselho da BRF também amargou o governo golpista.

Mesmo com intenso ataque midiático e judiciário quase diário, a maioria dos brasileiros se mostrou contrária à privatização da Petrobras em recente pesquisa. Este fato bem como a queda de Parente mostram que o potencial mostrado nas 24h de greve poderia ter sido levado a frente para acabar com todo legado de privatização e corrupção se enfrentando com a autoritária decisão judicial que tornava sua greve ilegal. A marca operária a essa crise ainda precisa ser dada. Para isso é preciso oferecer um programa que seja radicalmente distinto ao de Temer, mas também ao favorecimento dos empresários e do imperialismo - que nos governos Lula e Dilma receberam bilhões em subsídios e lucros - que acontecia sob o comando de Gabrielli e Graça Foster nomeadas pelo PT.

A luta dos petroleiros, traída pela CUT que não buscou mobilizar nenhum outro setor deixando os petroleiros isolados mesmo quando estes desafiavam o TST, poderia ter avançado a essa posição independente e é necessário retomar o caminho da luta dos trabalhadores por um plano de luta e uma paralisação nacional para frear toda a entrega ao imperialismo e os cortes à saúde e à educação para favorecer as patronais do transporte.

Nas mãos de quem Temer e seus conselheiros na empresa indicarem, teremos a continuidade das privatizações. Não basta cair Parente para extirpar todo legado privatista e corrupto. O que fazer agora? A saída seria outro privatista ligado à direita? Retornar a política de preços do PT, que encheu os bolsos dos grandes acionistas privados e petroleiras estrangeiras, que levam em média 40% dos lucros da Petrobras para o exterior, anualmente? Nem nossos empregos, muito menos os serviços baratos e eficazes para a população seriam conquistados com essas saídas capitalistas

Quem Temer indicar pode ou não mudar a política de preços, pode mudar um ou outro projeto nas prioridades de privatizações, mas não mudará a essência de um projeto que é de agressiva entrega das riquezas do país ao imperialismo. Rodrigo Maia, presidente da Câmara e pré-candidato do DEM depois de dias criticando Parente já veio a público hoje dizer que a "política de Parente precisa permanecer". Tudo que precisamos derrotar.

Não serão de burocratas escolhidos pelas mãos dos golpistas, da Shell ou com o retorno de uma política petista que privatizava aos poucos o Pre-Sal como fez Dilma, e entregava as riquezas em vastos esquemas de corrupção, que poderemos colocar as vastas riquezas do petróleo à serviço da maioria da população. É preciso que a Petrobras seja 100% estatal e gerida pelos petroleiros com controle popular, única maneira de baixar o preço dos combustíveis sem favorecimento de empresários, sem que a população pague a conta em novos impostos ou cortes, que garanta total publicidade em contratos e planos e assim faça da empresa, que é símbolo do país, um símbolo que sirva a população e não ao imperialismo e a empresários.




Tópicos relacionados

crise combustíveis   /    Privatização da Petrobras   /    Greve da Petrobras   /    Crise da Petrobrás   /    Política

Comentários

Comentar