Economia

ECONOMIA NACIONAL

Para justificar sua permanência, Temer comemora índices econômicos pífios

O entusiasmo dos golpistas é tão desproporcional com a realidade econômica, que até mesmo os analistas burgueses estão questionando o otimismo das declarações.

Danilo Magrão

Professor de sociologia da rede pública

quinta-feira 1º de junho| Edição do dia

O Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou seu relatório trimestral sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Segundo os dados, houve um crescimento de 1% no primeiro trimestre de 2017, ante os três meses anteriores. É o primeiro crescimento trimestral após oito trimestres no vermelho.

Tão logo os dados foram divulgados, Temer e o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, emitiram declarações comemorando os resultados.

Em sua conta no Twitter Temer afirmou que: “Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda. ” Meirelles não deixou por menos, taxou o dia de hoje como “histórico”.

O entusiasmo dos golpistas é tão desproporcional com a realidade econômica, que até mesmo os analistas burgueses estão questionando o otimismo das declarações.

Diversos analistas atribuem aos índices uma sazonalidade que está longe de corresponder à uma saída estrutural à crise econômica. A subida é atribuída à super-safra da agropecuária, comum no início do ano, e não encontra acompanhamento e outros setores da economia.

A recuperação da indústria, por exemplo, está longe de ter se consolidado. O setor tem intercalado resultados positivos com contrações. O último dado, emitido em março, apresentou uma queda de 1,8% da produção industrial de fevereiro.

Outro fator alarmante são os índices de desemprego recorde que o país vem atingindo. Até abril o índice oficial era de 13,6%, sem contar trabalhadores em situação de subemprego ou que já desistiram de procurar trabalho.

Os exageros e a desproporcionalidade que tanto Temer como Meirelles comemoraram os pífios índices econômicos se explicam pela forte crise política pela qual passa seu governo.

Após a delação da JBS, a greve geral do dia 28 e a marcha a Brasília no dia 24, o governo golpista vem buscando encontrar uma sobrevida para se manter. Temer irá utilizar qualquer “muleta” que tiver ao seu dispor para justificar a existência de seu mandato.

A ausência de um nome que possa unificar os setores golpistas para seguir aplicando os ajustes, e a aproximação do julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE, é o tempo que resta para Temer tentar suas últimas súplicas para provar para a burguesia que é capaz de seguir atacando os trabalhadores e os direitos da população. Seu desespero, em realidade, é mais uma mostra de sua instabilidade.




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