Política

REPRESSÃO GOLPISTA NAS OLIMPÍADAS

Para o ministro Alexandre Moraes monitoramento “antiterrorismo” continuaria “para sempre

O Ministro golpista da Justiça Alexandre Moraes declarou à imprensa considerar que o monitoramento de suspeitos de terrorismo deveria continuar não apenas após as olimpíadas, como para sempre. Questionado se haveria algum motivo específico, ou seja, suspeita ou ameaça de terrorismo, Moraes afirmou que não.

quarta-feira 27 de julho de 2016| Edição do dia

A contraditória declaração dada pelo Ministro golpista da Justiça Alexandre Moraes ocorreu durante uma vistoria no Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo, aonde o Ministro pôde ser fotografado para o Globo cumprimentando um policial vestindo armadura anti-bombas, aparato até então só haviam sido visto em filmes da Tela Quente. Durante as Olimpíadas no Rio o aeroporto contará com 700 policiais federais, 300 a mais do que o usual, além de 279 policiais militares, equipamento de rastreamento de bombas e drogas.

Alexandre Moraes declarou à imprensa que: “— O monitoramento, o rastreamento, a investigação continua não só agora durante a Olimpíada, mas principalmente em virtude do momento que vive o mundo, agora continua, diríamos que para sempre.” Fazendo referência aos atentados do Estado Islâmico, principalmente na França, mas também ocorridos na Alemanha nesta semana, Moraes sustenta tenta justificar a necessidade do imenso aparato repressivo montado para os jogos do Rio 2016.

No entanto, quando questionado se haveria um motivo especial para isso –entenda-se nas entrelinhas como qualquer fundamento que sirva de suspeita de ameaça de atentado- Moraes pausa sua análise baseada nas notícias da imprensa burguesa internacional para responder com a versão oficial do governo golpista de Temer: “Nossa maior preocupação é que as pessoas venham para o Brasil com absoluta tranqüilidade para assistir os Jogos Olímpicos.”

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Moraes tenta estender o limite de manobra encontrada pelo governo golpista de Temer para justificar o aumento do aparato policial durante as Olimpíadas. O governo, com a alegação do fantasma do terrorismo, trabalha para aumentar o aparato de repressão que sem dúvida será usado depois contra os movimentos sociais e greves que lutem contra os cortes que o governo prepara. Para justificar este fortalecimento das forças policiais agita um fantasma do terrorismo para tentar ganhar apoio da população às estas medidas, quando o que realmente põe em ameaça a vida da população são as medidas de corte nos serviços públicos, o desemprego e as ameaças de cortes em direitos como aumento da idade para se aposentar e medidas que ataquem a CLT.

Até o momento, a força tarefa montada pelo governo tem sido ativa em operações midiáticas, como a prisão de 10 “suspeitos” baseada em nenhuma prova consistente além de conversas de Whatsapp. O desejo de Moraes, de angariar apoio à uma sociedade vigiada ostensivamente pelo “grande irmão”, por enquanto ainda é sonhar alto.

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Moraes trabalha com qualquer brecha que encontre para aumentar o poder de fogo do aparato de repressão. Foi bem sucedido em sua missão até então, ao ser promovido com o golpe institucional de Secretário de Segurança do Alckmin à Ministro, levando consigo as leis que permitiam a PM reprimir ocupações e realizar reintegrações de posse sem mandato judicial. Agora com os jogos Olímpicos e a vinda de delegações estrangeiras ao Brasil, o estado brasileiro deu todas as prerrogativas para um reforço deste aparato. Monitoramento eletrônico, prisão por “suspeita de terrorismo” e policiamento ostensivo com apoio da própria Guarda Nacional são as armas que conta até então. É preciso combater essa escalada repressiva, bem como a lei anti-terrorismo, sancionada por Dilma enquanto ainda era presidente, e que visa reprimir a população em meio à crise econômica, política e social que assola o país.

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